Novembro de 2025 caminha para ser o pior mês da história dos ETFs de Bitcoin, com saídas entre US$ 3,5 e US$ 3,8 bilhões e o IBIT, da BlackRock, liderando os resgates. Ao mesmo tempo, começam a surgir dias de inflows emETFs de Bitcoin, Ethereum e Solana. Entenda se estamos vendo capitulação ou apenas uma realização tática – e como ler esses fluxos com cabeça fria.
Depois de meses de euforia com ETFs spot de cripto, novembro chegou como um banho de água fria:
- Bitcoin caiu cerca de 30% a partir do topo acima de US$ 120–126 mil em outubro, voltando para a faixa dos US$ 80–88 mil e apagando o ganho do ano.
- U.S. spot Bitcoin ETFs registram outflows recordes em novembro:
- Bloomberg fala em US$ 3,5 bilhões, quase empatando com o pior mês histórico (US$ 3,6 bi em fevereiro);
- Coindesk aponta US$ 3,79 bilhões de saídas, ultrapassando o recorde anterior, com o IBIT respondendo por boa parte disso.
- Só o iShares Bitcoin Trust (IBIT), da BlackRock, já sangrou cerca de US$ 2,2–2,5 bilhões no mês, seu pior registro desde o lançamento.
No meio desse cenário, começam a aparecer:
- dias de net inflow em ETFs de Bitcoin e Ethereum;
- e um rali silencioso em ETFs de Solana, que acumulam semanas seguidas de entradas, mesmo com o mercado em queda.
É capitulação de ciclo? É só realização de lucro?
E o que um trader/investidor pode tirar desse comportamento dos ETFs de Bitcoin?
O que aconteceu com os ETFs de Bitcoin em novembro de 2025
Queda forte no preço + recorde de outflows
Os gatilhos principais do stress:
- Depois de bater recorde histórico acima de US$ 120–126 mil em outubro, o BTC entrou num sell-off pesado, chegando a cair para a casa dos US$ 80 mil – menor nível em sete meses.
- Essa queda veio acompanhada de:
- mais de US$ 1 trilhão de valor de mercado evaporando em cripto ao longo de seis semanas;
- bilhões em liquidações forçadas, com alguns dias somando mais de US$ 2 bilhões em posições zeradas, boa parte em Bitcoin.
Nos ETFs:
- Dados agregados indicam US$ 3,5–3,8 bilhões de saídas líquidas nos ETFs spot de BTC em novembro, o maior valor mensal desde que o produto foi aprovado em 2024;
- O IBIT, da BlackRock, responde sozinho por mais de 60% desses resgates, com algo em torno de US$ 2,4–2,5 bilhões retirados.
Esse tipo de movimento é o que muita gente chama de “capitulation flow”:
depois de um rali forte, parte relevante da base de investidores “joga a toalha” ao primeiro drawdown mais agressivo.
É fim de ciclo ou realização tática?
1. Visão de curto prazo: realização e “flight to safety”
Relatórios de fluxo da própria BofA mostram:
- Tech equities ainda recebendo inflows (US$ 4,4 bi numa semana, com projeção de US$ 75 bi no ano),
- Enquanto fundos de cripto vivem uma das piores semanas, com cerca de US$ 2,2 bi de saídas.
Isso indica uma rotação típica de final de rali:
- Investidor institucional realizando lucro em ativos que mais subiram (BTC, ETH);
- Migrando parte do risco para ativos com narrativa forte, mas mais “mainstream”, como tech/IA, ou mesmo voltando para Treasuries em busca de proteção.
Sob essa ótica:
- O “fim do mundo” em BTC talvez seja mais um ajuste de posição após alta muito forte desde 2024, não necessariamente o fim da tese.
2. Visão de ciclo: ETFs de Bitcoin ainda são peça central
Apesar das saídas recordes:
- Os ETFs spot de BTC continuam com patrimônio robusto, acumulado desde o lançamento;
- A correção veio depois de um período em que os mesmos fundos foram apontados como motor de alta, com entrada de dezenas de bilhões em 2024/2025.
Ou seja:
- Parte do capital que entrou cedo está simplesmente trancando lucro;
- O produto consolidou o BTC como ativo institucional, mesmo com volatilidade.
Se é fim de ciclo ou não, ninguém sabe – mas os dados não sugerem abandono estrutural da tese, e sim uma pausa dolorosa.
Sinais de respiro: inflows em ETFs de Bitcoin, Ethereum e Solana
Mesmo dentro de novembro – o “mês do massacre” – já aparecem sinais de buy the dip seletivo em ETFs:
- Em 6 de novembro, dados de fluxo mostraram que ETFs spot de BTC e ETH finalmente quebraram uma sequência de seis dias seguidos de outflows, registrando o primeiro dia de entradas líquidas depois da sangria.
- Em 25 de novembro, relatório da Bitget destacou que, em um único dia:
- ETFs spot de Bitcoin registraram US$ 129 milhões de inflow;
- ETFs de Ethereum receberam US$ 78,6 milhões (terceiro dia seguido de entradas);
- ETFs de Solana puxaram US$ 53 milhões em entradas.
