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A Phantom lançou “Prediction Markets” dentro da carteira, com mercados da Kalshi e posições tokenizadas na Solana. Entenda como funciona, por que isso acelera a financialização de eventos, e quais são os riscos regulatórios e de gestão de risco.
Introdução
Carteira cripto sempre foi sinônimo de “self-custody + swaps”. Agora, ela começa a virar também uma interface de trading do mundo real: política, esportes, cultura e até dados econômicos — tudo em formato de contratos simples, tipo “sim ou não”.
No dia 12/dez/2025, Phantom e Kalshi anunciaram a integração que leva prediction markets para dentro da Phantom, permitindo que usuários descubram mercados em alta, acompanhem odds em tempo real, conversem via chat do próprio mercado e abram posições “tão fácil quanto fazer um swap” — usando tokens na Solana ou um saldo chamado CASH.
Eu não consegui abrir diretamente o link da CoinDesk (retornou bloqueio 403), então baseei o estudo em fontes primárias (Phantom e Kalshi) e coberturas complementares/relevantes para ampliar contexto e regulação.
O que foi lançado, na prática
A Phantom apresentou o recurso Phantom Prediction Markets, “powered by Kalshi”, com estes pontos centrais:
- Mercados de eventos dentro da carteira (tendências e categorias como política, cripto, esportes e cultura).
- Posições tokenizadas que referenciam mercados de eventos da Kalshi (a camada “onchain” sobre um mercado “offchain” regulado).
- Pagamento com tokens Solana ou CASH, reduzindo fricção de “criar conta/transferir fundos” (na narrativa do anúncio).
- Chat ao vivo por mercado, transformando cada contrato em um “feed social” (sentimento, debate, leitura de crowd).
- Acompanhamento e notificações: odds, updates do evento e aviso quando o mercado liquidar/assentar.
- Disponibilidade gradual e restrições por jurisdição, com alerta explícito de risco (volatilidade, liquidez e possíveis mudanças regulatórias; risco de perder 100% do valor alocado). phantom.com
Por que isso é grande: carteira vira “superapp” de eventos (e não só de tokens)
Até aqui, a principal porta de entrada do usuário cripto era: comprar token, fazer swap, fazer stake, usar DeFi. A partir do momento que a carteira inclui eventos do mundo real, você cria um novo tipo de “atividade financeira”:
- Engajamento sempre-on: notícia acontece → mercado abre → conversa começa → preço muda.
- Nova forma de “expressar opinião” com dinheiro (o que alguns chamam de “financialização de atenção”).
- Distribuição gigante: a Kalshi ganha canal para público cripto-nativo; a Phantom ganha um produto que “cola” o usuário na carteira por mais tempo.
Isso também conecta com um movimento maior do setor: event contracts/prediction markets crescendo e sendo tratados como instrumentos financeiros (com debate pesado sobre onde termina “trading” e começa “aposta”).
O básico do produto: event contracts são binários e o preço reflete probabilidade
Um jeito didático de entender:
- Um event contract é essencialmente um contrato binário: “Sim” ou “Não”.
- Ele liquida em um valor fixo (ex.: 1 ou 0).
- O preço no meio do caminho tende a refletir a probabilidade percebida pelo mercado (ex.: 0,60 ≈ 60%).
E por que isso “parece fácil”? Porque é simples de operar mas isso não significa que seja simples de ganhar. Em produtos binários, erros de leitura, baixa liquidez e emoção custam caro.
O mercado está crescendo — e por isso a briga regulatória aumentou
Um relatório de análise (Thomson Reuters/Cornerstone Research) descreve que o volume semanal em provedores de event contracts nos EUA disparou no fim de 2024, chegando a mais de US$ 1,2 bilhão na semana da eleição presidencial, e permaneceu acima de US$ 150 milhões por semana desde meados de março de 2025.
Quando cresce volume e varejo entra, cresce também o “cabo de guerra” sobre o que isso é:
- derivativo regulado por agência federal (CFTC), ou
- aposta/sports betting sob leis estaduais?
Nos EUA, esse conflito ficou explícito: a Reuters reportou o caso de Massachusetts buscando bloquear a Kalshi no estado, com discussão sobre “jurisdição CFTC vs leis estaduais de jogos”, e o juiz questionando o enquadramento quando o assunto é esporte.
Ao mesmo tempo, Axios noticiou que players do setor estão se organizando em uma coalizão para defender uma leitura mais “federal” e combater o mosaico de interpretações estaduais.
Para quem cria conteúdo e produto, isso é o ponto-chave: o risco regulatório virou variável de preço e de disponibilidade.
O que pode dar muito certo e o que pode dar muito errado
Potenciais ganhos estruturais do “modelo carteira + markets”
- Menos fricção: entra com o que já está na carteira e executa rápido.
- Produto social: chat e narrativa criam retenção (tempo de tela). phantom.com
- Nova avenida de receita (para o ecossistema): fees/spreads, parcerias, novos fluxos.
Riscos reais (e por que isso exige gestão de risco)
- Risco de perder 100% do valor alocado em um evento, especialmente se você compra “tarde” ou com pouca liquidez.
- Liquidez e slippage: mercados pequenos podem “pular” preço e te punir na entrada/saída.
- Risco regulatório: mudanças podem restringir mercados, estados/países, categorias (esportes é o ponto mais quente hoje).
- Risco comportamental: produto com cara de “feed” pode incentivar overtrading (muitas operações pequenas que somam um grande prejuízo).
Como usar esse tema para conteúdo “mundo real” (sem repetir e sem hype)
Se você quer pautas originais em cima desse assunto, aqui vão ângulos que fogem do óbvio:
- “Carteiras cripto viram Bloomberg/Reddit/Corretora ao mesmo tempo: por que o chat é a feature mais perigosa (e mais poderosa)”
- “CFTC vs estados: por que sports contracts viraram a linha vermelha da regulação”
- “Event contracts são opções binárias? O que muda quando isso entra numa wallet”
- “Tokenized positions: o que é onchain e o que é ‘referência’ (riscos de arquitetura)”
FAQ
Prediction markets na Phantom são a mesma coisa que DeFi?
Não. A Phantom está oferecendo posições tokenizadas que referenciam mercados de eventos da Kalshi; não é simplesmente um AMM/DeFi nativo para esses eventos.
É regulado?
A Kalshi afirma operar sob supervisão da CFTC (no anúncio) mas existe disputa e litígio em alguns estados, especialmente envolvendo contratos de esportes.
Posso usar no Brasil?
A Phantom afirma que prediction markets não estão disponíveis em todas as jurisdições e que o produto pode sofrer mudanças regulatórias. O acesso depende da sua localização e das políticas aplicáveis.
Quais são os principais riscos para o usuário?
Volatilidade do preço do contrato, liquidez limitada, custos/fees, risco regulatório e a possibilidade de perder todo o valor alocado se a previsão estiver errada.
Isso substitui investir em cripto/Bitcoin?
Não. É outro tipo de risco: eventos e contratos binários têm dinâmica própria e, na prática, podem se comportar mais como “trading tático” do que investimento.
Conclusão (com CTA)
A integração Phantom + Kalshi é um marco porque coloca mercados de previsão (event contracts) no lugar mais “distribuído” do cripto: a carteira. Isso acelera a convergência entre onchain e mundo real, mas também puxa junto os dois grandes desafios: gestão de risco do usuário e incerteza regulatória, principalmente em categorias como esportes.



