Meta description: A fatia do dólar nas reservas globais ficou perto de 57% no 3º tri de 2025. Veja o que mudou, o papel do euro/iene e impactos no mercado.
Introdução
O debate sobre “fim do dólar” costuma ser barulhento, mas os números tendem a ser mais sóbrios. Os dados mais recentes de composição de reservas globais indicam que a fatia do dólar ficou praticamente estável no terceiro trimestre de 2025, após oscilações mais fortes no trimestre anterior.
Para quem acompanha câmbio, juros, ouro e até cripto, esse tipo de leitura é relevante porque reservas oficiais funcionam como um termômetro de longo prazo: elas refletem decisões estruturais de bancos centrais, não apenas movimentos especulativos do dia.
A seguir, você vai entender o que mudou na composição, por que a estabilização aconteceu e como interpretar o tema “desdolarização” sem cair em conclusões apressadas.
O que os dados de reservas mostram no terceiro trimestre de 2025
No terceiro trimestre de 2025, a participação do dólar nas reservas globais reportadas ficou em 56,92%, uma leve queda em relação ao trimestre anterior, quando estava em 57,08%. Investing.com Brasil
Enquanto isso, o euro teve um avanço pequeno, passando de 20,24% para 20,33%. O iene também aumentou participação, de 5,65% para 5,82%.
O ponto central não é o número exato em si, mas o desenho:
- dólar segue dominante, porém sem grandes saltos no trimestre
- euro melhora marginalmente
- iene ganha um pouco de espaço
Isso é compatível com um trimestre em que o mercado “respirou” após ruídos fortes no câmbio no trimestre anterior.
Por que houve estabilização após grandes oscilações no trimestre anterior
A leitura apresentada para a estabilidade no terceiro trimestre contrasta com o segundo trimestre de 2025, quando os mercados cambiais especialmente o dólar — foram afetados por anúncios de tarifas do presidente dos EUA, Donald Trump.
Em momentos assim, há dois mecanismos que ajudam a explicar por que a composição pode oscilar e depois estabilizar:
- efeito de preço (avaliação cambial)
Mesmo que um banco central não compre nem venda moeda, a variação do câmbio muda o valor das reservas quando convertido para uma unidade comum. - ajustes táticos vs mudanças estruturais
Bancos centrais podem fazer pequenos rebalanceamentos (táticos) sem que isso signifique uma mudança de regime (estrutural) no papel do dólar.
Uma consequência prática é que o dado trimestral pode ter “ruído” de mercado embutido, e não apenas decisões ativas de alocação.
O debate sobre desdolarização: o que os dados sugerem e o que não sugerem
O assunto “desdolarização” voltou ao centro justamente porque houve oscilações relevantes no ano, reacendendo a pergunta: o dólar pode perder o status de principal moeda de reserva?
Os dados, do jeito que aparecem no trimestre, apontam mais para um cenário de transição lenta (se ocorrer) do que para uma ruptura rápida. Há até menção de que existem sinais iniciais discutidos por alguns analistas, mas que a visão predominante é de que qualquer mudança desse tamanho seria gradual.
Na prática, para o dólar perder centralidade rapidamente, seria preciso ver ao mesmo tempo:
- alternativas com profundidade e liquidez comparáveis
- segurança jurídica e institucional consistente
- capacidade de absorver grandes fluxos globais em crise
Esse conjunto é difícil de replicar no curto prazo, o que ajuda a entender por que a série tende a se mover devagar.
Um detalhe técnico importante: mudança metodológica e “reservas não alocadas”
Um ponto que muita gente ignora é que os dados também refletem uma mudança de metodologia, com imputação da parcela “não alocada” das reservas. Antes, existia uma categoria “não alocada” para cobrir lacunas de reporte; com a mudança, isso passou a ser imputado, e a alteração foi aplicada de forma retroativa até o ano 2000.
Por que isso importa para quem lê o gráfico?
- séries históricas podem sofrer pequenos ajustes
- comparações de longo prazo exigem cuidado para não confundir “mudança de método” com “mudança real de comportamento”
- ruídos de classificação podem afetar interpretações apressadas em redes sociais
O que isso muda para o investidor brasileiro
Mesmo que reservas globais pareçam “distantes” do dia a dia, elas influenciam narrativa e precificação de ativos.
Câmbio e juros
Se o mercado interpreta que o dólar mantém centralidade, isso tende a sustentar a ideia de que o dólar continua sendo o principal ativo de refúgio em crises, o que afeta:
- comportamento do real em eventos de aversão a risco
- prêmio de risco em países emergentes
- dinâmica de fluxo para renda fixa global
Ouro e ativos reais
O debate sobre diversificação de reservas costuma favorecer o interesse em ativos percebidos como proteção de longo prazo, mas é importante separar:
- discurso e intenção (política)
- execução e capacidade de mercado (liquidez)
Cripto como “alternativa monetária”
Cripto pode entrar no debate como narrativa, mas não funciona como substituto direto de moeda de reserva no sentido tradicional. Para o investidor, o cuidado aqui é não transformar um dado de reservas em justificativa automática para tese de curto prazo em ativos voláteis.
Criptomoedas têm risco elevado e podem sofrer quedas grandes, mesmo quando a discussão macro parece favorável. Gestão de risco continua sendo prioridade.
Exemplos práticos de como usar essa informação sem exagero
Se você investe no Brasil, dá para usar o tema como contexto, não como gatilho:
- Carteira com exposição a dólar
Em vez de “apostar na direção”, pensar em equilíbrio: qual percentual em ativos dolarizados faz sentido para seu horizonte e tolerância a volatilidade? - Proteção cambial para quem viaja ou tem despesas em moeda forte
A lógica é reduzir risco de surpresa, não “acertar o topo ou o fundo”. - Estratégias em cripto
Use o macro como pano de fundo, mas decida por regras objetivas: tamanho de posição, stop, e limite de perda aceitável.
FAQ
O que significa a fatia do dólar nas reservas globais estabilizar?
Significa que, no período analisado, a participação do dólar nas reservas reportadas mudou pouco, sugerindo ausência de movimento estrutural forte no trimestre.
Qual foi a participação do dólar nas reservas no terceiro trimestre de 2025?
Os dados apontam 56,92% no terceiro trimestre de 2025, contra 57,08% no trimestre anterior.
O euro e o iene ganharam espaço nas reservas?
Houve pequenas altas: o euro foi para 20,33% e o iene para 5,82% no terceiro trimestre.
Isso prova que não existe desdolarização?
Não. Mostra apenas que, no trimestre, o movimento foi pequeno. Mudanças em moedas de reserva tendem a ser lentas e dependem de muitos fatores.
Mudança metodológica pode alterar a leitura do gráfico?
Sim. A imputação da parcela “não alocada” e ajustes retroativos podem gerar pequenas diferenças na série histórica.
Como isso impacta quem investe em cripto?
Como contexto macro. Mas cripto continua sendo um ativo de alto risco, e decisões devem priorizar gestão de risco, não apenas narrativa.
Conclusão
Os dados mais recentes indicam que a fatia do dólar nas reservas globais ficou praticamente estável no terceiro trimestre de 2025, com pequenas variações para euro e iene, após um período anterior mais turbulento. Isso reforça a ideia de que mudanças no sistema monetário global, quando acontecem, tendem a ser graduais e que parte do “ruído” pode vir de efeitos de mercado e de metodologia.



