Ativos em ETFs ativos bateram US$ 1,82 trilhão e acumulam mais de US$ 523 bilhões em entradas em 2025. Entenda por que o dinheiro está migrando dos fundos tradicionais para a gestão ativa no formato ETF, vantagens, riscos e como isso muda sua carteira.
Em 2025, algo que há alguns anos era “nicho de gringo sofisticado” virou mainstream:
os ETFs ativos deixaram de ser experimentos e se tornaram protagonistas na indústria global.
Dados da ETFGI mostram que, em outubro de 2025:
- os ETFs ativos chegaram a US$ 1,82 trilhão em ativos sob gestão,
- com US$ 523,5 bilhões de entradas no ano,
- e 67 meses consecutivos de fluxo líquido positivo.
Enquanto isso, a indústria de ETFs como um todo bateu US$ 19,25 trilhões em ativos e recorde de US$ 1,82 trilhão de inflows no ano, reforçando que o ETF virou veículo padrão para muita gente – varejo e institucional.
Na prática, o que está acontecendo é:
o investidor não está necessariamente abandonando a gestão ativa,
ele está trocando fundo tradicional por gestão ativa dentro de ETF.
Neste artigo, vamos explicar:
- por que os ETFs ativos em 2025 explodiram em tamanho;
- como eles se comparam a fundos clássicos em custo, transparência, liquidez e tributação;
- o que isso muda na montagem de carteira para varejo e institucional;
- e quais riscos você precisa olhar antes de sair migrando tudo.
1. O boom dos ETFs ativos em números
1.1 De “coisa exótica” a US$ 1,82 trilhão em ativos
Segundo relatório da ETFGI (nov/2025):
- ativos em ETFs ativos globais subiram de US$ 1,17 tri no fim de 2024 para US$ 1,82 tri em outubro de 2025;
- isso é um crescimento de 55,2% em menos de um ano;
- as entradas líquidas somam US$ 523,5 bilhões em 2025, mais que o dobro de 2024 inteiro;
- a indústria acumula 67 meses seguidos de inflows.
Equity e renda fixa puxam a fila:
- ETFs ativos de ações captaram US$ 41,5 bi em outubro e US$ 298 bi no ano;
- ETFs ativos de renda fixa captaram US$ 28 bi no mês e US$ 196,7 bi no ano.
Ou seja: não é um fenômeno só de um país ou de um tipo de ativo – é uma tendência global.
1.2 Ao mesmo tempo, fundo tradicional perde apelo
Relatórios da Morningstar mostram o quadro de fundo:
- em mercados como o canadense, ETFs ativos receberam ~CAD 150 bi em fluxos na última década, enquanto fundos ativos tradicionais tiveram saídas líquidas, mesmo ainda sendo maiores em patrimônio.
- globalmente, gestores vêm sofrendo com saídas de fundos clássicos e migração para ETFs, inclusive em casas consagradas que outrora dominavam o jogo.
Isso consolida uma mudança estrutural:
o investidor continua buscando gestão ativa,
mas prefere consumi-la via ETF – mais barato, mais transparente e com liquidez intraday.
2. O que é, exatamente, um ETF ativo?
2.1 Diferença básica: passivo x ativo
- ETF passivo: replica um índice (S&P 500, Ibovespa, Nasdaq 100, etc.). O objetivo é acompanhar a referência com custo e tracking error baixos.
- ETF ativo: tem um gestor ou time tomando decisões – escolhendo ativos, setores, duração de carteira, fatores de risco –, com liberdade para se desviar do índice em busca de alfa.
O formato é o mesmo:
- cotas negociadas em bolsa,
- marcação a mercado o dia todo,
- possibilidade de comprar/vender intraday.
O que muda é a estratégia por trás.
2.2 Por que esse formato agrada tanto gestor quanto investidor
Para o gestor, o ETF ativo:
- dá acesso a uma plataforma escalável (bolsa) sem ter que montar estrutura de distribuição de varejo tradicional;
- permite entrar em canais onde o ETF já é “moeda forte”: plataformas digitais, corretoras de baixo custo, contas de consolidadoras.
Para o investidor:
- combina a possibilidade de alfa da gestão ativa
- com características típicas de ETF: custo em geral mais baixo, trading fácil, menor burocracia.
3. ETFs ativos x fundos tradicionais: 4 diferenças que explicam a migração
3.1 Custo: taxas menores e guerra de preços
Em muitos mercados (EUA, Canadá, Europa):
- ETFs ativos cobram taxas menores do que fundos equivalentes de prateleira – isso aparece em vários relatórios comparando TER (taxa total de despesas).
