Ouro em ETF voltou ao centro das carteiras em 2025, ao lado de ETPs de cripto com staking. Entenda como usar metais e cripto-ETPs como hedge e quais riscos você corre.
Introdução
Em 2025, o “velho” ouro voltou a parecer bem moderno.
Relatórios da ETFGI mostram que a indústria global de ETFs atingiu US$ 19,25 trilhões em ativos no fim de outubro, com US$ 1,82 trilhão em entradas no ano recorde histórico. Dentro desse bolo, os ETFs de commodities tiveram um salto relevante: só em outubro, captaram cerca de US$ 9,6 bilhões, bem acima do ritmo do ano anterior.
Entre os destaques estão ETFs físicos de ouro e prata listados no Japão e na Europa como o Japan Physical Gold ETF e o Japan Physical Silver ETF, entre os maiores inflows do mês. No mesmo ranking aparecem ETPs de cripto com staking, como CoinShares Physical Staked Solana e CoinShares Physical Staked Toncoin.
Traduzindo: o mercado está usando metais preciosos e cripto-ETPs como peças importantes de hedge e diversificação. A pergunta é: como um investidor brasileiro pode se posicionar nisso sem confundir proteção com aposta?
É isso que você vai ver a seguir.
Por que ouro em ETF voltou ao radar em 2025
Macroeconomia, juros e medo de correção
Quando juros começam a cair, mas o investidor ainda desconfia da sustentabilidade do rally de bolsa (especialmente em IA e tech), ativos reais tendem a ganhar espaço.
Em 2025, o cenário combina:
- preocupação com geopolítica e eleições em grandes economias;
- dúvidas sobre até onde vai a euforia com inteligência artificial;
- realização de lucro em cripto e ações depois de altas fortes;
- projeções de volatilidade maior nos próximos trimestres.
Nesse contexto, ouro e prata em ETF voltam a ser encarados como:
- seguro de portfólio (não garantia de ganho);
- proteção relativa contra choques de confiança e estresse financeiro;
- forma simples de sair do “tudo renda variável” sem depender só de CDI.
Vantagens dos ETFs físicos de metais para o investidor
Quando falamos em ouro em ETF, geralmente estamos falando de:
- ETFs lastreados em metal físico (barras em cofres, auditadas);
- ou ETPs (Exchange Traded Products) com estrutura semelhante.
Principais vantagens em relação ao ouro físico:
- Liquidez: você compra e vende em bolsa, como uma ação.
- Custódia e segurança: não precisa se preocupar com cofre, seguro etc.
- Menor fricção operacional: sem spread de loja física, sem IOF de importação.
Para o investidor brasileiro, o acesso normalmente se dá via:
- BDRs de ETFs listados na B3;
- ou conta em corretoras internacionais.
Em ambos os casos, é essencial olhar:
- taxa de administração;
- tracking error em relação ao preço do ouro spot;
- volume negociado (liquidez).
ETFs de ouro/prata x ações de mineradoras
Muita gente acha que “ETF de ouro” é tudo igual mas não é.
- ETFs físicos de ouro/prata acompanham o preço do metal de forma mais direta.
- ETFs de ações de mineradoras carregam, além do metal, risco de negócio: custo de extração, endividamento, gestão, país onde a mineradora opera etc.
Em termos de estratégia:
- se o objetivo é hedge mais puro, o caminho costuma ser o ETF físico;
- se a ideia é alavancar a tese de alta do metal (assumindo volatilidade maior), mineradoras podem fazer sentido como “pimenta”, nunca como base da reserva.
ETPs de cripto com staking: Solana, Toncoin e o lado “exótico” do hedge
Nos dados de outubro da ETFGI, dois produtos chamam atenção entre os 10 ETPs com maior entrada líquida global: CoinShares Physical Staked Solana e CoinShares Physical Staked Toncoin.
O que isso significa na prática?
- São ETPs listados em bolsa europeia, que compram Solana ou Toncoin e ainda embutem staking, redistribuindo parte do yield para o investidor.
