Em 2025, os ETFs ativos passam de nicho a protagonistas, com cerca de US$ 1,82 trilhão em ativos e mais de US$ 500 bilhões em entradas no ano, enquanto o varejo turbina os fluxos e aumenta a volatilidade intraday. Entenda o que está por trás desse movimento.
Se há alguns anos ETF era sinônimo de “fundo passivo baratinho que replica índice”, 2025 está mostrando outra realidade:
- os ETFs ativos bateram cerca de US$ 1,82 trilhão em ativos em outubro de 2025, com US$ 523 bilhões em fluxos líquidos no ano, recorde histórico para essa categoria;
- ao mesmo tempo, os ETFs como um todo já passaram de US$ 1,1 trilhão em entradas só em 2025, superando o recorde do ano anterior e consolidando o veículo como principal “cano de fluxo” do mercado.
Dentro desse movimento, um personagem ganha peso:
o investidor de varejo, que hoje responde por algo entre 20% e 35% do volume diário de ações em mercados desenvolvidos, chegando a mais de 30% em certos momentos, segundo dados de WEF, MEMX e outros estudos de fluxo.
E ele está usando cada vez mais ETFs como “arma preferida” para entrar e sair de temas como:
- inteligência artificial,
- cripto,
- energia,
- e geopolitica.
Neste artigo, vamos ver:
- por que ETFs ativos em 2025 deixaram de ser nicho;
- como o varejo está turbinando os fluxos e deixando o intraday mais nervoso;
- e o que isso significa pra você, investidor brasileiro que acompanha (ou quer acompanhar) esse movimento.
1. De produto de nicho a protagonista: o boom dos ETFs ativos em 2025
1.1 Números que explicam o momento
Pesquisas recentes mostram que:
- os ETFs ativos chegaram a cerca de US$ 1,82 trilhão em ativos em outubro de 2025, subindo mais de 55% em relação ao fim de 2024;
- só em 2025, esses produtos captaram mais de US$ 523 bilhões de entradas líquidas, superando com folga os US$ 287 bilhões de 2024 e os US$ 132 bilhões de 2023;
- a indústria acumula mais de 60 meses seguidos de fluxos positivos em ETFs ativos, sem um único mês de resgate líquido agregado.
Em paralelo, o mercado de ETFs como um todo:
- já soma US$ 18,8 trilhões em ativos globalmente, segundo a ETFGI;
- ultrapassou US$ 1,16 trilhão em entradas em 2025 nos EUA, o maior valor anual da história, com ETFs de ações, renda fixa e temáticos puxando a fila.
Ou seja:
hoje não é exagero dizer que o veículo ETF virou o padrão da indústria, e a gestão ativa dentro desse veículo deixou de ser exceção.
1.2 Por que o dinheiro está migrando dos fundos tradicionais para ETFs ativos?
Alguns motivos estruturais explicam essa migração:
- Mesma gestão, embalagem mais eficiente
Vários gestores estão convertendo fundos tradicionais em ETFs ativos ou lançando produtos-espelho em formato ETF. O investidor recebe a mesma tese, mas com:- custos menores (taxas e sobretaxas de distribuição tendem a cair);
- mais liquidez intraday;
- e, muitas vezes, transparência maior de carteira.
- Vantagens fiscais e operacionais (lá fora)
Em mercados como EUA, ETFs têm tratamento fiscal mais eficiente e menos impacto de giro na base de cotistas do que fundos abertos tradicionais, o que incentiva alocadores institucionais e varejo sofisticado a preferir o veículo. - Busca por “algo além do beta” num mundo mais volátil
Depois de anos de juros altos e rotação setorial acelerada, parte dos investidores quer:- capturar temas específicos (AI, chips, energia limpa, quality, value);
- com alguém tomando decisões ativas sobre risco, rotação e seleção de ativos.
- Pressão competitiva
Com ETFs passivos ultra-baratos dominando o “core” da carteira, muitos gestores só conseguem justificar sua existência se entregarem algo realmente diferente, e o veículo ETF ativo virou a forma de fazer isso de forma escalável.
1.3 E o investidor brasileiro com isso?
Mesmo que boa parte desses números seja de EUA/Europa, o brasileiro ligado em investimentos:
- usa BDRs de ETFs,
- tem conta em corretoras globais,
- e consome conteúdo internacional o tempo todo.
