Fluxos de ETFs em 2025: como o varejo domina o jogo e impulsiona o boom dos ETFs ativos

investidor de varejo analisando gráficos de fluxos de ETFs em 2025 no notebook


Em 2025, o varejo responde por mais de 20% do volume de ações nos EUA e ajuda a levar os fluxos de ETFs a recordes históricos. Ao mesmo tempo, ETFs ativos batem US$ 1,8 trilhão em patrimônio e capturam mais de um terço dos aportes. Entenda o que está por trás desse movimento e o que isso significa para o seu dinheiro


Se você olha o mercado só pela manchete de índice – “S&P 500 subiu X%, Nasdaq caiu Y%” – está perdendo a parte mais interessante de 2025.

Por baixo do capô, está acontecendo uma combinação explosiva:

  • investidor pessoa física (varejo) com participação cada vez maior no volume diário;
  • fluxos recordes em ETFs, principalmente temáticos, de IA e alavancados;
  • corrida dos ETFs ativos, que deixam de ser nicho e começam a roubar espaço de fundos tradicionais.

Relatórios recentes indicam que o varejo já responde por cerca de 20,5% do volume diário de ações nos EUA, um salto relevante em relação ao pré-pandemia.

Ao mesmo tempo, no universo de ETFs:

  • ativos globais em ETFs ativos bateram US$ 1,82 trilhão em outubro de 2025, após US$ 523 bilhões de entradas no ano, segundo a consultoria ETFGI;
  • estimativas de J.P. Morgan e outros relatórios apontam que cerca de 35–37% de todos os fluxos em ETFs em 2025 estão indo para estratégias ativas, um salto enorme para um segmento que ainda representa pouco mais de 10% do mercado total de ETFs.

No próximo tópico você vai ver:

  • como o varejo está turbando os fluxos de ETFs;
  • por que isso aumenta a volatilidade intraday;
  • e o que explica o boom dos ETFs ativos liderados por casas como J.P. Morgan e iShares.

1. Varejo turbinando os fluxos de ETFs em 2025

1.1 Mais de 20% do volume e atividade maior que na era “meme stocks”

Depois da pandemia, muita gente achou que o “boom do varejo” ia morrer junto com as meme stocks. A realidade de 2025 diz o contrário.

Alguns pontos de dados:

  • estimativas de mercado citadas em relatórios recentes colocam o varejo em torno de 20,5% do volume diário de ações dos EUA, nível bem acima do padrão histórico pré-2020;
  • pesquisas sobre participação em bolsa mostram que 62% dos americanos possuem ações em 2025, retomando níveis anteriores à Grande Recessão.

Além disso, o Financial Times relata que o varejo hoje representa cerca de 75% da base de investidores no mercado de ETFs dos EUA, que já soma US$ 12,2 trilhões em ativos – participação bem maior do que há dez anos.

Quando você junta:

  • mais gente com conta em corretora;
  • apps cada vez mais fáceis de usar;
  • produtos temáticos, alavancados e de IA performando forte em alguns momentos;

não é surpresa ver a atividade do varejo em 2025 maior que em 2024, e em alguns meses superando até o período de euforia das meme stocks em termos de frequência e volume relativo.


1.2 O varejo e a preferência por ETFs temáticos, de IA e alavancados

Os dados de fluxo mostram um padrão claro:

  • forte entrada em ETFs temáticos de inteligência artificial, muitos deles alavancados, com produtos 3x em IA subindo mais de 120% no ano e atraindo bilhões em aportes;
  • rotação de dinheiro para ETFs que “contam uma história” – IA, defesa, energia, transição verde, etc.;
  • uso intensivo de ETFs alavancados como forma de aposta tática, mais do que como investimento estruturado.

Esse movimento tem implicações:

  • aumenta a volatilidade intraday – o varejo entra pesado em determinados horários, amplificando movimentos de curto prazo;
  • concentra fluxo em poucos produtos: relatórios mostram que apenas cerca de 7% dos mais de 4.300 ETFs existentes atraíram mais de US$ 500 milhões em fluxos em 2025 – ou seja, muito dinheiro vai para poucos códigos.

Na prática, isso cria um mercado com:

um oceano de ETFs,
mas só algumas “correntes” realmente fortes,
impulsionadas por varejo, redes sociais, narrativas de IA e manchetes de curto prazo.


1.3 ETF como “default” do investidor de varejo

Outro ponto importante: o ETF virou porta de entrada padrão para o investidor pessoa física.

  • O varejo não está indo apenas para ações individuais: boa parte do fluxo novo vai direto para ETFs de índice, setoriais ou temáticos, por serem mais fáceis de entender e operar;
  • ETFs aparecem cada vez mais em modelos de carteira, robôs advisors, recomendações de fintechs e conteúdos educativos.

A consequência é clara:

  • quando o varejo se mexe, quem sente primeiro são os ETFs;
  • os fluxos em ETFs viram um dos melhores termômetros do humor de curto prazo do investidor pessoa física.

No próximo tópico você vai ver como esse mesmo ambiente criou o cenário perfeito para o boom dos ETFs ativos.


