Pass-through voting cresce com programas como Voting Choice e Investor Choice. Entenda impactos em governança, transparência e poder de voto.
ETFs indexados concentraram um poder silencioso: o poder de voto. Como grandes gestoras votam em milhares de assembleias, críticas sobre concentração e “one-size-fits-all” aumentaram. A resposta do mercado tem sido expandir pass-through voting (ou “voting choice”) permitir que clientes escolham políticas de voto.
A BlackRock descreve seu programa Voting Choice e a expansão para investidores individuais, com seleção de políticas de voto de terceiros e aplicação proporcional.
A Vanguard também mantém um piloto/expansão do Investor Choice, com menu de políticas e orientações de participação.
E a Reuters reportou a ampliação relevante de elegibilidade do Investor Choice, com debate sobre participação e efeitos práticos.
No próximo tópico você vai ver por que isso surgiu. Depois, os limites práticos e o “lado B” da dispersão.
Por que pass-through voting ganhou tração agora
Há duas forças:
- pressão política e pública contra concentração de voto
- críticas de que o gestor “fala por todo mundo” em temas complexos
Programas de voting choice tentam oferecer ao investidor opções de políticas (mais pró-administração, mais pró-ESG, mais “tradicional”, etc.), reduzindo o argumento de que a gestora decide tudo.
Como funciona na prática e por que não é “o fim do problema”
BlackRock afirma que o Voting Choice dá aos clientes elegíveis oportunidade de participar do processo de voto e explica que a aplicação ocorre com defasagem e limitações operacionais.
Vanguard descreve passos de participação e um menu de políticas, também como piloto/expansão.
Limites práticos importantes
Antes de decidir, entenda que:
- nem todo fundo/conta é elegível
- políticas são “menus”, não voto caso a caso (na maioria dos modelos)
- participação tende a ser baixa no começo (efeito inércia)
- pode haver dispersão e inconsistência entre políticas, reduzindo previsibilidade
O “lado B”: fragmentação e incentivos
Quando você pulveriza políticas, pode ganhar representatividade, mas também pode perder:
- coerência de stewardship
- sinal claro ao mercado sobre governança
- consistência em pautas relevantes
Isso não é “bom” ou “ruim” por si só. É um trade-off: pluralidade vs coordenação.
FAQ
O que é pass-through voting?
É permitir que investidores escolham como os votos associados às suas cotas em fundos/ETFs serão direcionados.
BlackRock tem um programa de voting choice?
Sim. A BlackRock descreve o Voting Choice e sua expansão para certos investidores, onde viável.
Vanguard também oferece escolha de voto?
Sim. A Vanguard descreve o Investor Choice e sua expansão recente.
Isso devolve “todo o poder” para o investidor?
Não totalmente. Há limitações de elegibilidade, operação e modelo (menu de políticas).
Vale a pena participar?
Se você se importa com governança, pode fazer sentido escolher conscientemente. Só não confunda isso com retorno financeiro garantido.
Conclusão
O avanço de pass-through voting é uma resposta direta a críticas de concentração de poder de voto em grandes gestoras de ETFs. Programas como Voting Choice e Investor Choice mostram uma mudança estrutural: mais opção, mais complexidade e novos desafios de governança.
Para o investidor responsável, a pergunta é simples: você quer delegar tudo ou quer escolher uma política alinhada ao seu perfil?



