Covered call ETFs e buffer/defined outcome ETFs cresceram forte. Entenda como funcionam, limites de retorno e riscos sem ilusão de renda fácil.
Quando o mercado entra em fase de juros e volatilidade mais “sentidos” no dia a dia, o investidor corre para duas palavras: renda e proteção. Em 2025, isso apareceu com força em duas famílias de ETF que usam opções para moldar retorno: covered call ETFs e defined outcome/buffer ETFs.
No primeiro caso, a Reuters reportou que fundos de “derivative income” (principalmente covered call) atraíram US$ 31,5 bilhões no primeiro semestre de 2025, com ativos chegando a US$ 145 bilhões (recordes no recorte citado).
No segundo, o movimento de consolidação ganhou manchetes: a Goldman Sachs anunciou acordo para adquirir a Innovator, pioneira em defined outcome ETFs, citando US$ 28 bilhões em “assets under supervision” e um portfólio amplo de ETFs de resultado definido.
No próximo tópico você vai ver como covered call entrega “renda” e onde ela falha. Depois, como buffer/defined outcome cria faixas e por que isso exige mais disciplina do que parece.
Covered call ETFs: como geram renda e por que limitam alta
Covered call, no básico:
- você tem a carteira (ex.: ações)
- vende calls contra a posição
- recebe prêmio (renda)
- em troca, entrega parte do upside acima de certo nível
O que faz a estratégia funcionar
- volatilidade implícita elevada (prêmio maior)
- mercado lateral/alta moderada
- disciplina de rolagem
O custo real
A “renda” não é grátis:
- em altas fortes, você tende a ficar para trás por causa do teto
- em quedas, o prêmio amortiza, mas não impede perdas relevantes
- pode haver “ilusão de estabilidade” quando o investidor foca no pagamento e ignora risco
O crescimento em 2025 mostra apetite, mas não elimina o risco: a estratégia continua exposta a perda de capital.
Buffer e defined outcome ETFs: proteção por faixa, não por promessa
Defined outcome/buffer ETFs costumam:
- usar opções para definir uma “janela” (período)
- estabelecer um buffer contra quedas até certo limite
- e, muitas vezes, um cap de alta (teto) em troca do buffer
Por que virou mainstream
O investidor quer:
- saber “quanto pode perder” em cenários moderados
- aceitar limites de alta em troca de previsibilidade parcial
- ter um produto “explicável” para alocação tática
O anúncio da aquisição da Innovator pela Goldman reforça que a demanda não é nicho; virou segmento estratégico na indústria.
Onde as pessoas erram
Antes de decidir, entenda:
- o resultado depende do período e do ponto de entrada
- cap e buffer variam por série
- se você entra no meio do ciclo, o “payoff” pode mudar
Como escolher entre “renda via opções” e “proteção por faixa”
Perguntas objetivas:
- Você aceita limitar alta? Quanto?
- Você entende que o buffer tem limites e horizonte?
- Seu objetivo é fluxo de caixa ou controle de drawdown?
- Você consegue manter posição sem overtrading?
Seção de FAQ
Covered call ETF é renda garantida?
Não. O prêmio de opções varia, e o fundo pode perder capital; além disso há custo de limitar alta.
Por que covered call ETFs cresceram em 2025?
Houve forte busca por renda, e dados reportados apontaram entradas recordes no 1º semestre e ativos em patamar elevado.
O que é um buffer/defined outcome ETF?
ETF que usa opções para criar faixas de proteção e/ou teto de alta em um período definido.
Por que a compra da Innovator chamou atenção?
Porque reforça a institucionalização do segmento: o acordo divulgado cita escala relevante em defined outcome ETFs.
Vale a pena para iniciante?
Depende do objetivo e da compreensão do payoff. Se você não entende cap/buffer e horizonte, o risco de frustração e decisão errada é alto.
Conclusão
Covered call e buffer ETFs são respostas sofisticadas para uma demanda emocional: renda e proteção. Só que sofisticação não elimina risco ela reorganiza o risco. E 2025 deixou claro que esses produtos entraram no centro do mercado.