Na prática:
- você vai ver cada vez mais ETFs ativos lá fora sendo empurrados como solução completa;
- e, aos poucos, versões locais ou espelhadas chegando ao Brasil, seja via BDR, seja via estruturas adaptadas.
Entender a lógica de por que o mundo está migrando para ETFs ativos em 2025 é antecipar o discurso de venda que você vai ouvir por aqui nos próximos anos.
2. Varejo turbinando fluxos em ETFs, e deixando o intraday mais nervoso
2.1 O varejo voltou, e não é pouca coisa
Relatórios de fluxos e organismos internacionais apontam:
- investidores de varejo representam hoje algo entre 20% e 35% do volume diário de ações em mercados como EUA, Reino Unido e Coreia;
- análises de 2025 indicam que, em alguns momentos, esse número sobe para 30%, 37%, dependendo do ambiente de mercado;
- pesquisas específicas sobre ETFs mostram que o varejo é uma força relevante por trás dos fluxos recentes, especialmente em produtos temáticos, setoriais e de “história do momento” (AI, ouro, cripto etc.).
O Nasdaq ETF Retail Investor Survey de 2025 mostra ainda que:
- trading diário e semanal entre investidores de varejo aumentou 6% e 8% ano contra ano, respectivamente;
- quase metade da geração Z opera ETFs pelo menos uma vez por semana, com 25% operando diariamente.
Ou seja:
não é só “comprar e esquecer”, é varejo girando ETF com mentalidade quase de day trade em certos segmentos.
2.2 Como isso impacta os fluxos e a volatilidade intraday
Quando o varejo resolve agir em massa, normalmente acontece assim:
- surge um tema quente (AI, halving de Bitcoin, guerra, corte de juros do Fed);
- influenciadores, mídias sociais e plataformas destacam alguns ETFs “da moda”;
- entra uma onda de ordens via app, com foco em:
- ETFs de AI e tecnologia;
- ETFs de ouro, quando o medo aumenta;
- ETFs de cripto ou ligados ao setor, quando BTC explode ou despenca.
Isso cria três efeitos importantes:
- Fluxos concentrados em poucos ETFs “estrela”
- fundos como VOO, QQQ, GLD, AI ETFs, cripto ETFs acumulam dezenas de bilhões em entradas em poucos meses;
- esses fluxos precisam ser “traduzidos” em compras/vendas de ações e contratos futuros, mexendo em preços de forma concentrada.
- Aumento da volatilidade intraday
- quando o varejo entra forte pela manhã e some à tarde (ou vice-versa), a curva intraday de fluxo muda;
- ativos ligados ao tema do momento ficam mais sensíveis a manchete, post em rede social ou sinal de fim de tendência.
- Microestrutura mais sensível a “efeito manada”
- market makers e HFTs passam a precificar esse comportamento na largura do spread;
- em momentos de estresse, a saída simultânea de varejo via ETFs pode amplificar movimentos de queda.
Em resumo:
o ETF virou o “cavalo” que o varejo monta
para entrar e sair de temas de mercado em velocidade
e isso faz diferença no intraday, sim.
3. O que o investidor brasileiro pode aprender com essa nova fase dos ETFs
3.1 Vantagens reais dos ETFs ativos e o que não é promessa séria
Pontos fortes dos ETFs ativos:
- gestão profissional focada em bater um benchmark, controlar risco ou explorar temas específicos;
- estrutura de ETF (mesmo veículo) com negociação intraday, potencialmente menos custo e mais transparência do que fundos tradicionais;
- flexibilidade para combinar ETF passivo no core da carteira e ETF ativo em satélites táticos.
Mas cuidado com o discurso de venda:
- “ETF ativo” não é sinônimo de “garantia de outperform”;
- custo ainda importa tem ETF ativo caro que só imita índice;
- o risco de mercado continua o mesmo: se o tema der errado, o ETF cai, ativo ou passivo.
Antes de entrar, vale olhar:
- histórico do gestor (se existir);
- estratégia (é concentrada? é temática? é renda fixa ativa?);
- volatilidade esperada e horizonte de investimento.
3.2 Como não virar só mais um pedaço do fluxo nervoso de varejo
Se você quer usar ETFs ativos ou passivos, sem cair na armadilha do giro emocional:
- Defina o papel de cada ETF na carteira
- “Esse aqui é core pra longo prazo”;
- “esse outro é satélite tático de AI/cripto/tema X”.
