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Em 2025, investidores já perderam mais de US$ 3 bilhões em golpes e hacks com criptomoedas. Entenda os principais tipos de fraudes e veja como se proteger de rug pulls, phishing e exploits em DeFi.
Introdução: o bull market também tem lado B
Enquanto muita gente olha só para gráfico de alta, ETF novo e narrativa de adoção, 2025 está sendo um dos piores anos da história em perdas com golpes em criptomoedas.
Relatórios de empresas de segurança e dados on-chain mostram que, só na primeira metade de 2025, investidores perderam:
- entre US$ 2,4 e 2,5 bilhões em hacks e scams, segundo Certik, CoinDesk e Investopedia;
- e mais de US$ 3,1 bilhões em perdas no ecossistema Web3, considerando exploits em protocolos, carteiras e DeFi, de acordo com a Hacken, CoinMarketCap e outros levantamentos.
Ou seja: em seis meses, 2025 já superou o total de perdas de 2024 inteiro.
Entre os destaques dos relatórios:
- um único ataque de phishing/social engineering roubou 783 BTC (~US$ 91 milhões) de um investidor individual;
- o hack de US$ 1,5 bilhão ligado ao Bybit, atribuído ao grupo Lazarus, virou o maior roubo da história cripto;
E o que está por trás desses números?
Três modalidades dominam as estatísticas de 2025:
- Rugs e scams de DeFi (projetos que somem com a liquidez);
- Phishing e sites falsos de corretoras/carteiras;
- Exploits em bridges e protocolos mal auditados.
Neste artigo, vamos destrinchar cada uma dela e, principalmente, como você não vira a próxima vítima.
1. Crypto crime em 2025: por que os números estão explodindo?
Relatórios de Chainalysis, Certik, Hacken, seguradoras e consultorias de risco convergem em alguns pontos:
- 2025 já é o pior início de ano da história em perdas com hacks e golpes em cripto;
- o volume roubado em apenas um semestre já supera 2024 inteiro;
- não é que existam muito mais incidentes o que cresceu foi o tamanho médio do estrago.
Alguns drivers:
- mais dinheiro travado em DeFi, bridges, staking e RWAs;
- complexidade crescente dos protocolos, abrindo espaço para falhas de acesso e smart contracts;
- uso de IA e engenharia social avançada em campanhas de phishing e scams.
Do ponto de vista de quem investe ou faz trade, a mensagem é simples:
quanto mais dinheiro entra em cripto, mais profissional vira o crime em volta desse dinheiro.
2. Rug pulls e scams em DeFi: quando o projeto some com a liquidez
2.1. O que é um rug pull na prática?
Um rug pull é um tipo de exit scam em que os desenvolvedores de um projeto:
- levantam capital via token, pool de liquidez ou farm DeFi;
- criam uma sensação de comunidade, yield alto e “projeto do momento”;
- e, de repente, drenam toda a liquidez dos pools ou vendem massivamente seus tokens, deixando o investidor preso em um ativo que vale praticamente zero.
Relatórios de 2025 apontam que:
- rug pulls respondem por algo em torno de US$ 300 milhões das perdas só em H1, dependendo da metodologia;
- muitos desses golpes vêm de clones de memecoins, forks de protocolos famosos e farms “milagrosos” com APR insustentável.
2.2. Sinais clássicos de rug que ainda pegam muita gente
Alguns red flags que aparecem repetidamente:
- time anônimo, sem histórico verificável, mas prometendo “revolução” no setor;
- liquidez concentrada em poucas carteiras ou controlada apenas pelo time;
- tokenomics desbalanceada (muito supply na mão dos devs ou de poucas wallets);
- auditoria inexistente ou superficial, feita por “empresa de fachada”;
- pressão para o usuário fornecer liquidez imediatamente em troca de yields absurdos.
Mesmo em 2025, com tanta informação disponível, muita gente ainda cai porque entra pelo FOMO e não faz o básico de due diligence.
3. Phishing, engenharia social e sites falsos: o elo mais fraco ainda é o usuário
3.1. 783 BTC em um único golpe de phishing
Um caso que ficou emblemático em 2025:
- um investidor individual perdeu 783 BTC (cerca de US$ 91 milhões) em um ataque de phishing;
- os criminosos se passaram por suporte de uma fabricante de hardware wallet,
- convenceram a vítima a revelar a seed phrase em um canal “criptografado”,
- e, em minutos, movimentaram tudo para carteiras controladas por eles.
Esse é o extremo, mas não é exceção:
- relatórios de Certik e Investopedia mostram centenas de milhões de dólares perdidos em phishing e golpes semelhantes só em H1 2025;
- a Ledger aponta 2025 como o pior ano em perdas com malware e phishing desde que começou a acompanhar os dados.
3.2. Como esses golpes chegam até a vítima
Os vetores mais comuns:
- sites falsos de corretoras e carteiras (domínios parecidos, anúncios comprados, links em grupos);
- e-mails e DMs se passando por suporte, projeto, airdrop, whitelist etc.;
- aplicativos falsos nas stores móveis, clonando apps de exchanges populares;
- bots em Telegram e Discord imitando perfis oficiais.
O padrão é sempre o mesmo:
criar uma situação de urgência (sua conta será bloqueada, você tem bônus limitado, há um problema crítico na sua carteira) para fazer você entregar sua chave, assinar uma transação mal explicada ou clicar no link errado.
4. Exploits em bridges e protocolos mal auditados: o ponto cego da sofisticação
4.1. Bridges como alvo preferencial
Bridges – aquelas “pontes” que conectam diferentes blockchains – seguem sendo um dos elos mais frágeis da infraestrutura cripto.