- como o produto é listado, há pressão competitiva constante:
- um ETF ativo muito caro é facilmente comparado a outro similar mais barato;
- plataformas destacam custos lado a lado.
Para o investidor, isso impacta diretamente o longo prazo:
em 10, 15, 20 anos,
diferença de 0,5% ou 1% ao ano de taxa de administração pode virar vários pontos percentuais de retorno acumulado.
Claro: ETF também tem custo de corretagem/spread na compra e venda, dependendo da corretora. Mas, com corretagem zero e alta liquidez, isso tende a pesar menos.
3.2 Transparência: posição mais clara e marcação em tempo real
Fundos tradicionais, em muitos países:
- divulgam carteira só mensalmente ou com defasagem,
- alguns não mostram posição completa, só top holdings.
Já muitos ETFs ativos:
- divulgam posições com mais frequência (alguns praticamente em near real-time, outros com defasagem pequena, dependendo da regulação local);
- têm preço de tela o dia todo – você vê o valor de mercado em tempo real.
Essa transparência agrada:
- o investidor que quer entender melhor o que está comprando;
- o institucional que precisa monitorar risco de forma granular.
3.3 Liquidez: entrar e sair de forma mais flexível
Fundos tradicionais:
- você aplica/resgata pelo valor de fechamento do dia (cota D+0, D+1 etc);
- em casos extremos, podem ter gates, prazos de carência ou fechamento para resgate.
ETFs ativos:
- negociam na bolsa durante todo o pregão;
- permitem ajustar posição intraday (parcial ou total);
- têm mecanismo de criação/remoção de cotas com APs (authorized participants), que ajuda a controlar o prêmio/desconto em relação ao valor patrimonial.
Na prática:
se o investidor quer rebalancear, reduzir risco ou aproveitar uma janela de preço,
ele consegue fazer isso de forma mais tática via ETF.
Por outro lado, em ETFs menos líquidos o spread pode ser alto – é um ponto de atenção na hora de escolher produto.
3.4 Tributação: eficiência potencial (mas depende do país)
Aqui entra um ponto importante: regras mudam de país para país.
- Nos EUA, a estrutura de criação/remoção de cotas pode tornar o ETF mais tax-efficient que fundos abertos tradicionais, especialmente em capital gains – isso é um dos motores históricos da adoção de ETFs.
- Em outros mercados, como Canadá e parte da Europa, há benefícios similares em determinados regimes, ainda que o desenho seja diferente.
No Brasil, a tributação de ETFs tem regras próprias e ainda há espaço de evolução em ETFs ativos locais. Por isso:
sempre vale falar com contador/assessor para entender como o ETF se encaixa na sua situação fiscal específica.
O ponto é: em vários mercados desenvolvidos, ETFs ativos entregam um pacote de eficiência tributária + custo + liquidez que fundos tradicionais não conseguem bater.
4. O que isso muda para o investidor de varejo
4.1 Mais “caixinhas inteligentes” para montar carteira
Com o boom de ETFs ativos, o investidor de varejo ganhou acesso a:
- estratégias de renda fixa ativa (duration dinâmica, crédito corporativo selecionado, táticas macro);
- abordagens de ações ativas com foco em qualidade, valor, crescimento, fatores ou setores específicos;
- produtos temáticos (IA, clima, saúde, dividendos globais) com gestão ativa de seleção e não apenas réplica de índice.
Antes, muita coisa desse tipo só existia em:
- fundos caros,
- com ticket mínimo alto,
- distribuídos em canais fechados.
Hoje, a mesma lógica aparece dentro de um ticker negociado em bolsa, muitas vezes com valor mínimo de entrada bem menor.
4.2 Menos “fundão genérico”, mais blend de ETFs
Outra mudança é no design de carteira:
- em vez de ter 4, 5 fundos amplos (multimercado, ações BR, ações global, crédito, etc.),
- muitos investidores começam a montar blends de ETFs:
- ETF passivo amplo de ações + ETF ativo temático de IA;
- ETF passivo de renda fixa global + ETF ativo focado em high yield;
- e assim por diante.
Isso pode ser positivo – mais granularidade e controle –
mas exige responsabilidade:
- entender correlações;
- evitar sobreposição excessiva;
- não transformar a carteira num Frankenstein com 15 ETFs que fazem quase a mesma coisa.
5. E para o institucional? Pressão por taxa, performance e estrutura
5.1 Gestoras sendo forçadas a repensar produto
Com ETFs ativos ganhando terreno:
- gestoras veem pressão nas taxas de administração de fundos tradicionais;
- precisam justificar por que manter um fundo caro se podem oferecer estratégia similar em ETF mais barato;
- casos emblemáticos de fundos com grande histórico de sucesso, mas sofrendo outflows relevantes, já aparecem na mídia em 2025.
