ETFs de renda fixa em 2025: por que os bond ETFs voltaram a ser protagonistas (e o que fazer com TLT e cia.)

Em 2025, os ETFs de renda fixa voltaram ao centro das carteiras, com fluxos recordes em bond ETFs enquanto grandes casas, como a BlackRock, ficam underweight em Treasuries longos. Entenda o que isso significa para TLT e similares – e como ajustar sua estratégia.


Depois de alguns anos em que tudo parecia girar em torno de ações de tecnologia e cripto, 2025 trouxe uma mudança clara de foco: ETFs de renda fixa (bond ETFs) voltaram a ser protagonistas.

Alguns números ajudam a entender:

  • na Europa, ETFs domiciliados lá captaram US$ 45,6 bilhões em outubro, sendo US$ 17,6 bilhões só em bond ETFs, o maior valor mensal do ano para renda fixa.
  • nos EUA, relatórios de monitoramento de ETFs ativos indicam que cerca de 37% dos fluxos de ETFs ativos em 2025 foram para renda fixa, com destaque para Treasuries e crédito corporativo.

Ao mesmo tempo, o maior gestor de ativos do mundo, a BlackRock, acaba de rebaixar Treasuries longos para underweight, citando:

  • necessidade de financiamento da onda de investimentos em inteligência artificial,
  • e dívida pública dos EUA acima de US$ 38 trilhões, o que tende a manter pressão de alta nos juros de longo prazo.

Isso mexe diretamente com ETFs como TLT e pares globais que replicam Treasuries longos.

Neste artigo, vamos ver:

  • por que os bond ETFs estão em alta em 2025;
  • o que significa esse call underweight em Treasuries longos;
  • e como um investidor brasileiro pode usar ETFs de renda fixa a favor – sem cair em armadilhas de duração e timing de juros.

1. Bond ETFs em alta: a volta da renda fixa ao centro da carteira

1.1 Europa: recorde de entradas em bond ETFs

Em outubro de 2025, o mercado europeu de ETFs teve um mês histórico:

  • US$ 45,6 bilhões de entradas líquidas em ETFs domiciliados na Europa;
  • desse total, US$ 17,6 bilhões foram para ETFs de renda fixa, o maior número mensal do ano.

Ou seja, quase 40% de tudo que entrou em ETFs europeus naquele mês foi para bond ETFs – algo bem diferente da narrativa “só tech e IA importam”.

A distribuição mostra:

  • procura forte por títulos soberanos (principalmente euro e dólar);
  • aumento em corporate bond ETFs, inclusive grau de investimento;
  • fluxo consistente de investidores buscando renda + proteção depois de um período de muita volatilidade em ações.

1.2 EUA: renda fixa ganhando peso nos fluxos de ETFs ativos

Nos Estados Unidos, o movimento é parecido quando olhamos para o universo de ETFs ativos:

  • o monitor da J.P. Morgan mostra que, em outubro, cerca de 37% dos fluxos de ETFs ativos foram para renda fixa, com destaque para Treasuries e crédito corporativo.
  • relatórios da BlackRock apontam que ETFs de renda fixa ativos já capturaram mais de US$ 100 bilhões em 2025, algo como 40% de todos os fluxos em ETFs de renda fixa no ano.

Tradução:

o investidor global não está só comprando bolsa –
ele está reconstruindo a parte de renda fixa da carteira,
e usando ETFs como ferramenta principal.

Isso faz sentido num cenário em que:

  • juros saíram de zero e agora pagam algo relevante;
  • muita gente quer “travar” taxas atuais com algum conforto;
  • e ETFs oferecem liquidez + diversificação + simplicidade operacional.

2. Por que os ETFs de renda fixa voltaram a atrair tanta atenção

2.1 Renda + proteção em um mundo ainda volátil

Depois de:

  • pandemia,
  • choque inflacionário,
  • ciclos agressivos de alta de juros,
  • volatilidade enorme em ações e cripto,

muitos investidores perceberam que não dá pra viver só de risco.

Os ETFs de renda fixa voltam a ser atraentes porque:

  1. Pagam um cupom interessante
    • com juros mais altos, você consegue carregar o risco com retorno de carry mais robusto, sem precisar buscar só ganho de preço.
  2. Reduzem volatilidade da carteira
    • mesmo com oscilações de preço, a renda fixa tende a ter volatilidade menor que ações e cripto, especialmente em prazos mais curtos.
  3. Facilitam diversificação
    • com um único ETF, dá pra acessar:
      • dezenas ou centenas de títulos,
      • emissores diferentes,
      • prazos variados,
      • e geografia diversificada.
  4. Formato ETF é prático
    • negociação em bolsa;
    • custo transparente;
    • fácil de combinar com outros ETFs (equity, cripto, smart beta, etc.).

