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A partir de 28 de junho de 2025, a Tailândia vai bloquear Bybit, CoinEx, OKX, XT e 1000X por operarem sem licença local. Entenda os riscos de usar exchange sem autorização e a diferença entre corretora global e regulada no seu país.
Introdução: quando “não tem licença aqui” vira bloqueio oficial
A SEC da Tailândia anunciou que, a partir de 28 de junho de 2025, o país vai bloquear o acesso a cinco grandes plataformas de cripto que operam sem licença local:
- Bybit
- 1000X
- CoinEx
- OKX
- XT.COM
Essas exchanges foram enquadradas por violar o Digital Asset Business Act de 2018, que exige autorização formal para operar negócios de ativos digitais no país. O caso foi enviado para a Divisão de Supressão de Crimes Econômicos da polícia tailandesa, e o Ministério de Economia Digital ficará responsável por aplicar o bloqueio de acesso.
É mais um movimento na linha “ou se licencia, ou está fora”: se a plataforma não aceita jogar dentro das regras locais, o regulador simplesmente fecha a porta para o usuário doméstico.
Neste artigo, vamos destrinchar:
- o que exatamente a Tailândia está fazendo;
- por que isso importa para qualquer investidor que usa exchanges “globais”;
- os riscos de operar em corretora sem licença no seu país;
- e a diferença prática entre “global barata” e “local regulada” quando dá problema.
1. O que a Tailândia decidiu – e por quê
1.1. Bloqueio técnico + caso criminal
De forma resumida, o pacote tailandês envolve:
- investigação da SEC apontando que Bybit, 1000X, CoinEx, OKX e XT.COM ofereceram serviços de trading de ativos digitais para residentes locais sem licença;
- abertura de queixa criminal contra as plataformas com base no Digital Asset Business Act de 2018;
- uso do Royal Decree on Measures for the Prevention and Suppression of Technological Crimes (No. 2) 2025, que autoriza o Ministério de Economia Digital a bloquear o acesso a sites e apps não autorizados;
- data efetiva do bloqueio: 28 de junho de 2025.
A SEC ainda orientou explicitamente que os investidores retirem seus fundos dessas plataformas antes da data, reforçando o recado:
“Se algo der errado depois do bloqueio, o problema é seu, não do regulador.”
1.2. Justificativa oficial: proteção e combate à lavagem de dinheiro
Nos comunicados, a mensagem é clara:
- a medida busca proteger investidores;
- e evitar que plataformas não autorizadas sejam usadas como canal de lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros.
Não é uma proibição geral de cripto:
- exchanges licenciadas continuam podendo operar;
- o alvo são as plataformas que atuam sobre o mercado tailandês sem passar pelo processo regulatório local.
2. Risco real: o que acontece quando você depende de uma exchange sem licença local
“Mas a plataforma é gigante, tem milhares de usuários, nunca deu problema…”
Esse é o raciocínio comum. O caso da Tailândia mostra o outro lado: quando o problema não é a tecnologia, e sim o enquadramento jurídico.
2.1. Bloqueio repentino de acesso
Se o governo manda bloquear:
- seu IP local passa a não acessar o site/app;
- a plataforma pode ser forçada a encerrar operações no país ou restringir funções;
- mesmo que você ainda veja saldo lá dentro, o caminho para sacar fica muito mais complicado.
Claro, sempre haverá quem fale em VPN, jeitinho, etc. Mas do ponto de vista de risco regulatório e de compliance, a mensagem é:
manter patrimônio em plataformas que o seu país considera ilegais é assumir conscientemente um risco extra, inclusive de ficar travado.
2.2. Menos amparo se algo der errado
Quando a exchange não tem licença, você perde:
- acesso a canais formais de reclamação junto ao regulador local;
- a possibilidade de acionar mecanismos de proteção desenhados para investidores domésticos;
- força política para pressionar por solução se houver:
- hack,
- insolvência,
- congelamento de saques,
- mudanças abusivas de termos.
Na prática, vira um:
“Você escolheu usar uma plataforma que a lei já dizia que não podia atuar aqui. Agora, a conta é sua.”
3. “Global” x regulada no seu país: qual é a diferença prática?
3.1. Vantagens e desvantagens de uma exchange global
Prós mais comuns:
- mais pares de negociação;
- liquidez maior em algumas moedas;
- acesso rápido a listagens de altcoins novas;
- às vezes, taxas mais baixas.
Contras menos óbvios:
- sem licença local, o regulador do seu país pode:
- bloquear acesso,
- considerar certas práticas ilegais,
- te deixar sem defesa em litígios;
- suporte nem sempre adaptado à língua, regras e problemas específicos do seu mercado;
- risco de a empresa alegar que “não atende oficialmente o seu país”, mesmo tendo você como cliente.
