Volume ajustado de stablecoins já supera Visa e PayPal por mês: o que a métrica realmente diz sobre pagamentos

Meta description: Volume ajustado de stablecoins supera Visa e PayPal por mês, segundo pesquisa. Entenda a métrica, limites e riscos de compliance, reservas e concentração.

O dado chama atenção, mas o valor está na interpretação

Um relatório citado por veículos de mercado afirma que o volume ajustado de stablecoins já movimenta mais por mês do que redes tradicionais como Visa e PayPal.
Isso parece um “momento decisivo”, mas a leitura útil não é torcer pelo placar. É entender:

  • o que significa “ajustado” (e por que isso muda tudo)
  • o que esse volume está medindo de fato (liquidação, trading, tesouraria, roteamento)
  • quais riscos ficam mais evidentes quando stablecoin vira infraestrutura (compliance, reservas e concentração)

Stablecoins são peças cada vez mais importantes em pagamentos e liquidação, mas continuam carregando riscos de contraparte, regulatório e operacional. Nada aqui implica ganho garantido, adoção inevitável ou “substituição” automática do sistema atual.

O que aconteceu

A pesquisa/relatório, repercutido por veículos do setor, aponta que o volume mensal “ajustado” de stablecoins ultrapassou o de grandes redes tradicionais, sugerindo que stablecoin está virando um trilho relevante de liquidação.

Por que importa

Esse tipo de dado reforça uma virada estratégica: stablecoin deixa de ser “assunto cripto” e passa a ser:

  • infraestrutura de liquidação e tesouraria
  • camada de movimentação de valor entre plataformas
  • base para produtos financeiros integrados (carteira, pagamentos, B2B, cross-border)

Ao mesmo tempo, quanto maior o uso, maior o escrutínio sobre:

  • qualidade de reservas e resgates
  • padrões de AML/sanções
  • concentração nos maiores emissores (risco sistêmico de “poucos trilhos”)

A maturidade vem junto com exigências mais altas.

O que é “volume ajustado” e por que essa palavra é a chave

“Volume” on-chain, no bruto, pode ser enganoso. Uma parcela enorme do tráfego pode ser ruído operacional e comportamentos que inflacionam números sem representar “pagamento real” no sentido cotidiano.

Por isso surgem metodologias de ajuste/filtragem que tentam remover distorções, como:

  • transferências internas ou associadas a exchanges
  • atividades automatizadas e padrões de MEV em certas redes
  • interações técnicas que contam volume, mas não são consumo/pagamento final
  • outros tipos de “churn” que não refletem uso econômico típico

A própria Visa, ao descrever seu painel de análise on-chain, enfatiza que os dados públicos têm ruído e diferenças entre redes, e usa uma abordagem de “ajuste” para tornar a leitura mais útil.

Exemplo prático: por que o bruto pode enganar

Um mesmo “dólar digital” pode circular várias vezes em sequência por motivos técnicos (roteamento, arbitragem, movimentos de tesouraria entre plataformas). No bruto, isso vira um número enorme. No ajustado, tenta-se estimar melhor o que é atividade econômica mais “real”, separando parte do ruído.

O ajuste resolve tudo? Não. Mas melhora o tipo de pergunta

Mesmo ajustado, o dado não responde automaticamente “stablecoins já viraram Visa”. Ele ajuda a responder perguntas mais produtivas, como:

  • quão grande é a movimentação de stablecoins quando você remove ruídos óbvios
  • em que ritmo esse trilho está crescendo
  • quanta atividade ainda é estruturalmente ligada a trading/infra cripto
  • qual a distância entre movimentação total e pagamentos de varejo de baixo ticket

Um relatório técnico da Artemis, por exemplo, descreve como, após filtragem, a leitura de volume mensal pode cair drasticamente em relação ao bruto, e mostra que “pagamentos de varejo” (por valor baixo) são uma fração bem menor.

A implicação é clara: stablecoin pode ser gigante como infra, mesmo antes de ser gigante como varejo.

Comparar stablecoins com Visa e PayPal: onde está a pegadinha

Comparações chamativas funcionam como manchete, mas você precisa de cautela porque as métricas podem não ser “maçã com maçã”.

Pontos de atenção:

  • redes tradicionais medem “payments volume” dentro de regras próprias (cartão, credenciamento, autorização, chargeback, etc.)
  • stablecoin mede transferência de valor em trilhos on-chain, com usos que incluem tesouraria, trading e liquidação entre empresas
  • “ajustado” melhora, mas não transforma stablecoin automaticamente em “compra no varejo”

O jeito certo de usar essa comparação é como sinal de escala e tração de infraestrutura, não como prova de que o consumidor já migrou em massa.