2.2 Crescimento dos bond ETFs ativos

Outro ponto relevante em 2025:

  • ETFs de renda fixa ativos ganharam bastante espaço, com mais de US$ 100 bilhões de fluxos no ano, o equivalente a cerca de 40% de tudo que entrou em ETFs de renda fixa.

Por quê?

Porque num ambiente de:

  • curva de juros distorcida,
  • cenários macro incertos,
  • diferenças grandes entre títulos, setores e países,

muita gente prefere deixar um gestor ativo escolher quais bonds entrarão na carteira, usando ETF só como wrapper.


3. Treasuries longos na berlinda: o call “underweight” da BlackRock e o impacto em TLT

3.1 O que a BlackRock está dizendo sobre Treasuries longos

Em relatório recente, o BlackRock Investment Institute mudou sua visão para Treasuries de longo prazo:

  • de neutro para underweight, tanto no horizonte tático quanto estratégico;
  • o argumento central é que a combinação de:
    • dívida pública dos EUA acima de US$ 38 trilhões,
    • necessidade de financiar a onda de investimentos em inteligência artificial (infraestrutura, data centers, energia, chips),
    • e aumento potencial de endividamento corporativo,
    tende a manter pressão de alta nas taxas longas e exigir prêmio maior pra segurar esses títulos.

Em outras palavras:

na visão da BlackRock,
o investidor não está sendo suficientemente compensado
para carregar hoje Treasuries longos com tanto risco de juros e de dívida no sistema.


3.2 Onde entra o TLT nessa história

O TLT (iShares 20+ Year Treasury Bond ETF) é provavelmente o ETF de Treasuries longos mais famoso do mundo:

  • ele replica títulos do governo americano com vencimento superior a 20 anos;
  • isso significa duração muito alta – o preço é extremamente sensível a variações na taxa de juros de longo prazo.

Se:

  • juros longos sobem,
  • TLT cai (às vezes bastante).

O call underweight da BlackRock em Treasuries longos implica, na prática:

  • preferência por bonds de prazo mais curto/médio,
  • e menor alocação em ETFs como TLT e seus equivalentes globais,
  • justamente porque a casa acha que o risco x retorno nessa ponta longa da curva não está tão atrativo agora.

Isso não quer dizer que TLT “vai necessariamente cair” –
mas indica que, na visão deles, exposição grande demais a longos pode ser perigosa se a história de juros longos em alta continuar.


3.3 O que isso significa para o investidor pessoa física

Se você investe (ou pensa em investir) em ETFs como TLT, vale ter clareza de alguns pontos:

  1. Duração é risco de preço
    • quanto mais longo o prazo médio dos títulos, mais o ETF sofre quando a taxa sobe;
    • Treasuries longos podem cair forte em janelas curtas, mesmo sendo “título do governo”.
  2. Renda fixa não é sinônimo de estabilidade diária
    • o cupom é previsível, mas o preço de tela não;
    • ETFs longos podem ser quase tão voláteis quanto ações em determinados períodos.
  3. Exposição concentrada em um único vértice de curva é arriscada
    • ter tudo em TLT ou equivalente é apostar forte em queda de juros longos;
    • se o cenário for de juros persistentemente altos, a dor pode ser longa.

Por isso, a leitura mais sensata do call da BlackRock não é “fuja da renda fixa”,
mas sim:

“cuidado com a ponta muito longa da curva;
faça gestão ativa de duração.”


4. Como usar ETFs de renda fixa em 2025 de forma mais estratégica

4.1 Pensar em blocos de duração (curto, médio, longo)

Uma forma prática de usar ETFs de renda fixa é dividir a exposição em blocos:

  • Curto prazo (1–3 anos)
    • menor sensibilidade a juros;
    • volatilidade baixa;
    • serve como “colchão” e reserva tática.
  • Médio prazo (3–7/10 anos)
    • equilíbrio entre rendimento e risco de preço;
    • costuma ser o “coração” da renda fixa em muitas carteiras institucionais.
  • Longo prazo (10–20+ anos)
    • maior sensibilidade a juros;
    • pode ser interessante em cenários de queda forte de juros ou para estratégias mais específicas (ex.: hedge de ações, apostas macro).

Você não precisa zerar totalmente a parte longa, mas, em 2025, faz sentido:

  • não superconcentrar só em longos;
  • avaliar se a maior parte da carteira de renda fixa não deveria estar em curto + médio, principalmente num mundo ainda incerto sobre inflação, dívida e AI.