E mais:
- Dados do SoSoValue e reportagens indicam que ETFs de Solana já acumulam 12–20 dias consecutivos de inflows, mesmo durante a queda geral, e somam mais de US$ 500 milhões desde o lançamento.
Isso sugere que:
- Enquanto muita gente vende “na dor” BTC/ETH,
- Uma parte do mercado começa a reconstruir posição, seja em BTC/ETH, seja em narrativas alternativas como Solana.
Não é garantia de fundo, mas é típico de fases de:
“mão fraca sai, mão forte entra com desconto”.
Como um trader pode ler fluxo de ETFs de Bitcoin na prática
1. Não olhe só o preço: acompanhe preço + fluxo
- Queda com outflows gigantes e contínuos → sinal de capitulação, risco de prolongar se não aparecer comprador.
- Queda forte, mas com dias alternando entre outflow e inflow → possível redistribuição, onde players de longo prazo começam a entrar.
Ferramentas como dashboards de ETF (SoSoValue, relatórios de provedores, notícias de fluxo) ajudam a cruzar as duas coisas.
2. Cuidado com narrativa de “isso é sinal claro de fundo”
Fluxo não é oráculo:
- Outflow recorde pode, sim, marcar uma zona de preço importante;
- Mas nada impede que:
- o preço continue caindo,
- ou fique meses consolidando sem tendência clara.
O papel do fluxo é mais:
- mostrar quem está se mexendo (varejo x institucional; ETFs de BTC x ETH x SOL);
- do que “garantir” que o fundo foi feito.
3. Use fluxo para calibrar tamanho de posição, não para “all-in”
Se você decidir fazer buy the dip:
- Faça com porcentagens pequenas da carteira,
- Pense em entradas graduais, não uma tacada só;
- E aceite a possibilidade de o mercado ainda andar contra você por bastante tempo.
Lembrando sempre:
ETFs de Bitcoin continuam sendo exposição a um ativo extremamente volátil.
Nada de dinheiro que você não possa perder.
FAQ – ETFs de Bitcoin, outflows e buy the dip
1. Os ETFs de Bitcoin estão “morrendo” depois desse pior mês?
Não.
- Eles tiveram outflows recordes (cerca de US$ 3,5–3,8 bi em novembro), mas ainda carregam um volume grande de patrimônio acumulado desde 2024.
- O produto continua sendo peça central para acesso institucional a BTC.
O que está acontecendo é uma correção pesada após forte alta.
2. Quem está vendendo os ETFs de Bitcoin?
Pelos dados:
- Parte relevante são investidores que entraram no rali e agora estão realizando lucro ou reduzindo risco;
- Há também saída de capital de cripto como classe, em meio a reprecificação de risco global.
Não dá pra apontar um único “culpado”, mas o padrão é típico de fase de realização pós-alta forte.
3. E quem está comprando BTC, ETH e SOL via ETFs depois do crash?
Os relatórios de fluxo mostram:
- Dias específicos de entrada líquida em ETFs de BTC/ETH,
- E uma sequência impressionante de inflows em ETFs de Solana, com 12–20 dias seguidos e mais de US$ 500 milhões desde o lançamento.
Isso normalmente aponta para:
- players com horizonte mais longo,
- fundos que utilizam ETF para montar ou rebalancear posições estruturais.
4. Vale a pena comprar ETFs de Bitcoin no meio desse caos?
Depende do seu perfil e do seu horizonte:
- Para quem tem tolerância a alta volatilidade e enxerga BTC como tese de longo prazo, uma queda com outflows recordes pode ser oportunidade desde que o tamanho da posição seja bem calibrado.
- Para quem não aguenta ver quedas de 30–50%, é melhor não se expor ou manter exposição mínima.
Em todos os casos, é fundamental:
- não usar dinheiro que você não possa perder;
- não entrar com alavancagem sem entender o risco.
5. ETFs de Solana são mais “seguros” que ETFs de Bitcoin?
Não.
- O fato de Solana estar recebendo inflows durante a queda mostra apetite de risco alto em uma narrativa alternativa, não segurança;
- SOL é ainda mais volátil que BTC/ETH, tanto no ativo quanto nas estruturas de ETF.
Pode ser interessante como parcela pequena e especulativa da carteira, mas nunca como núcleo “seguro”.
Conclusão: fluxo dói, mas também conta uma história
Novembro de 2025 deve entrar para a história dos ETFs de Bitcoin como:
- o mês dos maiores outflows já registrados;
- o período em que o mercado “testou” o apetite institucional depois da euforia dos lançamentos;
- e, possivelmente, a janela em que parte do capital de longo prazo começou a reconstruir posição com desconto, enquanto a mão fraca saía.
Se isso é fim de ciclo ou apenas reset de alavancagem, o mercado vai dizer aos poucos. O que você pode fazer, hoje, é:
- usar fluxo de ETFs como peça adicional da sua análise, não como bola de cristal;
- ajustar o tamanho das apostas em cripto ao seu perfil de risco;
- e lembrar que não existe “buy the dip garantido” – existe gestão de risco e disciplina.