2. Boom dos ETFs ativos: por que eles deixaram de ser nicho

2.1 Números: ativos recordes e participação crescente nos fluxos

Durante anos, ETF ativo era “coisa de nicho”. Em 2025, isso acabou.

Alguns números-chave:

  • ativos globais em ETFs ativos chegaram a US$ 1,82 trilhão em outubro de 2025, segundo a ETFGI – novo recorde histórico;
  • só em 2025, esses produtos receberam US$ 523 bilhões em aportes, respondendo por uma fatia expressiva dos fluxos de ETF no ano;
  • relatórios baseados em dados da J.P. Morgan indicam que cerca de 35–37% de todos os fluxos em ETFs em 2025 estão indo para estratégias ativas, bem acima da participação deles no estoque total de ETFs (por volta de 10–12%).

Além disso:

  • em setembro, os ETFs ativos bateram recorde de entradas mensais, de acordo com análises da Morningstar;
  • e um número cada vez maior de ETFs ativos aparece entre os top 10 em captação no ano.

Ou seja: não é só “crescimento proporcionalmente maior”. É fluxo absoluto, em volume grande, indo para uma classe que até pouco tempo era pequena.


2.2 Quem está liderando a corrida: JPMorgan, iShares e companhia

Na disputa por fluxo, alguns nomes se destacam.

Relatórios da Morningstar e matérias de mercado apontam que:

  • a J.P. Morgan Asset Management lidera as entradas líquidas em ETFs ativos no acumulado de 2025, com destaque para produtos como o JPMorgan Nasdaq Equity Premium Income ETF (JEPQ) e outros da família de “equity premium income”;
  • diversas casas tradicionais, como iShares (BlackRock), Dimensional, Fidelity e Capital Group, também aparecem entre as maiores em fluxo de ETFs ativos no ano.

O cardápio é variado:

  • ETFs de ações com estratégia de prêmio de risco (ex.: covered calls para gerar renda);
  • ETFs ativos de renda fixa, onde gestores buscam alfa em crédito, duration e estrutura de curva;
  • estratégias “core” (núcleo de carteira) ativas, que se vendem como alternativa direta aos fundos tradicionais.

Em paralelo, um relatório da J.P. Morgan mostra que:

  • cerca de 35% dos fluxos em ETFs em 2025 foram para estratégias ativas;
  • 85% dos lançamentos de ETFs em 2025 foram ativos (98 ETFs ativos lançados só em outubro).

Ou seja: a “janela de produtos novos” está totalmente inclinada para o lado ativo.


2.3 ETF ativo x fundo tradicional: por que o dinheiro está migrando

Por que o investidor está trocando fundo tradicional por ETF ativo?

Algumas razões:

  1. Estrutura de custos mais clara
    • ETFs ativos tendem a ter taxas de administração menores do que fundos abertos equivalentes, ou pelo menos mais competitivas;
    • a comparação de custo com ETFs passivos força o gestor ativo a não exagerar na taxa, sob risco de perder a tese.
  2. Transparência e liquidez intraday
    • ETF é negociado em bolsa, com preço em tempo real;
    • o investidor consegue entrar e sair durante o pregão, em vez de esperar cota de D+1, D+2;
    • a carteira costuma ser bem mais transparente do que em muitos fundos tradicionais.
  3. Distribuição e acessibilidade
    • um ETF ativo pode ser comprado na mesma corretora/app, no mesmo clique em que você compra ações e ETFs passivos;
    • isso é muito mais simples do que navegar por plataformas de fundos cheias de classes diferentes, papelada, valores mínimos, etc.
  4. Modelos de carteira e alocação automatizada
    • gestoras globais apontam que o uso de ETFs ativos em model portfolios (carteiras modelo) é um dos grandes motores de fluxo – o assessor ou robô monta a carteira já plugando ETFs ativos no “core”.

Na prática, o investidor enxerga:

“Posso ter gestão ativa, com custo mais competitivo que fundo tradicional,
liquidez de ETF, transparência maior e menos burocracia.”

Esse pacote é muito atrativo – especialmente para quem já está acostumado a investir via ETF e não quer voltar ao modelo antigo de fundo.


3. Riscos, oportunidades e o que isso significa para você

3.1 Mais ETF, mais facilidade – mas não menos risco

É importante separar embalagem de conteúdo.

  • ETFs, sejam ativos ou passivos, são apenas veículos – eles podem carregar desde estratégias simples e conservadoras até coisas extremamente arriscadas (alavancados, temáticos ultra concentrados, crédito podre, etc.);
  • o fato de estar em forma de ETF não torna o investimento automaticamente seguro.

No caso específico do boom atual:

  • o varejo está indo pesado em ETFs temáticos, de IA e alavancados, que podem sofrer drawdowns violentos e não são adequados como “coração” de carteira para a maioria das pessoas;
  • ETFs ativos com estratégias complexas (options overlay, crédito high yield, duration longa) também carregam riscos relevantes de mercado e de taxa de juros.

