ETFs ativos em 2025: o que você realmente está comprando ao fugir dos fundos tradicionais

ETFs ativos em 2025 somam mais de US$ 1,8 trilhão e vivem um boom histórico. Entenda por que gestores estão migrando do fundo tradicional para o ETF ativo e o que isso muda para o investidor.


Introdução

Durante anos, a narrativa dominante era simples: ETF é passivo, fundo é ativo.

Em 2025, essa fronteira praticamente desapareceu.

Segundo a ETFGI, os ETFs ativos alcançaram cerca de US$ 1,82 trilhão em ativos no fim de outubro, com US$ 523,5 bilhões de entradas só em 2025 e 67 meses seguidos de fluxo positivo, um crescimento de mais de 55% em relação a 2024.

Na prática, a gestão ativa não morreu – ela apenas mudou de embalagem: saiu do fundo tradicional com liquidez D+30 e taxa cheia, e migrou para o formato ETF, com negociação em bolsa, mais transparência e, muitas vezes, custo menor.

O objetivo deste artigo é te mostrar:

  • por que esses produtos estão crescendo tanto;
  • quem são os principais players;
  • e como um investidor brasileiro pode se beneficiar sem confundir sofisticação com “milagre de performance”.

Por que a gestão ativa está migrando para o formato ETF

Vantagens para o gestor

Do lado das gestoras, o ETF ativo oferece:

  • distribuição mais simples: entra direto no home broker, sem depender só de plataformas de fundos;
  • escala global: o mesmo produto pode ser distribuído em múltiplos mercados;
  • percepção de modernidade: muitos investidores associam ETF a eficiência e transparência.

Além disso, em mercados como o americano, há pressão forte por redução de taxa. Colocar a mesma estratégia em ETF permite:

  • custo levemente menor do que no fundo;
  • maior competição com ETFs passivos – sem abrir mão do mandato ativo.

Vantagens para o investidor

Para quem investe, os principais pontos positivos são:

  • Liquidez intraday: você compra e vende o ETF ativo durante o pregão, como uma ação.
  • Transparência: muitos ETFs ativos divulgam carteira com frequência maior que fundos tradicionais.
  • Custo: embora ainda mais caros que ETFs passivos amplos, costumam ser menos caros que muitos fundos ativos equivalentes.

O trade-off é claro:

  • você abre mão da taxa ultra-baixa de um ETF passivo;
  • em troca, aposta na capacidade de um gestor entregar um retorno melhor, com processos mais flexíveis.

Quem são os gigantes dos ETFs ativos hoje

Nos dados consolidados da ETFGI, três nomes se destacam como maiores provedores globais de ETFs ativos:

  • Dimensional Fund Advisors – cerca de US$ 243 bilhões;
  • JPMorgan Asset Management – por volta de US$ 240 bilhões;
  • iShares (BlackRock) em terceiro lugar, completando um top 3 responsável por mais de 30% de todo o AUM em ETFs ativos.

O interessante é notar o perfil desses players:

  • Dimensional vem de uma tradição de factor investing (value, size, profitability) e migrou estratégias históricas de fundo para ETFs ativos, com foco em fatores;
  • JPMorgan usa ETFs ativos para entregar soluções de crédito, multi-estratégia e mesmo “core” de ações com overlay tático;
  • iShares, que domina o mundo dos ETFs passivos, também aposta em linhas ativas para complementar o portfólio.

Isso mostra que ETFs ativos deixaram de ser “brincadeira de nicho”. Estamos falando de casas grandes, com décadas de histórico e bilhões sob gestão.


O que o investidor está realmente comprando quando escolhe ETFs ativos

Ao optar por um ETF ativo, você não está comprando “um ETF qualquer”. Está comprando:

  • o processo de investimento de uma gestora;
  • a disciplina de risco e alocação daquele time;
  • e um mandato mais flexível, que pode se afastar do índice de referência.

Algumas perguntas que vale fazer antes de entrar:

  • Qual é o benchmark implícito do ETF (por exemplo, S&P 500, MSCI World, Bloomberg Agg)?
  • A estratégia é concentrada ou bem diversificada?
  • Há histórico da mesma abordagem em outro veículo, como um fundo tradicional?
  • Qual é o tracking error típico e a volatilidade esperada?

Para o investidor brasileiro olhando BDRs de ETFs ativos, a lógica é a mesma: entender qual “cérebro” e qual processo você está contratando.


Vantagens e armadilhas dos ETFs ativos para o brasileiro

Pontos positivos:

  • possibilidade de acessar, em uma única cota, estratégias globais sofisticadas de ações e renda fixa;
  • potencial de diversificar além do óbvio (S&P 500 puro), usando fatores, crédito, multissetorial;
  • uso como peça complementar em uma carteira que já tem blocos passivos.

Riscos e armadilhas:

  • confiar demais no selo da gestora sem olhar o mandato concreto;
  • pagar taxa relativamente alta por uma estratégia que, na prática, não entrega algo muito diferente de um índice barato;
  • usar ETF ativo como se fosse “day trade de fundo”, girando demais a carteira.

Gestão ativa continua sendo gestão ativa: tem períodos de underperformance, risco de decisões ruins e nenhuma garantia de “bater o mercado”.


Perguntas frequentes sobre ETFs ativos em 2025

ETF ativo é melhor que fundo tradicional?
Depende do caso. Em geral, o ETF ativo oferece mais liquidez e transparência, com taxas competitivas. Mas tudo depende da estratégia específica, do gestor e de como o produto está estruturado.

Vale a pena trocar meus fundos de ações por ETFs ativos globais?
Pode fazer sentido como diversificação, mas não precisa ser “troca total”. Você pode combinar fundos locais com ETFs ativos globais, desde que entenda o risco de moeda, a exposição setorial e não sobreponha demais teses iguais.

ETFs ativos são tão arriscados quanto ações?
Eles investem em ações, bonds e outros ativos – então o risco de mercado continua lá. A diferença é que um gestor ativo tenta controlar e usar esse risco a favor. Ainda assim, não existe proteção contra perdas.

Como escolher um ETF ativo em meio a tantas opções?
Olhe para: histórico da gestora, clareza da estratégia, consistência de resultados no tempo, custos e liquidez. Use o mesmo filtro que você usaria para avaliar um fundo grande – só que agora no formato ETF.

ETFs ativos podem substituir completamente ETFs passivos na carteira?
Até podem, mas não é necessariamente eficiente. Em muitos casos, faz sentido ter um núcleo passivo barato e usar ETFs ativos como satélites para buscar retornos adicionais.


Conclusão

Os números de 2025 deixam uma mensagem clara: ETFs ativos vieram para ficar. Com mais de US$ 1,8 trilhão em ativos e 67 meses de entradas líquidas, eles deixaram de ser curiosidade e se tornaram pilar importante da indústria de gestão no mundo.

Para o investidor brasileiro, isso abre oportunidades reais de:

  • acessar estratégias globais de alto nível;
  • diversificar o risco Brasil;
  • e fugir de alguns fundos caros e pouco transparentes.

Mas continua valendo a mesma regra de sempre: produto não substitui processo. Um ETF ativo não é garantia de genialidade – é só um veículo mais eficiente para embalar uma tese de investimento.

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