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Mais de US$ 2 bilhões em posições alavancadas foram liquidados em 24 horas no mercado cripto, com Bitcoin e Ethereum liderando as perdas. Entenda o que aconteceu e o que isso ensina sobre risco.
Introdução: quando o mercado “puxa a tomada” da alavancagem
Em menos de um dia, o mercado cripto viu mais de US$ 2 bilhões em posições liquidadas, a maior parte em futuros alavancados.
Segundo dados agregados de plataformas como CoinGlass e reportagens de veículos especializados, o estrago veio principalmente de:
- Bitcoin (BTC) – cerca de US$ 960 milhões em liquidações;
- Ethereum (ETH) – aproximadamente US$ 403 milhões;
- Maior liquidação única – um único contrato BTC-USD de cerca de US$ 36,78 milhões foi zerado de uma vez na Hyperliquid, um DEX de derivativos.
O sentimento é claro:
foi uma “limpa na alavancagem” quando o mercado resolve forçar a saída de quem está exagerando no leverage.
Neste artigo, vamos entender:
- o que aconteceu nesse dia de rolo de liquidações;
- por que eventos assim se repetem em cripto;
- como funcionam essas liquidações automáticas;
- e o que você, trader ou investidor, precisa aprender para não ser o próximo “liquidado”.
1. O que aconteceu: mais de US$ 2 bilhões varridos em 24 horas
1.1. Os números do banho de sangue
Relatórios compilando dados da CoinGlass mostram que, em 24 horas:
- > US$ 2 bilhões em posições foram liquidados;
- mais de 400.000 traders foram afetados;
- a maior parte das liquidações veio de posições long alavancadas (gente apostando na alta);
- os preços foram empurrados para:
- BTC na região de US$ 82.000 a 84.000 em alguns momentos;
- ETH abaixo de US$ 2.700, o menor nível em semanas.
Na prática, o movimento foi:
- o preço começa a cair;
- posições alavancadas ficam próximas do preço de liquidação;
- a própria liquidação gera mais pressão de venda, forçando o preço ainda mais para baixo;
- isso aciona novas liquidações em cascata.
E assim, em poucas horas, bilhões em contratos são encerrados à força.
1.2. De onde vem esse número?
Esses dados vêm principalmente de:
- painéis de derivativos como CoinGlass, que rastreiam liquidations por exchange, par e lado (long/short);
- matérias que consolidam essas informações, como Binance Square, The Block, altFins e outros portais cripto.
Vale lembrar:
os próprios sites destacam que nem todas as corretoras reportam dados completos em tempo real, então os US$ 2 bi provavelmente são um piso, não um teto.
2. Por que essas liquidações em massa acontecem?
2.1. Alavancagem excessiva: o combustível da fogueira
Em cripto, é comum ver:
- alavancagem de 10x, 20x, 50x, 100x (e até 200x em algumas plataformas);
- traders operando grande parte da banca em futuros perpétuos ou margined, sem reserva de segurança.
Isso torna o sistema extremamente sensível a movimentos relativamente pequenos de preço:
- uma queda de 5–10% no BTC pode ser o suficiente para zerar posições 20x, 50x, 100x;
- se muita gente está no mesmo lado (majoritariamente long), qualquer realização maior vira uma “caça a stops” e “caça a liquidações”.
2.2. Efeito dominó: liquidação gera liquidação
Quando o preço toca o nível em que o margin já não é suficiente:
- a corretora fecha a posição automaticamente (liquidação);
- esse fechamento significa venda de mercado (no caso de longs);
- grandes blocos sendo jogados a mercado empurram o preço para baixo;
- esse movimento derruba outros traders que estavam “no limite” e o ciclo continua.
É por isso que, em alguns dias, você vê:
- queda rápida do preço;
- barra gigante de liquidações;
- e depois um “respiro” quando a maioria das posições frágeis já foi zerada.
2.3. Contexto macro: por que justo agora?
Esse evento de mais de US$ 2 bi em liquidações não veio do nada. Ele aconteceu em um contexto de:
- selloff prévio BTC já vinha caindo forte desde o topo acima de US$ 120k;
- pior mês do ano em termos de desempenho para Bitcoin;
- maior aversão a risco global (dúvidas sobre juros, ETFs com saídas, etc.).
Com o mercado fragilizado, bastou um gatilho para transformar correção em “evento de liquidação em massa”.
3. Como funcionam as liquidações em futuros de criptomoedas
3.1. Margem, alavancagem e preço de liquidação
Quando você abre uma posição alavancada em futuros:
- coloca uma margem (garantia) por exemplo, US$ 1.000;
- escolhe um múltiplo de alavancagem digamos 10x;
- isso te permite abrir uma posição de US$ 10.000.
O problema é que:
- se o mercado andar contra você, uma variação relativamente pequena pode comer toda a margem;
- a corretora define um preço de liquidação, abaixo (ou acima, se for short) do qual ela encerra sua posição automaticamente para evitar prejuízo maior.
Quanto maior a alavancagem:
- mais perto fica o preço de liquidação do seu preço de entrada;
- menor é a “folga” que você tem pra suportar volatilidade.