3.2. O que uma corretora regulada oferece (que nem sempre é hype, mas conta muito)
Uma exchange ou corretora licenciada no seu país geralmente oferece:
- enquadramento claro perante o banco central, CVM, regulador de valores ou equivalente;
- regras de:
- segregação de recursos,
- controles de PLD/FT,
- relatórios periódicos;
- portas formais de reclamação (ouvidoria, regulador, Procon etc.);
- maior cuidado com:
- onboarding,
- documentação,
- limites,
- suitability.
Não é garantia de perfeição nem de ausência de risco — mas alinha a operação com a legislação local e aumenta as chances de você não ficar totalmente desamparado numa crise.
4. O movimento global de “ou se licencia, ou está fora”
A Tailândia não está sozinha. A linha geral dos reguladores é cada vez mais:
“Se quiser atender nosso mercado, venha aqui, peça licença, aceite nossas regras. Se não, não opere.”
Vários países vêm adotando abordagens semelhantes:
- Europa, com o MiCA, exige passaporte regulatório para atuar no bloco;
- Brasil, com marco de VASPs e regras do Banco Central e Receita, avança na linha de licenciamento e supervisão;
- EUA, Reino Unido e outros endurecem na prática com processos, exigências de registro e ações de enforcement.
A Tailândia agora entra nessa lista com uma medida clara:
- ou a plataforma entra na fila do licenciamento,
- ou o acesso será simplesmente bloqueado para o investidor local.
5. Como esse caso pode guiar suas decisões como trader ou investidor
5.1. Checklist básico antes de mandar dinheiro para qualquer exchange
Algumas perguntas para se fazer sempre:
- Ela tem licença no meu país?
- Se não tem, você está assumindo risco regulatório extra.
- Se amanhã o meu regulador mandar bloquear, o que acontece com meu patrimônio?
- Você consegue sacar? Tem plano B? Carteira própria?
- Estou usando essa plataforma por necessidade real ou só por hype/“todo mundo usa”?
- Às vezes, dá para operar a mesma estratégia em uma estrutura menos arriscada do ponto de vista jurídico.
- Tenho parte dos meus cripto em autocustódia?
- Mesmo que você use exchanges, ter uma parcela em carteira própria reduz exposição a decisões de governo + plataforma ao mesmo tempo.
5.2. Risco x conveniência
Usar uma exchange global sem licença local não é automaticamente errado — mas é uma decisão de risco consciente.
- Quanto maior o valor,
- quanto mais importante aquele capital é para sua vida,
- mais faz sentido priorizar plataformas reguladas e estratégias de diversificação de custódia.
FAQ – Perguntas frequentes sobre o caso Tailândia x exchanges sem licença
1. A Tailândia está proibindo criptomoedas?
Não. O país está bloqueando o acesso a plataformas específicas que, segundo a SEC, operam sem licença local. Exchanges licenciadas continuam podendo operar normalmente sob o marco regulatório tailandês.
2. O que acontece com quem tem saldo em Bybit, OKX, CoinEx, XT ou 1000X lá?
A SEC recomendou que os investidores retirem seus ativos antes do bloqueio. Depois de 28 de junho de 2025, o acesso direto a partir da Tailândia será restrito, o que pode dificultar saques e suporte, especialmente se houver mais ações legais.
3. Usar VPN resolve o problema?
Do ponto de vista técnico, pode contornar parte do bloqueio. Mas do ponto de vista legal e de risco, você estará:
- usando uma plataforma que o seu regulador considera ilegal;
- potencialmente violando termos de uso da própria exchange;
- reduzindo drasticamente o seu amparo se der algum problema.
4. Isso pode acontecer em outros países?
Sim. Vários reguladores vêm deixando claro que não querem plataformas não licenciadas atendendo seu público doméstico. O caso da Tailândia é só um exemplo de uma tendência mais ampla: “se quer o usuário local, venha se regular aqui”.
5. Como reduzir o risco de ser pego em um bloqueio assim?
Algumas práticas:
- priorizar exchanges com licença ou registro no seu país, quando houver opção;
- evitar concentrar todo o capital em uma única plataforma;
- manter parte das moedas em carteiras próprias, sob sua custódia;
- acompanhar notícias regulatórias do seu país e dos países onde a exchange tem base.
Conclusão: Tailândia manda o recado – “se quer o nosso usuário, se regula aqui”
O bloqueio de Bybit, 1000X, CoinEx, OKX e XT.COM na Tailândia a partir de 28 de junho de 2025 não é só uma história distante para trader brasileiro. É um case de manual sobre:
- o risco de depender 100% de plataformas que não têm licença onde você mora;
- como reguladores estão cada vez mais alinhados na lógica de “ou se licencia, ou está fora”;
- por que vale olhar além de taxa e catálogo de altcoins na hora de escolher onde deixar seu dinheiro.
No fim do dia, a pergunta que importa é simples:
se amanhã o seu país fizer algo parecido, em qual lado você prefere estar —
no da plataforma alinhada ao regulador,
ou no da que o governo decidiu literalmente desligar da tomada?



