Meta description: Transações de stablecoins bateram recorde em 2025: por que isso muda liquidação, tesouraria e compliance, e quais riscos de reservas e concentração.
Stablecoins viraram a parte “invisível” do mercado cripto: você não vê a tecnologia, mas sente o impacto na velocidade de liquidação, no custo de movimentação e na eficiência de tesouraria. Por isso, quando o volume anual de transações de stablecoins chega a algo como US$ 33 trilhões em 2025, não é só um número grande. É um sinal de que esses ativos estão deixando de ser apenas “moeda de exchange” e virando trilho de liquidação usado em escala.
Ao mesmo tempo, o crescimento acelera o lado menos confortável: compliance, concentração em poucos emissores e qualidade das reservas passam a ser tema central para mercado e reguladores. E aqui vai o ponto-chave: stablecoin pode ser infraestrutura, mas infraestrutura sem governança vira risco sistêmico.
O que significa transações de stablecoins somarem cerca de US$ 33 trilhões
O dado de “US$ 33 trilhões” normalmente se refere ao valor total movimentado on-chain por stablecoins no período, somando transferências e liquidações em várias redes e ambientes. Em compilações de analytics divulgadas recentemente, o volume teria avançado forte em 2025 e, nesse recorte, USDC teria liderado em volume, com USDT logo atrás.
Mas atenção: “volume de transação” não é sinônimo automático de “pagamento no varejo”. É sinônimo de uso como infraestrutura de movimentação e liquidação.
Volume alto não significa, necessariamente, adoção no dia a dia
Existem três motivos para o volume parecer “gigante” mesmo sem você ver pessoas pagando café com stablecoin:
- Uma mesma unidade pode girar várias vezes (liquidação, arbitragem, rebalanceamento de tesouraria)
- Exchanges e mesas movimentam grandes blocos com frequência
- Parte do tráfego é operacional (custódia, roteamento, gestão de colateral)
Ainda assim, volume recorde é relevante porque mostra preferência por stablecoins como meio de liquidação, mesmo quando o usuário final não percebe.
Por que o volume disparou em 2025
O salto de volume costuma acontecer quando stablecoin deixa de ser apenas “parada intermediária” e vira solução de eficiência.
Alguns vetores que tipicamente puxam esse movimento:
- Liquidação mais rápida entre empresas e prestadores (B2B)
- Operações cross-border (pagamento internacional e tesouraria global)
- Crescimento de mercados cripto com stablecoin como base de negociação
- Integrações com fintechs, gateways e infraestrutura de pagamento
- Uso como colateral e “cash” operacional em ambientes digitais
Em termos práticos: stablecoin funciona como “dólar programável” que circula 24/7, e isso atrai fluxo quando o objetivo é velocidade e previsibilidade de liquidação.
USDC liderando em volume: o que isso sugere e o que não sugere
Quando um token lidera em volume transacionado, isso pode apontar para:
- Maior penetração em certos rails (tesouraria corporativa, integrações, determinadas redes)
- Maior uso em liquidação entre players grandes
- Preferência operacional por questões de liquidez e aceitação
No recorte citado por analytics, USDC aparece na frente em valor movimentado, com USDT também em patamar muito alto.
O que isso não prova por si só:
- Que um emissor é “mais seguro” do que outro em qualquer cenário
- Que o risco de depeg é inexistente
- Que a concentração é saudável
Volume mostra uso. Segurança exige olhar reservas, governança, mecanismos de resgate e risco operacional.
Stablecoin como infraestrutura de liquidação: onde está o valor real
Quando stablecoin vira “infra”, ela entrega valor principalmente em três frentes.
Liquidação B2B e tesouraria
Empresas que precisam mover valor entre subsidiárias, fornecedores e parceiros ganham:
- velocidade (24/7)
- previsibilidade de liquidação
- melhor controle de caixa em tempo real
- redução de fricção em conciliações
Exemplo prático
Uma empresa brasileira que paga um fornecedor no exterior pode usar stablecoin como “ponte” para reduzir tempo de liquidação entre etapas. Isso não elimina custos e riscos, mas pode encurtar prazos e melhorar gestão de caixa, dependendo do desenho operacional e do compliance.
Cross-border e operações internacionais
Stablecoins funcionam bem quando o gargalo é:
- prazo bancário
- janelas de funcionamento
- múltiplos intermediários
- conciliação lenta
Aqui, o ganho é menos “taxa” e mais logística financeira.
Mercado cripto e liquidez
No mercado cripto, stablecoin é o “cash” do ecossistema:
- par base em exchanges
- liquidação de OTC
- colateral e margem em derivativos
- rotação rápida entre risco e defesa
Esse uso cresce junto com o mercado e aumenta a responsabilidade sobre governança e reservas.