4.2 Diversificar risco: governo, crédito e geografia

Além da duração, vale pensar em:

  • tipo de emissor
    • soberano (Tesouro),
    • corporativo grau de investimento,
    • eventualmente um pedaço em high yield (se fizer sentido para o perfil, sempre como pequena fatia).
  • geografia
    • Treasuries dos EUA;
    • bonds europeus;
    • alguns mercados emergentes em USD, que a própria BlackRock vê com bom custo-benefício em 2025.

Para um brasileiro investindo fora, isso geralmente significa montar:

  • um “núcleo” em ETFs de Treasuries de prazo curto/médio,
  • uma camada em corporate bonds de qualidade,
  • e, se fizer sentido, uma fatia menor em estratégias ativas de bond ETFs que escolhem onde alocar.

Sempre com a consciência de que:

  • não existe renda fixa sem risco;
  • o objetivo é equilibrar a carteira, não virar “all in” em nenhum vértice ou emissor.

FAQ – Bond ETFs, Treasuries longos e TLT em 2025

1. Por que os ETFs de renda fixa estão em alta em 2025?

Porque:

  • juros estão mais altos do que nos anos de “juros zero”;
  • investidores voltaram a valorizar renda recorrente + proteção;
  • europeus e americanos aumentaram forte a alocação em bond ETFs – só em outubro, a Europa viu US$ 17,6 bi em inflows em bond ETFs, dentro de um total de US$ 45,6 bi em ETFs.

2. O que significa a BlackRock estar underweight em Treasuries longos?

Significa que, na visão da BlackRock:

  • o retorno esperado dos Treasuries de prazo longo não compensa o risco atual;
  • a combinação de dívida pública muito alta e necessidade de financiamento da onda de AI pode manter os juros longos pressionados, o que pesa no preço dos títulos.

Na prática, eles preferem:

  • bonds mais curtos
  • e algumas oportunidades em emergentes, em vez de carregar muita exposição em longuíssimos.

3. Isso quer dizer que eu devo vender TLT imediatamente?

Não existe resposta única.

Perguntas que você precisa se fazer:

  • qual é o peso de TLT (ou equivalentes) na sua carteira?
  • você entende que esse tipo de ETF pode ter quedas fortes se os juros longos subirem?
  • sua tese para TLT é proteção no caso de um choque de crescimento/queda de juros – ou você comprou só porque “parecia seguro”?

O call da BlackRock é um alerta sobre risco de duração, não um “oráculo” infalível.


4. ETFs de renda fixa são mais seguros do que fundos de renda fixa tradicionais?

Eles são diferentes, não automaticamente “mais seguros”.

Vantagens dos ETFs de renda fixa:

  • transparência diária de preço;
  • negociação em bolsa;
  • geralmente custos competitivos.

Mas:

  • a marcação a mercado é direta: você vê a volatilidade na tela todos os dias;
  • alguns ETFs (como os de Treasuries longos) podem ser muito voláteis.

Segurança depende do tipo de ativo dentro do ETF e de como você encaixa isso na sua carteira.


5. Vale a pena colocar toda a parte de renda fixa em ETFs longos?

Em geral, não.

Concentrar 100% da renda fixa em Treasuries ou bonds de prazo longo é:

  • apostar pesado em queda de juros longos;
  • assumir uma volatilidade que pode não combinar com o seu perfil.

Estratégias mais equilibradas costumam combinar curto, médio e longo prazo, com pesos diferentes conforme objetivo e tolerância a risco.


Conclusão: renda fixa voltou ao jogo – mas a “duração errada” ainda pode doer

A sua Dupla 3 resume muito bem o cenário de 2025:

  • Tema 1 – bond ETFs em alta:
    • fluxo recorde em ETFs de renda fixa, especialmente na Europa, com US$ 17,6 bi entrando em bond ETFs em outubro;
    • aumento da participação de ETFs de renda fixa ativos, que já capturaram mais de US$ 100 bi no ano.
  • Tema 2 – Treasuries longos na berlinda:
    • BlackRock underweight em Treasuries longos, por causa da combinação AI + dívida pública de US$ 38 tri;
    • preocupação clara com o risco de juros longos mais altos por mais tempo, o que impacta diretamente ETFs como TLT.

Para você, investidor brasileiro que olha lá pra fora, o recado é:

  • ETFs de renda fixa voltaram a ser peça central de carteiras globais;
  • faz sentido aproveitar esse momento – mas com gestão de duração, diversificação e consciência de risco;
  • concentrar demais só em Treasuries longos pode ser perigoso em 2025, mesmo que a marca seja “Tesouro dos EUA”.

Renda fixa continua sendo renda fixa –
mas, em ETF e na ponta longa da curva, ela pode balançar mais do que muita ação.

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