Os ETFs com opções viraram uma das grandes tendências porque “empacotam” estratégias antes restritas a quem operava derivativos direto. Isso aumenta acessibilidade, mas também aumenta o risco de uso errado.
A Cboe observou que ETFs baseados em derivativos (incluindo outcome-based e premium writing) representam mais de 40% das novas listagens de ETFs nos EUA em 2025, sinalizando apetite crescente por produtos que prometem “gestão de risco” e “geração de renda” via opções
Antes de decidir, entenda a regra de ouro: opções sempre envolvem trade-off. Você troca algo por outra coisa.
Dois “sabores” que dominam as buscas: proteção e renda
1) Buffer / Defined Outcome (proteção condicional)
São ETFs que buscam um “intervalo” de resultado em um período, normalmente usando uma estrutura com opções e uma janela definida.
A Cboe aponta que a categoria segue popular em 2025 e que ativos ligados a “100% buffers” cresceram fortemente (mais de 45% no ano, no recorte citado), com novos lançamentos em ritmo alto.
O que o investidor precisa entender:
- existe janela (outcome period),
- existe buffer (protege até certo ponto),
- existe cap (teto de ganho).
2) Covered-call / Premium income (renda com teto de upside)
Aqui a lógica é: o fundo tem uma carteira (geralmente ações) e vende calls para capturar prêmio. Isso pode gerar renda, mas limita parte do potencial de alta.
A Reuters reportou inflows recordes em fundos/ETFs de covered call nos EUA no 1º semestre de 2025 (US$ 31,5 bi), com crescimento de AUM e procura por “yield” em cenário de incerteza.
No próximo tópico você vai ver a parte que evita frustração: quando esses ETFs “entregam” e quando costumam decepcionar.
Quando ETFs com opções costumam funcionar (e quando decepcionam)
Buffer/Defined outcome tende a fazer sentido quando:
- você quer reduzir a ansiedade de drawdown em uma janela,
- aceita um teto de ganho,
- entende que a proteção é condicional.
Um dado de tendência: a Cerulli projeta que Defined Outcome ETFs poderiam mais que quadruplicar em ativos até 2030, impulsionados por aprovação/distribuição e “tailwinds” estruturais.
Isso não é recomendação é sinal de que mais gente vai se expor ao conceito e precisar entender limites.
Covered-call/premium income tende a fazer sentido quando:
- o investidor prioriza renda e aceita trocar upside,
- o mercado fica lateral ou sobe pouco,
- a expectativa é realista sobre drawdown (não é “escudo”).
A Investopedia resume bem a intuição: covered-call ETFs podem gerar renda, mas limitam upside e oferecem pouca proteção em quedas fortes; buffered ETFs podem reduzir perdas iniciais, mas também limitam ganhos e podem ter retornos inferiores a alternativas simples dependendo do cenário. Investopedia
E-E-A-T: em ambos os casos, você pode perder capital. E, em bull markets fortes, o “custo” do cap pode ficar evidente.
O checklist de decisão (simples, para não cair no marketing)
Antes de decidir:
- Qual objetivo manda? proteção (janela) ou renda (prêmio).
- Você entende o trade-off? cap de alta vs buffer; renda vs upside.
- Qual o cenário em que você vai se arrepender?
- mercado dispara (covered-call fica para trás),
- mercado cai muito (buffer pode não segurar tudo),
- você compra fora da janela (defined outcome muda o perfil).
- Qual tamanho faz sentido? comece pequeno e trate como “satélite”.
Agora que isso está claro, você transforma “produto em alta” em decisão consciente.
FAQ (rich snippet)
O que são ETFs com opções?
ETFs que usam estratégias com opções para buscar renda (covered-call) ou resultados estruturados (buffer/defined outcome).
Buffer ETF é garantia de proteção?
Não. A proteção é condicional, limitada a uma faixa e a um período (janela), geralmente com cap de ganhos.
Covered-call ETFs são “renda sem risco”?
Não. Eles podem cair junto com o mercado e costumam limitar parte do upside.
Por que esses ETFs cresceram tanto?
A Cboe aponta forte participação de ETFs baseados em derivativos nas novas listagens, e a Reuters registrou inflows recordes em covered-call funds em 2025.
Conclusão
Os ETFs com opções estão em alta porque vendem duas coisas que todo mundo quer: “proteção” e “renda”. Só que a versão adulta da decisão é aceitar o preço: cap, janela, limitação de upside e possibilidade real de perda.