A tendência é:
- consolidação de fundos pouco competitivos;
- relançamento de estratégias em formato ETF;
- maior foco em produtos realmente diferenciados, onde o cliente aceita pagar mais.
5.2 Institucional usando ETF ativo como bloco de construção
Do lado dos grandes:
- fundos de pensão, seguradoras e gestores institucionais passaram a usar ETFs ativos como building blocks para estratégias maiores;
- em vez de contratar mandato segregado, às vezes faz sentido usar um ETF ativo com boa liquidez e histórico robusto.
Isso aumenta ainda mais a liquidez e a relevância do formato.
6. Riscos e pontos de atenção: nem todo ETF ativo é “santo graal”
Antes de sair desmontando todos os fundos da carteira, vale lembrar:
- ETF ativo continua sendo gestão ativa: pode errar, underperformar e ter períodos ruins;
- existem ETFs ativos com estratégias complexas, uso de derivativos, concentração temática extrema;
- liquidez de alguns tickers ainda é limitada – spreads largos podem encarecer a entrada/saída;
- o fato de ser ETF não significa automaticamente governança perfeita: é fundamental olhar gestora, histórico, tamanho do fundo e documentação.
E, claro:
performance passada não garante resultado futuro –
principalmente num produto que assume risco ativo para buscar alfa.
FAQ – ETFs ativos em 2025 e a migração dos fundos tradicionais
1. ETF ativo é melhor que fundo tradicional?
Depende.
- ETF ativo tende a ser mais competitivo em custo, transparência e liquidez, principalmente em mercados desenvolvidos;
- mas há fundos tradicionais com histórico excelente e propostas que ainda fazem sentido.
A pergunta não é “ETF bom, fundo ruim”,
e sim: qual veículo entrega melhor custo-benefício para a estratégia que você quer.
2. ETFs ativos são mais arriscados que ETFs passivos?
Não necessariamente, mas o risco é diferente:
- ETF passivo “pega o risco do índice”;
- ETF ativo assume risco de gestão (desviar do índice) – que pode ser bom ou ruim.
Se o gestor erra a mão ou o tema sai de moda, o ETF ativo pode performar pior que a referência.
3. Vale a pena trocar todos os meus fundos por ETFs ativos?
Trocar “tudo por uma categoria só” raramente é boa ideia.
- ETFs ativos podem ser ótimos complementos;
- faz sentido avaliar caso a caso: taxa, histórico, estratégia, liquidez.
O mais prudente é:
- ir migrando de forma gradual,
- testando produtos com parcimônia,
- e mantendo sempre diversificação entre gestão ativa e passiva.
4. Como escolher um ETF ativo de forma mais profissional?
Alguns filtros básicos:
- gestora: reputação, tamanho, histórico em outras estratégias;
- ativo sob gestão (AUM): muito pequeno pode ter risco de liquidez;
- liquidez em bolsa: volume médio diário e spread;
- mandato: entender exatamente o que o fundo faz (não só o nome);
- histórico de risco/retorno: drawdown, volatilidade, consistência.
Se você não tem tempo ou conhecimento pra isso,
considerar o apoio de um assessor ou planejador financeiro faz sentido.
5. ETF ativo é menos tributado que fundo tradicional no Brasil?
A resposta depende do tipo de fundo, da sua situação pessoal e de mudanças de regra.
- Há diferenças de alíquotas, come-cotas, prazo de resgate e enquadramento;
- mudanças tributárias recentes podem alterar a comparação.
Por isso, o melhor é:
- olhar caso a caso,
- checar material da corretora
- e, se possível, conversar com um contador ou planejador.
Conclusão: o investidor não abandonou a gestão ativa – ele só mudou o “veículo”
O recado de 2025 é bem claro:
- ativos em ETFs ativos bateram US$ 1,82 trilhão;
- as entradas no ano passaram de US$ 523 bilhões, com 67 meses seguidos de fluxo positivo;
- ao mesmo tempo, vários fundos tradicionais sofrem saídas e pressão de taxas.
Ou seja:
o mercado não desistiu de tentar gerar alfa.
Ele só está preferindo fazer isso via ETF, e não via fundo caro e pouco transparente.
Para você, investidor, as mensagens principais são:
- ETFs ativos são uma ferramenta poderosa, mas não mágica;
- fazem sentido como parte da carteira, não como aposta única;
- gestão de risco, diversificação e visão de longo prazo continuam sendo o que realmente importa.



