ETFs ativos bateram recorde de US$ 1,82 trilhão em ativos e mais de US$ 523 bilhões em entradas em 2025. Entenda por que a gestão ativa está migrando para ETFs, vantagens, riscos e como avaliar a qualidade desses fluxos.
O novo tamanho dos ETFs ativos no mercado global
Em 2025, ETFs ativos deixaram oficialmente de ser nicho. Segundo a consultoria ETFGI, os ETFs de gestão ativa somaram cerca de US$ 1,82 trilhão em ativos no fim de outubro, após crescerem mais de 55% no ano e registrarem US$ 523 bilhões em entradas 67 meses seguidos de fluxo positivo.
Isso acontece dentro de uma indústria de ETFs que, no total, já passa de US$ 19,25 trilhões em ativos, com US$ 1,82 trilhão de inflows no ano e 77 meses seguidos de entradas líquidas.
Ou seja: o dinheiro não está apenas indo para “ETF de índice passivo”, mas também para estratégias ativas embaladas em formato ETF.
ETF ativo x fundo tradicional: o que muda na prática
Na essência, um ETF ativo é um fundo gerido por um gestor que toma decisões discricionárias (compra/venda) como qualquer fundo de ações ou multimercado mas com:
- negociação em bolsa, em tempo real;
- estrutura de custos geralmente mais enxuta que a de fundos tradicionais comparáveis;
- maior transparência (muitos ETFs ativos divulgam carteira diariamente ou com defasagem curta).
Principais vantagens em relação a fundos tradicionais:
- Acesso: em vez de depender de plataforma específica, você compra o ETF ativo na corretora, como uma ação;
- Liquidez: possibilidade de entrar e sair ao longo do pregão, sem D+30 de resgate;
- Custo: não raro, taxas menores que fundos de mesmo mandato.
Mas há riscos e cuidados:
- nem todo ETF ativo tem boa liquidez diária;
- alguns produtos são extremamente complexos (derivativos, crédito exótico, estratégias de opções);
- performance passada continua não sendo garantia de resultado futuro.
Nem todo fluxo é igual: como ler a “qualidade” do dinheiro nos ETFs ativos
Olhar apenas o número bruto “entrou US$ X bilhões em ETFs ativos” esconde nuances importantes:
- parte dos fluxos vem de investidor institucional reciclando mandatos (saindo de fundos caros e indo para ETFs ativos mais baratos, mas com mesma casa gestora);
- outra parte é varejo sofisticado, buscando estratégias táticas (fatores, crédito, duration, setores específicos) com custo menor;
- há também dinheiro “de moda”, correndo para ETFs ativos de IA, temáticos e estratégias mais arriscadas.
Algumas perguntas ajudam a avaliar a qualidade desse fluxo:
- O ETF ativo é “core” de carteira (mandato amplo, diversificado) ou é produto tático altamente concentrado?
- A casa gestora é reconhecida naquela estratégia ou apenas surfou um tema da moda?
- O crescimento veio acompanhado de liquidez consistente ou de poucos dias de volume anômalo?
Nos dados da ETFGI, por exemplo, uma fatia relevante das entradas vai para ETFs ativos de renda fixa de qualidade (municipal bonds, crédito corporativo, total bond), usados por institucionais para ajustar risco de juros.
Como o investidor brasileiro pode usar ETFs ativos com responsabilidade
Para o investidor brasileiro, há três frentes principais:
- Exposição internacional via BDRs de ETFs ativos globais;
- ETFs ativos listados no Brasil (ainda um universo menor, mas em crescimento);
- uso combinado de fundos tradicionais + ETFs ativos para equilibrar custo, liquidez e simplicidade.
Boas práticas:
- usar ETFs ativos “core” para compor parte relevante da carteira global (ex.: renda fixa global, ações globais com mandato flexível), desde que o produto seja consistente;
- evitar transformar ETF ativo temático em aposta gigante tratar como satélite, não como núcleo;
- olhar com atenção taxa, histórico de drawdown, liquidez diária e tamanho do fundo.
FAQ sobre ETFs ativos
ETFs ativos são melhores que fundos tradicionais?
Não existe “melhor” absoluto. ETFs ativos costumam oferecer custo menor, mais liquidez e transparência, mas é a combinação de gestor, estratégia e preço que determina se vale a pena. Alguns fundos tradicionais ainda podem fazer sentido em nichos específicos.
ETFs ativos são mais arriscados que ETFs passivos?
Depende da estratégia. Um ETF ativo de renda fixa conservadora pode ser menos arriscado que um ETF passivo de small caps. O que define o risco é o mandato, não apenas o rótulo ativo/passivo.
Vale trocar meus fundos multimercado por ETFs ativos?
Pode fazer sentido em alguns casos, mas não é movimento automático. É preciso comparar: estratégia, histórico (com senso crítico), correlação com o restante da carteira e, principalmente, custo total.
ETFs ativos servem para curto prazo?
Em geral, são pensados para médio e longo prazo. Comprar e vender ETF ativo como se fosse trade de curto prazo aumenta custo operacional e pode transformar uma boa ferramenta em um comportamento especulativo.
Conclusão
ETFs ativos deixaram de ser curiosidade e se tornaram peça importante na arquitetura do mercado global. O formato junta vantagens de ETFs (liquidez, transparência, custo) com a possibilidade de gestão ativa.
Para o investidor, isso amplia o cardápio, mas também exige mais responsabilidade na escolha. Fluxos recordes não significam automaticamente oportunidade é preciso entender a cabeça por trás da gestão, o risco assumido e o papel daquela posição dentro da carteira.



