ETFs de infraestrutura de IA e de cobre estão bombando em 2025. Entenda a tese, os riscos e como o investidor pode se expor sem virar refém do hy
Se você acha que investir em inteligência artificial é só comprar big tech e pronto, está deixando metade da história fora do radar. Em 2025, uma parte importante do dinheiro está indo para ETFs de infraestrutura de IA: data centers, semicondutores, energia, redes e… metais como o cobre.
Enquanto o mercado discute “qual modelo de IA é melhor”, os fluxos mostram outra narrativa: a corrida para construir a infraestrutura física que vai sustentar essa revolução. Ao mesmo tempo, o cobre sobe cerca de 30 a 35% no ano e se aproxima de US$ 12.000 por tonelada, impulsionado por IA, carros elétricos e transição energética.
Neste artigo você vai entender:
- por que ETFs de infraestrutura de IA viraram alvo de fluxo;
- como ETFs de cobre e metais entram na mesma tese;
- e, principalmente, como um investidor brasileiro pode se posicionar sem cair na armadilha do “tema da moda” a qualquer preço.
Por que falar de ETFs de infraestrutura de IA agora
A narrativa de IA saiu do PowerPoint e foi para o CAPEX.
Dados recentes mostram que o capex global em data centers cresceu mais de 50% ano contra ano, impulsionado por hyperscalers como Microsoft, Amazon, Google e Meta ampliando clusters dedicados a IA.
Isso criou três vetores claros de demanda:
- Semicondutores: GPUs, chips especializados e toda a cadeia de componentes;
- Infraestrutura física de dados: data centers, redes, fibra, nuvem;
- Energia e metais: mais capacidade elétrica, cabos, transformadores, cobre e alumínio.
O investidor que entende isso começa a olhar para além de “AI ETF com big tech” e busca ETFs de infraestrutura de IA, que combinam:
- empresas de semicondutores;
- REITs de data center;
- utilities e infraestrutura elétrica;
- fornecedores de hardware e redes.
É a lógica do “pick and shovel”: em vez de apostar em quem vai ganhar a corrida do ouro (as big techs e modelos de IA), você compra quem vende pá, picareta, cabo, energia e cimento para todo mundo.
O que são ETFs de infraestrutura de IA na prática
Na prática, quando falamos de ETFs de infraestrutura de IA, estamos olhando para cestas que, normalmente, misturam:
Semicondutores
- Fabricantes de chips, GPUs e componentes críticos;
- Expostos diretamente à demanda por computação de alta performance.
Data centers e nuvem
- REITs e empresas que constroem, operam ou alugam infraestrutura de data center;
- Beneficiam-se de contratos de longo prazo e da explosão de demanda por capacidade de IA.
Energia e utilities
- Empresas que fornecem eletricidade, redes e soluções de transmissão;
- IA é intensiva em energia tanto para treinar modelos quanto para rodar inferência em escala.
Equipamentos industriais
- Fabricantes de hardware de rede, sistemas de refrigeração, baterias e infraestrutura de suporte.
Esses ETFs tendem a ser setorialmente diversificados, mas ainda assim carregam alta correlação com tecnologia e ciclos de investimento em IA.
Para o brasileiro, o acesso costuma vir via:
- ETFs listados no exterior (conta em corretora internacional);
- BDRs de ETFs na B3 que replicam índices de semicondutores, tecnologia ou infraestrutura global;
- fundos locais que “embalam” esses ETFs lá fora.
Cobre e metais industriais: o outro lado da mesma tese
Aqui entra o “plot twist”. IA não mexe só com valuations de tech, mas também com o mercado de commodities metálicas.
Relatórios recentes mostram que:
- o cobre subiu quase 35% em 2025, chegando perto de US$ 12.000 por tonelada;
- parte dessa alta vem de data centers para IA e da transição energética (veículos elétricos, redes, renováveis);
- há previsões de déficit de oferta já em 2025 a 2026, com grandes minas enfrentando problemas e cortes de produção.
Isso se traduz em:
- ETFs físicos de cobre disparando em performance alguns produtos chegaram a quase 40 a 50% de alta no ano;
- ETFs de mineração e metais entre os destaques de retorno, principalmente os focados em cobre, ouro e metais ligados à transição energética.
Para o investidor, esses ETFs são uma forma de:
- capturar a tese de IA + energia limpa via “insumos físicos”;
- diversificar risco em relação a empresas de software, que podem sofrer mais com revisões de crescimento e margens.
