ETFs ativos na Europa cresceram forte e ganharam novas estruturas. Entenda o avanço, os riscos e o que muda com o semi-transparent UCITS.
Durante anos, “ETF na Europa” foi quase sinônimo de passivo. Isso está mudando. Os ETFs ativos na Europa dobraram de tamanho em pouco tempo e começaram a puxar uma discussão que antes parecia distante: até onde a transparência diária é obrigatória para o ETF funcionar bem e quanto disso limita estratégias realmente ativas.
Dados recentes mostram que o patrimônio de ETFs ativos na Europa chegou a €62,4 bilhões até agosto de 2025, ainda pequeno em participação, mas com crescimento rápido. Morningstar E, em fluxo, houve €13,4 bilhões de entradas líquidas entre janeiro e agosto de 2025 (após um 2024 forte), sinalizando uma demanda que já não é marginal.
No próximo tópico você vai ver por que essa aceleração aconteceu. Depois, o que o semi-transparent UCITS destrava e quais cuidados o investidor precisa ter antes de comprar “ativo em forma de ETF”.
Por que os ETFs ativos na Europa ganharam tração
O avanço recente tem três motores que aparecem juntos:
Competição por custo, acesso e distribuição
ETFs resolvem um problema de prateleira: negociação intradiária, acesso simples e padronização. Ao migrar mandatos ativos para ETF, gestoras tentam manter relevância num mundo em que o investidor compara tudo por custo total (taxa + spread + tracking + impostos, quando aplicável). O próprio material setorial da EFAMA descreve o crescimento forte de Active UCITS ETFs e o avanço consistente de AUM e fluxos.
Demanda por gestão ativa onde “beta puro” não basta
Em 2025, parte do apelo do ativo veio de fixed income e de estratégias onde gestão de duration/crédito é vista como diferencial e isso respinga no ETF por ser o wrapper preferido de muitos investidores (inclusive institucionais).
A maturação do ecossistema
Liquidez secundária, market makers e infraestrutura de criação/resgate amadureceram o suficiente para suportar mais variedade de produtos, inclusive ativos.
O que é semi-transparent UCITS e por que isso importa
O grande atrito do ETF ativo é simples: transparência diária pode facilitar front-running e “cópia” de posições, especialmente em ativos menos líquidos. O semi-transparente surge como resposta: manter o ETF operável, mas reduzir exposição do “book” ao mercado.
Em setembro de 2025, a Fidelity lançou o que foi descrito como o primeiro ETF ativo semi-transparente no regime UCITS (Irlanda), abrindo um precedente para outros gestores.
O que muda na prática
- O investidor tende a ter menos visibilidade diária completa da carteira (dependendo do modelo).
- Market makers ainda precisam de informação suficiente para precificar e manter spreads razoáveis muitas estruturas usam canais controlados e acordos de confidencialidade para isso.
- A promessa é permitir estratégias mais “convictas” sem virar alvo óbvio de arbitragem.
O trade-off que quase ninguém coloca na capa
Antes de decidir, entenda que semi-transparência troca uma vantagem clássica do ETF (visibilidade) por outra (proteção de estratégia). Isso pode ser bom, mas também:
- aumenta a complexidade de análise
- exige confiança maior na governança do gestor
- pode alterar como você monitora risco (fatores, concentração, estilo)
Como avaliar ETFs ativos sem cair em narrativa
Checklist responsável:
- O que você está comprando: fator, estilo, duration, crédito, país, moeda
- Custo total: taxa + spread + tracking do “processo”
- Processo: o gestor tem disciplina clara ou é “caixa-preta”
- Liquidez real: volume, spreads típicos, comportamento em estresse
- Risco: pode perder capital; “ativo” não é sinônimo de proteção
Seção de FAQ
ETFs ativos na Europa estão realmente crescendo?
Sim. Há dados mostrando AUM de ETFs ativos em €62,4 bi até agosto de 2025 e entradas líquidas relevantes no período.
O que é um semi-transparent UCITS ETF?
É um ETF no regime UCITS que não necessariamente divulga a carteira completa diariamente, buscando proteger a estratégia e reduzir front-running.
Semi-transparente é “melhor” que ETF tradicional?
Não existe melhor universal. Ele reduz exposição da estratégia, mas pode reduzir transparência para o investidor e aumentar complexidade.
ETFs ativos têm ganho garantido?
Não. Gestão ativa pode funcionar ou falhar; há risco de perda.
Como escolher um ETF ativo com responsabilidade?
Avalie exposição, custo total, liquidez, processo do gestor e limites de risco e não compre por hype.
Conclusão
Os ETFs ativos na Europa passaram de “tendência” para “camada de produto” e o semi-transparent UCITS sugere que a próxima fase será mais sofisticada (e mais complexa).
A melhor postura é tratar isso como ferramenta: boa quando encaixa no objetivo, perigosa quando vira atalho mental.



