Diversificado ou concentrado demais? O poder de iShares, Vanguard e SPDR e o espaço para ETFs de nicho

investidor analisando ouro em ETF e prata como hedge na carteira em 2025

Três gestoras concentram quase 60% de todos os ativos em ETFs no mundo. Entenda o impacto de iShares, Vanguard e SPDR dominarem o mercado – e como emissores de nicho disputam fluxo com ETFs temáticos.


Introdução

Quando você compra um ETF “genérico” de S&P 500, Treasuries ou MSCI World, é bem provável que o emissor seja sempre um destes três nomes:

  • iShares (BlackRock)
  • Vanguard
  • SPDR (State Street)

Segundo a ETFGI, esses três provedores concentram cerca de 59,6% de todos os ativos em ETFs globais, com participações de aproximadamente 28% (iShares), 21,4% (Vanguard) e 10,1% (SPDR) dentro de uma indústria que já soma US$ 19,25 trilhões e mais de 15 mil produtos.

Isso traz vantagens óbvias – custo baixo, liquidez, eficiência – mas também acende debates sobre concentração de poder, voto em assembleias e espaço para inovação.

Ao mesmo tempo, gestoras médias e pequenas encontram outro caminho: ETFs temáticos e de nicho, mais caros e específicos, para “furar a bolha” e capturar um pedaço do fluxo.


Por que iShares, Vanguard e SPDR viraram o “default” global

As razões para a dominância desses três players são relativamente simples:

  • Escala: décadas de existência, centenas de bilhões (ou trilhões) em AUM;
  • Custo: taxas muito baixas em produtos core como S&P 500, Treasuries, MSCI World;
  • Liquidez: spreads estreitos, alta negociação diária, grande presença em carteiras institucionais;
  • Marca: para o investidor comum e para o institucional, esses nomes viraram sinônimo de “ETF padrão”.

Matematicamente, isso cria uma dinâmica de retroalimentação:

  • mais fluxo → mais liquidez → mais inclusão em carteiras modelo → mais fluxo.

Não é à toa que produtos como VOO (Vanguard S&P 500) e IVV (iShares Core S&P 500) vivem disputando o posto de maiores ETFs do mundo, com capacidade de atrair dezenas de bilhões em poucos meses.


O lado bom da concentração para o investidor

Do ponto de vista do investidor final, há claros benefícios em usar esses gigantes:

  • Menor risco operacional: casas bem capitalizadas, com compliance robusto e longa história.
  • Eficiência de custos: economia de escala permite taxas quase “irrisórias” em muitos ETFs core.
  • Risco de liquidez reduzido: é difícil ficar “preso” em um ETF de S&P 500 da iShares ou da Vanguard.

Para quem está montando o núcleo da carteira (ações globais, renda fixa de qualidade, índices amplos), faz muito sentido priorizar produtos desses emissores.


O lado problemático: poder de voto e risco de concentração invisível

A crítica surge principalmente em dois pontos:

  • Poder de voto: se três gestoras concentram a maior parte das posições em grandes empresas, elas passam a ter um peso desproporcional em assembleias, conselhos e decisões estratégicas das companhias.
  • Concentração “disfarçada”: muitos investidores acreditam que, por terem vários ETFs, estão super diversificados – mas na prática carregam exposição enorme às mesmas mega caps de tech/IA dentro de diferentes índices e produtos.

Em outras palavras: você pode ter 10 ETFs na carteira e, ainda assim, estar lotado nas mesmas 10 empresas.

Esse é um risco mais de estratégia do que de produto, mas a concentração de emissores certamente intensifica o efeito.


Como gestoras de nicho usam ETFs temáticos para disputar fluxo

Enquanto os gigantes dominam o “feijão com arroz” (S&P 500, MSCI World, Treasuries, agregados globais), casas menores encontraram outra avenida:

  • ETFs temáticos de IA específica, como infraestrutura de data centers, semicondutores de nicho, cibersegurança;
  • ETFs de commodities e metais (cobre, urânio, metais industriais) ligados à transição energética;
  • estratégias de renda via covered calls, buffer, option income;
  • temáticos de setores como defesa, longevidade, biotecnologia, Web3 etc.

Esses produtos:

  • cobram taxas mais altas, justamente porque não competem diretamente com os cores de iShares/Vanguard/SPDR;
  • oferecem uma tese “sexy”, que conversa com narrativas em alta (IA, energia limpa, defesa, cripto);
  • funcionam como ferramentas para investidores que querem adicionar sabor à carteira.

O trade-off:

  • mais potencial de diferenciação;
  • mais risco de liquidez limitada, concentrações extremas e ciclos curtos de moda.

Como equilibrar gigantes e nichos na sua carteira

Uma forma prática de usar essa dinâmica a seu favor:

  • Use iShares/Vanguard/SPDR para o núcleo de exposição (ex.: S&P 500, global ex-US, renda fixa global).
  • Use emissores de nicho apenas para pequenas apostas temáticas, com tamanho de posição bem limitado.
  • Evite empilhar muitos temáticos sobre os mesmos nomes (ex.: três ETFs diferentes que, na prática, só compram as mesmas big techs de IA).
  • Avalie sempre custo vs. valor agregado: pagar taxa alta para comprar as mesmas 10 ações que um ETF barato já oferece não faz sentido.

A diversificação real vem mais de combinar geografias, classes de ativo e fatores do que de colecionar tickers bonitos.


Perguntas frequentes sobre concentração em grandes emissores de ETFs

É arriscado demais usar só ETFs da iShares/Vanguard na carteira?
Risco de produto é baixo, mas o risco está em você replicar demais as mesmas exposições. Ter apenas grandes índices americanos pode te deixar concentrado em um país, um estilo (growth/tech) e meia dúzia de empresas.

Faz sentido usar apenas ETFs de emissores pequenos para “fugir dos gigantes”?
Também não é o ideal. Emissores pequenos podem ter mais risco de liquidez e dependem de narrativas específicas. O caminho mais equilibrado é usar gigantes para o core e nichos para a borda da carteira.

ETFs de nicho sempre são mais caros. Isso é um problema?
Custo mais alto é aceitável se o valor agregado for real: acesso a um tema específico, exposição diferenciada, estratégia estruturada. O problema é pagar caro por algo que não entrega nada diferente de um índice barato.

Os grandes emissores podem “quebrar” o mercado por causa da concentração?
É pouco provável em termos de colapso, mas há debates sérios sobre o impacto de voto, governança e precificação. Como investidor individual, o seu foco principal deve ser não se deixar levar por falsa sensação de mega diversificação.

Vale a pena escolher ETF só pela marca do emissor?
Marca importa, mas não é tudo. Olhe também para índice, metodologia, taxa, liquidez e encaixe na sua carteira. Um ETF de nicho bem construído pode ser mais útil do que um ETF “genérico” de enorme emissor – desde que usado na dose certa.


Conclusão

O mundo dos ETFs hoje é, de um lado, extremamente concentrado em poucos emissores globais, e, de outro, fermentado por uma explosão de produtos de nicho.

iShares, Vanguard e SPDR respondem por quase 60% de todos os ativos, oferecendo eficiência, custo baixo e liquidez. Ao redor deles, gravita um universo de gestoras que apostam em temáticos e estratégias diferenciadas para disputar atenção e fluxo.

Para o investidor, isso é uma boa notícia – desde que venha com consciência:

  • gigantes para construir o esqueleto da carteira;
  • nichos para trazer nuance, e não para virar o prato principal;
  • foco em risco real, não em contagem de tickers.

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