- Evite operar ETF como se fosse bilhete de aposta
- só porque é fácil comprar e vender não significa que você precisa ficar girando toda semana;
- volatilidade intraday é para profissional com método, não para emocional sem plano.
- Use fluxo como informação, não como gatilho automático
- acompanhar grandes fluxos (inflows/outflows) ajuda a entender o humor do mercado;
- mas entrar só porque “tá entrando dinheiro” costuma ser receita pra chegar atrasado.
- Gestão de risco acima de tudo
- exposição total a ações/temas voláteis precisa conversar com seu perfil;
- ETFS ativos podem reduzir risco em relação a stock picking mal feito, mas não anulam risco de mercado.
FAQ ETFs ativos, varejo e volatilidade (para rich snippet)
1. O que são ETFs ativos e por que eles cresceram tanto em 2025?
ETFs ativos são fundos negociados em bolsa em que o gestor toma decisões ativamente (seleção de ativos, timing, alocação), em vez de apenas replicar um índice.
Em 2025, eles ultrapassaram US$ 1,82 trilhão em ativos, com mais de US$ 523 bilhões em entradas no ano, impulsionados por:
- busca por estratégias mais flexíveis em um mercado volátil;
- conversão de fundos tradicionais em ETFs;
- migração de investidores institucionais e de varejo para o veículo ETF.
2. ETFs ativos são melhores do que fundos tradicionais?
Depende.
Eles têm algumas vantagens:
- estrutura de ETF, com negociação intraday e, muitas vezes, custo menor;
- possibilidade de acesso mais fácil em corretoras globais.
Mas não existe garantia de que vão bater o benchmark ou ser melhores que fundos tradicionais. É preciso analisar:
- qualidade do gestor;
- estratégia;
- custos;
- e se o produto faz sentido dentro da sua carteira.
3. Como o investidor de varejo influencia os fluxos em ETFs?
Relatórios de 2025 mostram que investidores de varejo respondem por 20%, 35% do volume diário de ações em vários mercados e têm usado cada vez mais ETFs como veículo principal.
Isso faz com que:
- temas como AI, ouro ou cripto recebam ondas de fluxo via ETFs;
- movimentos de entrada/saída do varejo impactem preços e spreads intraday.
4. ETFs ativos deixam o mercado mais volátil?
Os ETFs ativos, por si só, não “criam” volatilidade.
Mas o uso intensivo de ETFs (ativos ou passivos) pelo varejo:
- acelera a velocidade de entrada/saída de capital em determinados setores;
- concentra fluxo em alguns nomes grandes;
- pode amplificar movimentos de curto prazo em dias de notícia forte.
Ou seja: eles podem contribuir para movimentos intraday mais nervosos, especialmente em temas quentes.
5. Vale a pena usar ETFs ativos na carteira de um investidor brasileiro?
Pode valer, sim principalmente se você:
- quer exposição a temas globais (AI, crédito global, macro) com gestão profissional;
- prefere um veículo listado (ETF) a um fundo tradicional off-shore.
Mas é fundamental:
- entender o risco de cada estratégia;
- não concentrar tudo em um único tema ou gestor;
- manter equilíbrio entre core passivo e satélites ativos.
Conclusão: ETFs ativos viraram protagonistas mas disciplina ainda manda no jogo
O recado de 2025 é claro:
- ETFs ativos deixaram de ser um cantinho exótico da prateleira e já somam US$ 1,82 trilhão em ativos, com fluxos recordes no ano;
- os ETFs em geral se consolidaram como principal veículo de captação do mercado, com mais de US$ 1,1 trilhão em entradas em 2025;
- o investidor de varejo, via apps e plataformas baratas, está puxando uma parte relevante desses fluxos e ajudando a deixar o intraday mais sensível a temas da moda, notícias e narrativas de rede social.
Pra você, brasileiro que investe ou quer investir lá fora, o caminho saudável passa por:
- usar ETFs (ativos e passivos) como ferramenta de construção de carteira, não como bilhete de loteria;
- entender que veículo não é estratégia, ETF ativo ruim continua sendo produto ruim;
- e manter foco em gestão de risco e horizonte de longo prazo, mesmo num mercado cada vez mais dominado por fluxo rápido e varejo hiperconectado.



