ETFs de ouro em 2025: como usar metais preciosos via ETF para proteger sua carteira

ETFs de ouro e outros metais preciosos voltaram ao centro do jogo em 2025. Entenda como funcionam, vantagens, riscos e como usar esses ETFs como hedge responsável na carteira.

Por que ETFs de ouro voltaram a ganhar tanto fluxo em 2025

Depois de alguns anos em que juros altos tiraram brilho dos metais preciosos, 2025 marcou um retorno forte do ouro como proteção de portfólio. Os ETFs de ouro registraram cerca de US$ 38 bilhões em entradas apenas no primeiro semestre de 2025, o maior fluxo em seis meses desde 2020, elevando as reservas globais desses fundos para mais de 3.600 toneladas.

O pano de fundo é conhecido:

  • incerteza geopolítica e comercial;
  • discussões sobre ciclos de juros mais baixos;
  • busca por diversificação fora de ações e títulos tradicionais.

Em vez de comprar barra ou moeda física, muitos investidores – institucionais e de varejo – estão preferindo ETFs de ouro: veículo listado, liquidez alta e simplicidade operacional.

Como funcionam os ETFs de ouro na prática

Os ETFs de ouro mais tradicionais são fundos fisicamente lastreados:

  • o fundo compra ouro físico e guarda em custodiantes;
  • cada cota representa uma fração desse estoque;
  • o preço do ETF acompanha, com pequena diferença, o preço do ouro no mercado internacional.

Principais vantagens:

  • Entrada com pouco capital, sem precisar comprar grandes quantidades de ouro;
  • Liquidez de bolsa, com possibilidade de comprar e vender no intraday;
  • Menos burocracia de armazenamento, transporte e seguro.

Riscos que o investidor precisa entender:

  • Risco de preço: o ouro é volátil – pode cair forte mesmo em ambiente de incerteza;
  • Risco de taxa: o ETF cobra taxa de administração, que corrói um pouco do retorno ao longo do tempo;
  • Risco de câmbio: para o brasileiro, o ETF de ouro em dólar (direto ou via BDR) combina ouro + variação do dólar.

Antes de decidir, vale analisar se a exposição faz sentido para o seu horizonte de tempo e tolerância a risco, e não tratar o ouro como “ativo milagroso”.

ETFs de prata e outros metais: oportunidade ou exagero?

Em 2025, a prata virou protagonista: o metal ultrapassou US$ 60 por onça pela primeira vez, mais que dobrando de preço no ano, impulsionada por demanda industrial (eletrônicos, IA, energia solar, carros elétricos) e por investidores buscando “ouro do pobre”.

Essa combinação colocou ETFs de prata e de metais industriais entre os destaques de performance e fluxo global.

Mas aqui o risco é ainda maior que no ouro:

  • a prata é muito mais volátil;
  • depende fortemente de ciclos industriais e de commodities;
  • pode sofrer correções violentas quando o mercado reprecifica crescimento global ou política monetária.

Outros metais via ETF – como cobre, platina e cestas de metais industriais – funcionam como aposta estrutural em IA, transição energética e reindustrialização, mas também carregam risco de ciclo de commodities.

Como usar ETFs de ouro e metais preciosos dentro da carteira

Um jeito prudente de usar ETFs de ouro é tratá-los como hedge tático e estrutural:

  • porcentagem pequena da carteira total (por exemplo, algo entre 5% e 10% para muitos perfis – não é regra, é referência conceitual);
  • foco em proteção em cenários de choque: crise geopolítica, stress financeiro, dúvidas fiscais;
  • horizonte de médio e longo prazo, sem ficar refazendo trade a cada movimento de curto prazo.

Para ETFs de prata e metais industriais, a abordagem costuma ser ainda mais conservadora:

  • parcela menor que a do ouro;
  • visão clara de que é uma aposta em “história macro” (IA, energia limpa, reindustrialização);
  • aceitação de volatilidade alta e possibilidade de perdas relevantes.

Em todos os casos, é importante:

  • integrar a posição com o restante da alocação (ações, renda fixa, caixa);
  • evitar concentrar demais em um único tema ou metal;
  • respeitar um plano de gestão de risco (tamanho da posição, horizonte, quando rebalancear).

FAQ sobre ETFs de ouro e metais preciosos

ETFs de ouro são investimento seguro?
Não existe investimento totalmente seguro. ETFs de ouro reduzem riscos operacionais do ouro físico, mas o preço do metal pode cair bastante em certos períodos. Eles podem ajudar a proteger a carteira, mas também trazem volatilidade.

O que é melhor: ouro físico ou ETF de ouro?
Para a maioria dos investidores, ETF de ouro oferece mais praticidade, liquidez e menor custo de armazenamento. Ouro físico pode fazer sentido em estratégias específicas (patrimônio muito alto, uso fora do sistema financeiro, questões pessoais), mas exige cuidados de custódia.

Quanto colocar em ETFs de ouro na carteira?
Depende do perfil e dos objetivos. Muitos estudos sugerem faixas moderadas de exposição a ouro como diversificador, mas não existe porcentagem “mágica”. O ponto chave é não transformar o hedge em aposta principal.

Vale a pena investir em ETFs de prata ou outros metais?
Pode valer para quem tem perfil mais arrojado e entende a dinâmica de commodities. Mas a volatilidade é alta e os ciclos podem ser longos. Para iniciantes, é mais prudente começar pelo ouro.

O câmbio impacta meu investimento em ETFs de ouro?
Sim. Se o ETF estiver atrelado a ouro em dólar, você fica exposto ao metal e à variação do dólar contra o real. Em momentos de stress, isso pode amplificar ganhos – e, em cenários de real forte, reduzir retornos.

Conclusão

ETFs de ouro e outros metais preciosos voltaram ao centro da conversa em 2025, com fluxos recordes e narrativa forte de proteção em um mundo mais instável. Eles são ferramentas poderosas para diversificar risco e reduzir a dependência apenas de ações e renda fixa tradicional.

Mas isso não os transforma em ativos “mágicos”: existe risco de preço, de câmbio e de timing ruim de entrada. Usados com moderação, dentro de um plano de alocação coerente, podem ser aliados importantes. Usados como “all-in da moda”, podem gerar frustração.

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