- Na visão de muitos players, isso vira uma forma “regulada” de acessar cripto de alta volatilidade, sem mexer com carteira self-custody.
Do ponto de vista de risco/retorno:
- não é hedge no mesmo sentido de ouro;
- é uma forma de exposição tática a cripto com estrutura de produto listado;
- continua altamente volátil e sujeito a risco regulatório, de smart contract e de emissor.
Para um investidor brasileiro:
- faz mais sentido tratar esses ETPs como aposta assimétrica de alta volatilidade, não como reserva;
- posição, se vier, deve ser pequena no portfólio total (“caixinha de risco”, não base da carteira).
Como encaixar ouro, prata e cripto-ETPs na sua carteira
Uma forma didática de pensar:
- Reserva de emergência → sempre em produtos de baixíssimo risco e alta liquidez (Tesouro Selic, CDBs de alta liquidez etc.).
- Núcleo de longo prazo → renda fixa de qualidade, ações/ETFs amplos, talvez um pouco de cripto “blue chip”.
- Camada de diversificação real → aqui entram ouro e, em menor grau, prata em ETF.
- Camada de risco alto → ETPs de cripto com staking, altcoins, binárias, etc.
Boas práticas:
- ouro em ETF como 5%–10% da carteira total, dependendo do perfil de risco;
- prata costuma ser ainda mais volátil posição menor que ouro;
- ETPs de Solana/Toncoin como fatia bem pequena do patrimônio (1% a 3%, no máximo, para quem já tem experiência e aceita perdas relevantes);
- nunca confundir “diversificar” com sair comprando qualquer produto “diferente”.
Lembre também: ouro pode cair ou ficar anos de lado. Ele é um seguro de cauda, não uma fábrica de renda.
Perguntas frequentes sobre ouro em ETF e cripto-ETPs
Ouro em ETF é mais seguro do que ouro físico?
Não necessariamente mais seguro, mas mais prático. Você elimina risco de guarda física, mas assume riscos de emissor, custodiantes e regulação. O risco de perda total é baixo em emissores grandes, mas existe.
Vale a pena trocar toda a reserva de emergência por ouro em ETF?
Não. Ouro em ETF oscila em preço e pode cair justamente quando você precisar do dinheiro. Reserva de emergência deve ficar em produtos estáveis, com liquidez rápida e baixo risco de mercado.
É melhor investir em ETF de ouro físico ou em ações de mineradoras?
Para hedge de carteira, em geral ETF físico é mais adequado. Mineradoras podem ser vistas como aposta em alta do metal com risco operacional extra, funcionando como complemento especulativo, não substituto.
ETPs de cripto com staking são uma forma segura de ganhar renda passiva?
São uma forma mais estruturada de acessar yield em cripto, mas continuam muito arriscados: risco de mercado, risco regulatório, risco de contraparte. Não é “renda fixa cripto”; é renda variável com potencial de perdas grandes.
Investir em ouro e cripto-ETPs protege contra inflação?
Podem ajudar como parte de uma estratégia maior, mas não existe garantia. Ouro tem histórico de preservar poder de compra no longo prazo; cripto é muito mais especulativa. Use esses ativos como ferramentas de diversificação, não como solução milagrosa.
Conclusão
O movimento recente de fluxo em ETFs mostra um padrão claro: em um mundo de juros em queda, IA dominando manchetes e riscos geopolíticos elevados, investidores voltam a olhar para ouro, prata e cripto-ETPs como formas de proteger ou diversificar suas carteiras.
Ouro e prata em ETF retomam o papel clássico de hedge de portfólio, enquanto ETPs de cripto com staking representam uma fronteira mais arriscada, unindo tecnologia Web3 e estrutura regulada de mercados europeus.
O ponto chave é entender o papel de cada peça:
- metais como amortecedor de choques;
- cripto-ETPs como aposta de alto risco e alta volatilidade.
Quem mistura tudo sem essa clareza corre o risco de achar que está comprando proteção, quando, na verdade, está só aumentando o risco da própria carteira.