Mas é crucial lembrar: commodities são cíclicas. O mesmo cobre que sobe 35% num ano pode corrigir forte no seguinte se:
- o crescimento global desacelerar;
- a China reduzir demanda;
- novos projetos de mineração entrarem em operação.
Como o investidor brasileiro pode se expor sem virar refém do hype
Em vez de all-in em qualquer ETF com “AI” no nome, faz mais sentido pensar em papéis claros dentro da carteira:
Camada core (base)
- Índices amplos: S&P 500, global, developed ex-US, etc.;
- Renda fixa global ou em dólares (via ETFs ou fundos).
Camada temática moderada
- Uma fatia pequena da carteira em ETFs de infraestrutura de IA;
- Outra fatia em ETFs de metais/mineração que se beneficiam da mesma tendência.
Alguns pontos práticos de gestão de risco:
- Definir limite de exposição temática (por exemplo, 5 a 15% do patrimônio, dependendo do perfil).
- Não concentrar tudo em um único ETF super nichado; combinar infraestrutura de IA + metais com outros temas.
- Lembrar que, apesar da narrativa “estrutural”, preço é cíclico. Entradas graduais (aportes ao longo do tempo) tendem a ser menos arriscadas que um aporte único no topo.
Principais riscos e armadilhas
Mesmo com tese forte, os riscos são grandes:
- Concentração setorial: muitos ETFs de infraestrutura de IA ainda são pesados em tech e semi.
- Valuations esticados: múltiplos altos, muito otimismo embutido nos preços.
- Correlação alta: em momentos de estresse, tech, IA, semi e metais podem cair juntos.
- Risco regulatório e político: transição energética, tarifas e regras de mineração podem mudar o cenário.
- Risco de liquidez: ETFs muito nichados podem ter spreads maiores e menos profundidade de book.
Para quem vem do mundo de cripto, binárias ou day trade, é fácil olhar esses ETFs e pensar “isso é mais tranquilo”. Mas, se o tamanho da posição for exagerado, o risco de drawdown continua grande.
FAQ Perguntas frequentes sobre ETFs de infraestrutura de IA e cobre
Vale a pena investir em ETFs de infraestrutura de IA em 2025?
Pode fazer sentido como complemento de uma carteira diversificada, não como peça central. A tese de IA é estrutural, mas os preços já embutem muito otimismo. Para a maioria, o melhor é limitar a exposição e entrar gradualmente, com visão de longo prazo e consciência da volatilidade.
Qual a diferença entre ETFs de IA “pura” e ETFs de infraestrutura de IA?
Os ETFs de IA “pura” normalmente concentram big tech, software e empresas diretamente ligadas a modelos de IA. Já os de infraestrutura de IA focam na cadeia física: chips, data centers, energia, redes. Eles podem se beneficiar da mesma tendência, mas com drivers de receita e riscos diferentes.
Como o cobre entra na história da inteligência artificial?
Data centers de IA são intensivos em energia e eletricidade. Isso requer muitos cabos, transformadores e infraestrutura elétrica, onde o cobre é insumo essencial. Além disso, a mesma transição energética que demanda IA (otimização de redes, carros elétricos, renováveis) também puxa a demanda por metais.
É melhor investir em ETFs físicos de cobre ou em ETFs de mineradoras?
Depende do objetivo.
- ETFs físicos de cobre seguem mais de perto o preço da commodity.
- ETFs de mineradoras embutem alavancagem operacional, gestão, risco de projetos, política de dividendos.
Em cenários de alta forte, mineradoras tendem a reagir mais, mas também sofrem mais na queda.
Como controlar o risco de investir em ETFs temáticos de IA e metais?
Alguns princípios:
- limitar o percentual da carteira exposto a temas;
- diversificar entre diferentes temas e regiões;
- evitar concentrar tudo em produtos muito nichados ou de baixa liquidez;
- ter clareza de horizonte de tempo (não é produto para trade emocional de curto prazo).
Conclusão
Os ETFs de infraestrutura de IA e os ETFs de cobre e metais são, na prática, dois lados da mesma moeda: a monetização da corrida por capacidade de computação e por transição energética.
Os fluxos de 2025 mostram que o mercado já entendeu isso tanto em capital indo para semicondutores e data centers quanto para metais usados em redes, renováveis e veículos elétricos.
Para o investidor brasileiro, a grande vantagem é poder acessar essas teses via ETFs, sem precisar escolher ação por ação ou mineradora por mineradora. A armadilha é achar que, só porque está dentro de um ETF, o risco desaparece. Não desaparece. Ele é apenas empacotado de outra forma.



