Os ETFs de inteligência artificial lideram ganhos e fluxos em 2025, com ETPs alavancados de IA entregando retornos acima de 90% no ano e tecnologia caminhando para um recorde de US$ 75 bilhões em inflows. Entenda a corrida por IA via ETF – e como evitar que sua carteira fique concentrada demais em poucas big techs.
Se você abrir qualquer lista de “destaques do ano” no mercado, um padrão salta aos olhos:
IA em todo lugar – e, principalmente, nos ETFs.
- O ETP Leverage Shares 3x Long Artificial Intelligence (GPT3) acumula cerca de +95–120% de retorno no ano, dependendo da métrica (YTD / 12 meses), surfando alavancado em um cesto de ações ligadas à IA.
- Relatórios da própria emissora destacam que ETPs alavancados de IA dominam a lista de melhores desempenhos de 2025, evidenciando a febre desse tema entre traders.
- Ao mesmo tempo, notas do Bank of America mostram que ações e fundos de tecnologia estão a caminho de um recorde de US$ 75 bilhões em inflows em 2025, mesmo com correções recentes.
A pergunta é:
até que ponto isso é oportunidade – e quando vira risco de concentração absurda em tech/IA?
O que são ETFs de inteligência artificial (e por que estão bombando em 2025)
Exposição “fast-food” à narrativa de IA
Os ETFs de inteligência artificial são fundos listados em bolsa que:
- Compram uma cesta de empresas ligadas a IA, robótica, semicondutores, data centers, cloud, big data etc.;
- Permitem ao investidor comprar um único ticker e, com isso, pegar exposição a toda a narrativa de IA, sem escolher ação a ação.
Relatórios de emissores mostram três grandes grupos de ETFs de IA:
- Temáticos puros de IA/GenAI
- Semicondutores e hardware para IA
- Robótica, automação e big data
Com a explosão de interesse em IA generativa (modelo ChatGPT-like, copilots, automação de tarefas), esses fundos:
- Viraram “atalho” para o varejo pegar a tendência;
- Ganharam espaço em carteiras institucionais como aposta tática em crescimento secular.
ETPs alavancados de IA: performance monstra, risco idem
Dentro desse universo, os ETPs alavancados chamam mais atenção ainda:
- O 3x Long Artificial Intelligence ETP exibe retorno YTD próximo de +96% e ganhos de mais de +80% em 12 meses, segundo dados de páginas de emissor, Yahoo Finance e FT.
- Artigos sobre “melhores AI ETFs em 2025” destacam que os produtos mais agressivos (2x, 3x) estão no topo da tabela de performance.
Isso gera duas consequências:
- FOMO violento – muita gente olha o gráfico e pensa “perdi o bonde, preciso entrar logo”.
- A impressão enganosa de que “IA só sobe”, ignorando que produtos alavancados:
- são desenhados para replicar múltiplos da variação diária, não de anos;
- sofrem com decay em ambientes voláteis;
- podem amplificar tanto o ganho quanto a perda.
Para trader curto prazo, faz sentido como instrumento tático.
Para investidor de longo prazo, é bomba-relógio se não for bem entendida.
Fluxo recorde em tech/IA: US$ 75 bi correndo para o mesmo lado
Relatórios recentes da BofA, repercutidos por Reuters e outros veículos, mostram que:
- Tech funds (ações e ETFs) receberam cerca de US$ 4,4 bilhões de entradas em apenas uma semana de novembro;
- No ano, o setor caminha para um recorde de US$ 75 bilhões em inflows;
- Isso acontece mesmo com o Nasdaq sofrendo correções, após forte rali no acumulado de 2025.
Ao mesmo tempo:
- Fundos de cripto viram saídas de mais de US$ 2,2 bilhões em uma das piores semanas já registradas, mostrando rotação de risco fora do segmento mais volátil.
Ou seja:
O mercado global está tirando risco de cripto e empilhando risco em tech/IA via ETFs.
Onde mora o risco: concentração em poucas mega caps e “dobro de tech” na carteira
O problema não é ter ETFs de inteligência artificial.
O problema é não perceber o quanto de tech/IA você já tem sem saber.