Em 2025, relatórios sintetizados por Hacken, Deepstrike e Chainalysis mostram que:
- access-control exploits (falhas de permissão, chaves privilegiadas, configurações erradas) responderam por mais de US$ 1,8 bilhão das perdas de H1;
- boa parte desses exploits aconteceu em bridges, protocolos cross-chain e sistemas de custódia compartilhada;
- um ataque ligado ao grupo Lazarus sozinho levou US$ 1,5 bilhão de uma grande plataforma.
4.2. Problema não é só bug de smart contract
Quando se fala de “hack em protocolo”, muita gente pensa só em bug de código. Mas os relatórios de 2025 mostram outra coisa:
- a maior parte do dinheiro perdido vem de falhas de controle de acesso (chaves de admin comprometidas, permissões mal configuradas, multisigs frágeis);
- auditorias superficiais ou de baixa qualidade deixam passar detalhes críticos;
- projetos rodam valor de “blue chip” com processos de engenharia e segurança de startup júnior.
Pro usuário isso significa:
não adianta só “parecer sério” no design se o protocolo não mostra auditoria sólida, governança clara e controles robustos, o risco é muito maior do que parece.
5. Como não ser a próxima vítima em 2025: check-list prático
Sem papo de terror, vamos ao que dá pra fazer na prática.
5.1. Antes de colocar dinheiro em um projeto DeFi
- Pesquise o time
- existe nome, rosto, histórico?
- há investidor institucional, advisor respeitado ou só anônimo de Twitter?
- Leia e questione a tokenomics
- quanto do supply está com o time e em que cronograma de vesting?
- há controle excessivo de liquidez em poucas carteiras?
- Procure auditoria séria
- auditorias feitas por empresas reconhecidas no mercado (não “empresas inventadas ontem”);
- leia ao menos o resumo executivo dos relatórios.
- Desconfie de yield irreal
- APR de três dígitos sem explicação sólida quase sempre vem com risco extremo – muitas vezes mascarando esquema de ponzi ou rug em gestação.
5.2. Higiene digital contra phishing e malware
Com base em guias de segurança de empresas como Ledger e em relatórios de órgãos como o FBI/IC3:
- Nunca, em hipótese alguma, revele seed phrase ou chave privada
- suporte sério JAMAIS pede sua seed;
- não existe “checagem de segurança” que exija isso.
- Digite o endereço do site na mão
- evite clicar em link de e-mail, DM ou anúncio para acessar exchange/carteira;
- confira o domínio, o cadeado e, se possível, salve como favorito.
- Use 2FA e, de preferência, app autenticador, não SMS;
- Separe “wallet de guerra” e “wallet de cofre”
- uma carteira pra testar coisas de alto risco;
- outra, com segurança máxima (idealmente hardware wallet), só para holdings de longo prazo.
- Atualize sistema e desconfie de extensões/apks
- muito malware de 2025 vem via extensões maliciosas e apps fake baixados fora da loja oficial.
FAQ – Perguntas frequentes sobre golpes e hacks em criptomoedas em 2025
1. 2025 está realmente pior do que outros anos em crypto crime?
Sim. Relatórios de várias fontes (Chainalysis, Certik, Hacken, Deepstrike) mostram que, só no primeiro semestre, as perdas já superaram o total de 2024, com cifras que vão de US$ 2,4 bi a mais de US$ 3,1 bi, dependendo da metodologia.
2. Qual tipo de golpe mais tira dinheiro dos investidores hoje?
Os maiores vilões em valor são:
- exploits de acesso e hacks em plataformas (incluindo grandes exchanges e bridges);
- comprometimento de carteiras (wallet hacks, malware, seed vazada);
- e, logo atrás, phishing e scams de DeFi, incluindo rug pulls.
3. DeFi é “mais perigoso” que corretora centralizada?
Depende. Em DeFi, você tem controle da chave e do contrato – mas isso também significa que não existe “sac” se algo der errado. Hacks de protocolo, rug pulls e falhas de design costumam ser definitivos. Já em CEX, o risco se concentra na custódia da exchange. A escolha é de perfil, mas em ambos os casos é crucial diversificar, estudar e não concentrar tudo num lugar só.
4. Auditoria garante que o protocolo é 100% seguro?
Não. Auditoria reduz risco, mas não elimina:
- pode haver bugs não detectados;
- a equipe pode mudar o contrato depois;
- ou o problema pode estar em governança e chaves de acesso, não no código base.
Auditoria é pré-requisito, não garantia absoluta.
5. Se eu usar só hardware wallet, estou protegido?
Hardware wallet reduz muito o risco de roubo direto dos seus fundos, mas não protege contra tudo:
- você ainda pode assinar uma transação maliciosa achando que é legítima;
- ainda pode ser enganado por phishing e enviar fundos para um golpista;
- ainda pode cair em scam de DeFi onde o protocolo em si é malicioso.
Ela é uma camada forte de segurança – não um escudo mágico.
Conclusão: cripto continua promissora, mas o risco operacional nunca foi tão alto
O “lado sombrio” de 2025 deixa claro que:
- crypto crime ficou mais sofisticado, mais caro e mais rápido;
- o ano combina bull market em preço com alta histórica em golpes e hacks;
- quem não leva segurança a sério acaba virando liquidez para criminoso.
Ao mesmo tempo, o próprio ecossistema está reagindo:
- mais empresas de segurança;
- mais ferramentas de monitoramento on-chain;
- mais educação vindo de players sérios, carteiras, corretoras e comunidades.