Os riscos que crescem junto com o volume
Volume recorde muda a régua. Quando stablecoin movimenta dezenas de trilhões ao ano, a conversa sai do “é só cripto” e entra em risco financeiro e regulatório.
Compliance e rastreabilidade
Quanto maior a escala, maior o escrutínio sobre:
- AML e sanções
- rastreabilidade de fluxos
- controles em rampas de entrada e saída
- padrões de monitoramento e reporte
Esse é um dos motivos pelos quais “stablecoin infra” tende a se aproximar de exigências de mercado financeiro tradicional.
Concentração em poucos emissores
O risco aqui é simples: se a infraestrutura depende demais de poucos emissores, qualquer problema (operacional, regulatório, reputacional) pode virar choque de liquidez.
Relatórios e alertas recentes de estabilidade financeira têm destacado a concentração do setor e o potencial de stress em cenários de corrida e resgate em massa.
Reservas, qualidade e dinâmica de corrida
Stablecoin “pareada” depende de confiança. A confiança depende de:
- composição das reservas
- custódia e segregação
- liquidez para resgates
- governança e auditoria/atestação
Quando há medo, o mercado não discute narrativa: ele corre para o resgate. E, em eventos extremos, isso pode forçar venda de reservas, com efeitos colaterais em mercados mais amplos.
Risco operacional e de plataforma
Mesmo stablecoins “sólidas” podem sofrer com:
- incidentes de custódia
- bloqueios, congelamentos e disputas legais
- falhas em integrações (exchanges, bridges, smart contracts)
- concentração de infraestrutura (poucos provedores críticos)
Para o investidor e o trader, isso se traduz em um princípio: stablecoin não é “caixa perfeito”. É um ativo com risco próprio.
Como avaliar stablecoins na prática
Se você usa stablecoins para trading, proteção ou tesouraria, vale aplicar um filtro profissional.
Checklist de risco para stablecoin
- Clareza sobre quem emite e como funciona o resgate
- Transparência e qualidade das reservas (liquidez, custódia, segregação)
- Histórico de estabilidade em momentos de stress
- Exposição a riscos de congelamento e eventos regulatórios
- Dependência de uma única rede, exchange ou bridge
- Plano de contingência para trocar de rail rapidamente
Gestão de risco simples que evita dor de cabeça
- Evite concentração total em um único emissor
- Evite deixar “tudo” parado em uma única plataforma
- Se operar com alavancagem, trate stablecoin como parte do risco do sistema
- Tenha rotas alternativas de liquidação e conversão
Stablecoins reduzem fricção, mas não eliminam risco.
IA e analytics: por que o compliance fica mais pesado (e mais inteligente)
Com volumes nessa escala, monitoramento manual não dá conta. Ferramentas de IA e analytics entram para:
- detectar padrões anômalos de fluxo
- priorizar alertas de risco (menos ruído, mais foco)
- melhorar triagem de contrapartes e endereços
- automatizar limites operacionais e respostas a incidentes
O cuidado é não transformar “automação” em complacência. IA melhora processo quando existe governança, auditoria e regras claras de decisão.
FAQ
O que significa transações de stablecoins baterem recorde em 2025?
Significa que stablecoins estão sendo usadas em escala como trilho de movimentação e liquidação, especialmente em operações de tesouraria, cripto e cross-border.
Por que o USDC aparece liderando em volume em alguns levantamentos?
Porque em certos recortes e rotas de liquidação ele teve mais valor movimentado ao longo do ano, refletindo preferência operacional e liquidez em determinados usos.
Volume alto de stablecoin quer dizer que é “mais seguro”?
Não. Volume indica uso. Segurança depende de reservas, governança, liquidez de resgate e risco operacional.
Quais são os maiores riscos das stablecoins quando o mercado cresce?
Concentração em poucos emissores, risco de corrida, qualidade/liquidez das reservas, compliance/sanções e dependência de infraestrutura crítica.
Stablecoin serve como “caixa” para quem faz trading?
Serve como instrumento operacional, mas não é risco zero. É importante diversificar, escolher bem plataformas e ter plano de contingência para eventos de stress.
Conclusão
O recorde de transações de stablecoins em 2025 reforça uma mudança estrutural: stablecoin está virando infra de liquidação para cripto, tesouraria e operações cross-border. Ao mesmo tempo, isso eleva o nível de cobrança sobre compliance, concentração e reservas porque o impacto deixa de ser “nicho” e vira tema de mercado.