O que esse volume sugere sobre a direção do mercado

Quando stablecoin alcança escala comparável a redes tradicionais em algum recorte de medição, três teses ficam mais fortes.

Stablecoin como liquidação e backoffice invisível

Mesmo que o usuário final não “pague com stablecoin”, empresas podem usar stablecoin para:

  • liquidação entre parceiros
  • repasses e payouts
  • reconciliação e tesouraria em janelas mais contínuas
  • rotas cross-border com menos fricção

Isso é “infra invisível”: o front-end parece igual, o backoffice muda.

Competição vira distribuição + carteira

Quando o trilho existe, vence quem:

  • tem base de usuários e merchants
  • integra em software e carteiras
  • resolve suporte, UX e compliance em escala

Ou seja: menos narrativa e mais produto.

O mercado começa a precificar risco de forma mais adulta

Escala atrai escrutínio. E o foco migra para:

  • como as reservas são geridas
  • como o resgate funciona em stress
  • como o compliance é operado no dia ruim
  • quão concentrado é o ecossistema

O “porém” inevitável: compliance, reservas e concentração

O próprio texto que você trouxe já aponta o lado B: crescimento reforça que stablecoin está virando infraestrutura, mas aumenta a atenção para risco.

Compliance e sanções viram parte do produto

Quanto mais stablecoin entra em pagamentos e B2B, mais:

  • AML deixa de ser acessório
  • trilhas de auditoria e monitoramento viram requisito
  • parceiros exigem previsibilidade regulatória

Infra de pagamentos não escala sem governança operacional.

Reservas e resgates: a confiança mora aqui

Stablecoin é promessa de conversão. A pergunta que importa é: “em que condições e com que prazos eu resgato?”.
Se o mercado usa stablecoin como trilho de liquidação, resgate previsível vira tão importante quanto taxa baixa.

Concentração: poucos emissores dominando o trilho

Veículos que repercutiram o relatório destacam concentração elevada nos maiores emissores, o que cria um risco de “infra com poucos pontos de falha”.
Quanto mais o sistema depende de poucos emissores, mais a gestão de risco de contraparte vira disciplina central.

Como você pode usar esse tema de forma estratégica

Se você é investidor, trader ou operador olhando para 2026, este assunto rende vantagem quando vira checklist, não torcida.

Checklist prático para “infra de stablecoin”:

  • o volume está crescendo em quais redes e por quais tipos de fluxo
  • quem são os emissores dominantes e como isso afeta risco sistêmico
  • onde estão as integrações reais (payouts, B2B, cross-border, carteiras)
  • quais requisitos de compliance estão virando padrão
  • como a narrativa se traduz em execução (SLAs, suporte, reconciliação)

FAQ

O que significa volume ajustado de stablecoins?

É uma métrica que tenta reduzir ruídos do volume bruto on-chain, filtrando atividades que podem inflar números sem representar uso econômico típico.

Se stablecoins superam Visa e PayPal em volume, isso quer dizer que já viraram mainstream?

Não necessariamente. Pode indicar escala de infraestrutura e liquidação, mas parte relevante do uso ainda pode envolver tesouraria e fluxos ligados a trading, além de diferenças de metodologia.

Por que compliance vira preocupação maior quando o volume cresce?

Porque, em escala, pagamentos exigem controles de AML, sanções, auditoria e processos operacionais previsíveis. Infra sem compliance robusto vira risco de contraparte e risco regulatório.

Reservas ainda importam mesmo com “ajuste” de volume?

Sim. Volume mede uso, mas a segurança do trilho depende de reservas, governança e capacidade de resgate em cenários de estresse.

Qual o maior risco estrutural do mercado de stablecoins hoje?

A concentração em poucos emissores e a dependência de trilhos dominantes, o que pode amplificar impacto caso haja falhas operacionais, mudanças regulatórias ou choque de confiança.

Conclusão

O dado de que o volume ajustado de stablecoins já supera Visa e PayPal por mês é relevante menos pelo “placar” e mais pelo que ele sinaliza: stablecoin está virando infraestrutura de liquidação. Ao mesmo tempo, esse avanço empurra o mercado para um padrão mais exigente, em que compliance, reservas e concentração deixam de ser detalhe e viram o centro do risco.

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