Cenário típico:
- Você tem um ETF de índice amplo (S&P 500, Nasdaq, MSCI World);
- Esses índices já são pesados em big techs (Nvidia, Microsoft, Alphabet, Meta, etc.);
- Aí você adiciona:
- 2 ETFs setoriais de tecnologia;
- 1 ETF de semicondutores;
- 1 ETF temático de IA.
No fim:
- 50–70% da sua exposição em ações globais está na mesma meia dúzia de empresas;
- Um choque de valuation em IA/semis derruba toda a sua carteira de uma vez.
Relatórios de risco de bancos centrais (como o BCE) já começam a apontar a “superconcentração em big tech/IA” como vulnerabilidade estrutural: valuations altos, fluxo monodirecional e dependência de poucas empresas para sustentar índices inteiros.
Como usar ETFs de IA sem virar refém da narrativa
1. Trate IA como satélite, não como núcleo da carteira
Núcleo:
- Índices amplos (Brasil, EUA, global);
- Exposição diversificada a vários setores e países.
Satélites:
- ETFs de inteligência artificial;
- Outros temáticos (cripto, energia limpa, saúde, etc.).
Defina um teto para temáticas de alto crescimento (por exemplo, 5–15% da carteira), de acordo com seu perfil de risco.
2. Separe “investimento em IA” de “trade alavancado em IA”
- ETFs tradicionais de IA → podem entrar num racional de médio/longo prazo (sempre com gestão de risco).
- ETPs 2x/3x → produto de trade, janela curta, stop definido.
Se você não tem experiência em trading alavancado, é mais honesto consigo mesmo:
Melhor ficar nos não alavancados e focar em construção de patrimônio, não em adrenalina.
3. Revisa periodicamente a concentração em tecnologia
Pelo menos 1–2 vezes ao ano:
- Some o peso de tech/IA em todos os seus ETFs e ações;
- Compare com o que você considera razoável para seu perfil.
Se descobrir que quase tudo depende do humor em IA, talvez seja hora de:
- realizar lucro em alguns temáticos;
- reequilibrar para outros setores/regiões;
- manter IA como tese, mas sem dominar tudo.
FAQ – ETFs de inteligência artificial (para rich snippet)
1. Vale a pena investir em ETFs de inteligência artificial em 2025?
Pode valer como parte de uma carteira diversificada:
- Dá exposição a um tema estrutural de crescimento;
- Reduz o risco de errar feio escolhendo uma ação só.
Mas é um setor volátil, cíclico e com risco de euforia.
Não é investimento “seguro” nem garantia de lucro.
2. ETFs alavancados de IA são bons para longo prazo?
Geralmente não.
- Eles foram desenhados para replicar múltiplos da variação diária;
- Em períodos longos, o efeito de alavancagem e volatilidade pode distorcer o retorno final;
Fazem mais sentido, se fizer, para operações táticas de curto prazo, não como posição estrutural.
3. Como sei se estou concentrado demais em tecnologia e IA?
- Some o peso de tech/IA nos seus índices amplos + setoriais + temáticos + ações individuais;
- Compare com o tamanho total da carteira.
Se a maior parte do patrimônio em ações está, direta ou indiretamente, nas mesmas big techs, você está superconcentrado.
4. IA está em bolha?
Não dá pra cravar.
Mas:
- Tech caminha para recorde de US$ 75 bi em inflows em 2025;
- Várias métricas de valuation estão esticadas;
- Bancos centrais e casas de research já falam em risco de correção.
Isso não invalida a tese de longo prazo, mas reforça a importância de gestão de risco.
Conclusão: cavalgar a onda de IA sem se afogar nela
O cenário de 2025 é claro:
- ETFs de inteligência artificial estão entre os produtos mais desejados do mercado;
- ETPs de IA lideram rankings de performance;
- Fluxos em tech/IA batem recordes e redesenham carteiras no mundo todo.
Isso abre espaço para oportunidades reais – mas também para erros grandes, especialmente quando:
- você usa alavancagem sem entender;
- ou deixa sua carteira inteira refém do mesmo grupo de empresas.