3.2. Cross margin x isolated margin
Dois modelos muito usados:
- Isolated margin
- você limita uma parte específica da banca para aquela posição;
- se for liquidado, perde só aquela quantia isolada (em teoria).
- Cross margin
- toda a sua banca disponível é usada como “colchão”;
- se der errado, você pode ver a conta toda evaporar no mesmo evento de liquidação.
Em dias de rolo de liquidações, muita gente que usa cross margin ou alavanca demais em várias moedas acaba zerando a conta inteira.
4. O que esse evento ensina sobre gestão de risco
4.1. “Todo mundo ganha dinheiro alavancado… até a primeira grande marretada”
Em períodos de alta, operar com 10x, 20x, 50x parece “gênio da matemática”:
qualquer pullback vira oportunidade, e a banca cresce rápido.
Mas eventos como esse de US$ 2 bi em liquidações em 24h mostram a realidade:
- quem sobrevive não é quem alavanca mais, e sim quem perde menos quando o mercado vira;
- grandes players (baleias, fundos, desks) normalmente:
- reduzem alavancagem em zonas de topo;
- usam hedge (opções, shorts parciais, etc.);
- mantêm reserva em stablecoin para aguentar drawdowns.
O varejo, em geral, faz o oposto:
aumenta alavancagem justamente quando o risco está maior.
4.2. Boas práticas de sobrevivência
Alguns pontos práticos para não virar estatística nesses dias:
- Limite de alavancagem
- evitar múltiplos absurdos (50x, 100x, 200x);
- para a maioria das pessoas, 2x–5x já é mais do que suficiente e ainda assim com cuidado.
- Tamanho de posição
- nunca arriscar mais do que um pequeno percentual da banca em uma única operação;
- evitar “all-in alavancado”.
- Stops planejados
- definir stop técnico antes de abrir a posição;
- nunca deixar a liquidação da corretora ser o seu stop isso é o pior dos mundos.
- Diversificação de estratégia
- não depender só de futuros perpétuos;
- combinar spot, swing, operações menores, e períodos sem operar se o mercado estiver “irracional”.
5. E para o investidor de longo prazo, o que muda?
Se você é mais holder de BTC/ETH do que trader alavancado:
- eventos como esse ajudam a explicar a violência dos movimentos de preço;
- boa parte da volatilidade extrema vem justamente de posições alavancadas sendo varridas.
Do ponto de vista de ciclo:
- essas “limpas” às vezes marcam fases de capitulação de curto prazo quando o mercado força saída dos mais frágeis;
- mas isso não significa que o fundo esteja garantido:
- tudo depende de macro, fluxo em ETFs, narrativa e adoção.
Para o investidor de longo prazo, a lição é:
entender que o preço diário reflete muito mais o humor dos traders alavancados do que o valor fundamental do protocolo.
FAQ – Perguntas frequentes sobre o rolo de liquidações de US$ 2 bi
1. O que significa “US$ 2 bilhões liquidados em 24 horas”?
Significa que posições em derivativos (futuros e perpétuos), no valor nocional de mais de US$ 2 bilhões, foram encerradas automaticamente pelas corretoras porque o saldo de margem não era suficiente para manter a operação. Não é dinheiro “sumindo” do sistema, é dinheiro saindo da mão de quem estava alavancado.
2. Por que Bitcoin e Ethereum concentraram as liquidações?
Porque são os ativos com maior volume em derivativos. Relatórios indicam cerca de US$ 960 milhões em BTC e US$ 403 milhões em ETH liquidados nesse evento, com uma única posição de US$ 36,78 milhões em BTC sendo varrida na Hyperliquid.
3. É possível evitar ser liquidado em futuros de cripto?
Você não controla o mercado, mas pode controlar risco e alavancagem:
- usar alavancagem menor;
- evitar cross margin se você não entende os riscos;
- sempre operar com stop antes do preço de liquidação;
- limitar quanto da banca fica exposto em derivativos.
4. Esses eventos de liquidação em massa são manipulados?
Nem sempre é “teoria da conspiração”, mas é fato que grandes players enxergam onde estão clusters de liquidação (regiões de preço em que muitos stops e margens vão estourar). Em mercados com liquidez menor, fica mais fácil empurrar o preço até essas zonas para “caçar” quem está mal posicionado.
5. Esse tipo de evento é sinal de fim de ciclo ou só uma correção?
Depende do contexto. Em alguns ciclos, grandes ondas de liquidações precederam fases de acumulação; em outros, foram apenas etapas intermediárias de queda. Para interpretar, é preciso olhar:
- fluxo em ETFs;
- cenário macro (juros, liquidez);
- comportamento de baleias e holders de longo prazo.
Conclusão: o recado que os US$ 2 bilhões liquidados deixam para o trader
O dia em que mais de US$ 2 bilhões foram varridos em 24 horas é mais do que um número chocante:
- mostra o tamanho do apetite por alavancagem no mercado cripto;
- deixa claro como movimentos relativamente “pequenos” de preço podem virar tsunamis quando há muitos traders alavancados na mesma direção;
- e reforça que gestão de risco não é opcional é a diferença entre continuar jogando ou sair do game.