Gestão de risco continua sendo central:

  • diversificação;
  • tamanho de posição;
  • entendimento mínimo do que está dentro do ETF.

3.2 O lado “perigoso” do varejo comandando fluxo

Quando o varejo domina o fluxo:

  • movimentos de humor – otimismo exagerado ou pânico – podem amplificar volatilidade de curto prazo;
  • temas quentes (IA, cripto, defesa, etc.) podem ficar superlotados, com preços desconectados de fundamentos por algum tempo;
  • quando a maré vira, o fluxo sai tão rápido quanto entrou, deixando atrasados segurando a bomba.

Isso não significa que você deva fugir de ETFs – pelo contrário, eles são ferramentas extremamente úteis.

Mas significa que:

usar o fluxo do varejo como indicador de sentimento,
e não como sinal de compra cega,
é uma forma mais inteligente de se posicionar.


3.3 ETF ativo faz sentido? Quando e para quem?

ETFs ativos podem fazer sentido em alguns contextos:

  • núcleo de renda fixa (onde gestores têm mais espaço para gerar alfa em crédito, curva de juros, duration);
  • estratégias de equity premium / opções que focam em renda e manejo de volatilidade, desde que você entenda o trade-off (abrir mão de parte da alta em troca de prêmio);
  • exposição a fatores específicos (value, quality, small caps) usando um gestor ativo que tenha histórico sólido.

Mas, mesmo aí, a lógica é:

  • comparar custo, transparência e aderência à sua estratégia;
  • não comprar só porque “está bombando em 2025”.

FAQ – Varejo, fluxos de ETFs e boom dos ETFs ativos

1. O que significa dizer que o varejo está “dominando” os fluxos de ETFs?

Significa que:

  • investidores pessoa física já representam uma parcela grande da base de investidores de ETFs (algo como 75% do mercado de ETFs dos EUA, segundo o FT);
  • e que boa parte dos novos aportes em 2025 está vindo de contas de varejo em apps e corretoras digitais.

Isso faz com que mudanças de humor do pequeno investidor apareçam rapidamente nos dados de fluxo de ETFs.


2. Qual é a participação dos ETFs ativos nos fluxos de 2025?

Relatórios de casas como J.P. Morgan e análises independentes apontam que:

  • cerca de 35–37% de todos os fluxos em ETFs em 2025 estão indo para ETFs ativos;
  • mesmo sendo apenas ~10% do mercado em termos de patrimônio, os ETFs ativos capturam uma fatia muito maior do dinheiro novo.

3. ETFs ativos são melhores do que fundos tradicionais?

Depende.

ETFs ativos tendem a oferecer:

  • custos mais competitivos em muitos casos;
  • liquidez intraday e cotação em bolsa;
  • mais transparência de carteira.

Mas isso não garante performance superior.
Você ainda precisa analisar:

  • a estratégia;
  • o histórico do gestor;
  • o risco envolvido;
  • se a taxa realmente compensa.

4. Vale a pena seguir fluxo de varejo em ETF temático ou alavancado?

Como regra geral, não é uma boa ideia entrar em algo só porque o fluxo bombou.

  • ETFs temáticos e alavancados podem ser ferramentas táticas, para pequenas posições, com horizonte de curto prazo e gestão ativa;
  • usar esses produtos como base de carteira, guiado apenas por fluxo de varejo, aumenta muito o risco de comprar topo e vender fundo.

5. Como usar dados de fluxos de ETFs na minha tomada de decisão?

Algumas ideias:

  • como termômetro de sentimento – se muito dinheiro corre para um tema (IA, por exemplo), isso indica aquecimento e possível superlotação;
  • para entender para onde o grande dinheiro está indo (ex.: fluxos para Treasuries de médio prazo podem indicar expectativa de queda de juros);
  • mas sempre complementando com análise de risco, valuation e objetivos pessoais.

Conclusão: o que fazer com esse “novo mundo” de ETFs em 2025

Resumindo:

  • o varejo nunca teve tanto peso nos mercados de ações e ETFs – algo em torno de 20,5% do volume diário de ações e 75% da base de investidores em ETFs;
  • os fluxos de ETFs em 2025 estão em recorde, com destaque para temáticos, IA e renda fixa;
  • e os ETFs ativos deixaram de ser nicho, batendo US$ 1,82 trilhão em ativos e recebendo mais de US$ 500 bilhões em aportes no ano.

Para você, investidor ou criador de conteúdo, isso abre duas frentes:

  1. Oportunidade
    • usar ETFs (passivos e ativos) como blocos de construção eficientes de carteira;
    • educar o público sobre diferença entre “embalagem ETF” e “estratégia por trás”;
    • produzir relatórios e artigos semanais de fluxos de ETFs como peça central da sua análise de mercado.
  2. Responsabilidade
    • não vender ETF temático muito volátil como se fosse “investimento seguro”;
    • lembrar sempre que gestão de risco vem antes do ticker;
    • deixar claro que o fato de um ETF estar bombando em fluxo não significa que ele é adequado para todo tipo de investidor.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *