Por que os ETFs de ouro voltaram a bombar em 2025 e como usá-los como “seguro” da carteira

comparação entre ouro físico, ETFs de ouro e ações de mineradoras

Entenda por que os ETFs de ouro bateram recorde de fluxo em 2025, como eles funcionam como proteção de carteira e quais os riscos de investir em ouro e em ETFs de metais e mineração.

O ouro voltou para o centro do palco em 2025. Enquanto juros, inflação “grudada” e tensões geopolíticas deixam o investidor desconfortável, os ETFs de ouro registram os maiores fluxos desde a pandemia, com AUM e toneladas de metal em máximas históricas.

Mas até que ponto esse movimento faz sentido? E como encaixar ouro e outros ETFs de metais e mineração como parte de uma estratégia de proteção, sem cair na ilusão de que ele “sempre sobe em crise”?

Neste artigo, vamos direto ao ponto:

  • por que os ETFs de ouro estão recebendo tanto dinheiro em 2025;
  • diferenças práticas entre ouro físico, ETF de ouro e ações de mineradoras;
  • o boom de ETFs de metais e mineração ligados à transição energética;
  • riscos de ciclicidade e armadilhas de timing.

Ouro em alta: o que está por trás do recorde nos ETFs de ouro

Dados do World Gold Council mostram que 2025 marca uma reversão de tendência: depois de anos de saídas, os ETFs de ouro voltaram a registrar entradas fortes, com fluxos trimestrais e semestrais comparáveis apenas a 2020 auge da incerteza na pandemia.

Os drivers principais:

  • Medo macro
    • incerteza sobre o ritmo de cortes de juros;
    • inflação que recua, mas não volta “tranquilamente” para a meta em várias economias;
    • risco geopolítico persistente (guerras, tarifas, eleições).
  • Busca por diversificação real
    • parte dos investidores percebe que ter só bolsa e renda fixa não basta;
    • ouro, historicamente, tem correlação baixa ou até negativa com ações em momentos de estresse prolongado.
  • Acesso facilitado via ETFs de ouro
    • não é preciso lidar com custódia física, seguro ou compra de barras;
    • compra e venda em home broker, com ticker, como qualquer outro ETF.

O resultado é um ciclo de “retroalimentação”: fluxo entra, o preço do ouro sobe, o desempenho chama mais atenção e mais dinheiro entra.


Ouro físico, ETF de ouro ou ações de mineradoras: o que muda na prática?

Antes de decidir, vale separar as três formas mais comuns de exposição:

Ouro físico

  • barras, moedas ou certificados com lastro direto no metal;
  • custo de armazenamento, seguro e logística;
  • maior fricção para comprar/vender, mas máximo controle sobre o ativo.

ETFs de ouro

  • fundos listados que compram ouro físico e emitem cotas lastreadas no metal;
  • permitem investir pequenas quantias com liquidez de bolsa;
  • tracking relativamente fiel ao preço do ouro (descontadas taxas).

Para o investidor comum, ETFs de ouro são o jeito mais prático de usar o metal como hedge, inclusive via BDRs no Brasil.

Ações de mineradoras e ETFs de mineração

  • exposição indireta: você compra empresas, não o metal;
  • mais volatilidade: resultado operacional, custos, projetos e alavancagem contam muito;
  • em ciclos de alta, mineradoras tendem a subir mais que o ouro; em ciclos de baixa, podem cair bem mais.

Regra geral:

  • hedge puro → ETF de ouro;
  • aposta mais agressiva no ciclo de commodities → ETFs de mineração/metalúrgicas.

Como usar ETFs de ouro como “seguro” da carteira sem exagero

Ouro costuma funcionar melhor como seguro parcial, não como “salvador da pátria” da carteira. Alguns princípios:

  • Proporção moderada
    • posição pequena (ex.: 5 10% da carteira total) já pode ajudar a reduzir volatilidade em crises prolongadas;
    • alocações muito maiores podem distorcer a carteira, principalmente se o investidor tem horizonte de longo prazo.
  • Olhar para o todo, não só para o gráfico do ouro
    • ouro raramente bate ações globais no longuíssimo prazo;
    • o objetivo é amortecer quedas e aumentar resiliência, não “ganhar da bolsa”.
  • Aceitar que hedge também pode machucar
    • se o cenário melhora, é normal que ouro underperform;
    • faz parte: seguro de carro também “dá prejuízo” quando nada acontece.

ETFs de metais e mineração: oportunidade estrutural ou hype de commodities?

Enquanto o ouro cumpre o papel clássico de proteção, outra perna do fluxo em 2025 são os ETFs de metais e mineração ligados à reindustrialização e à transição energética: cobre, lítio, níquel, alumínio, entre outros.

Alguns drivers importantes:

  • IA e data centers
    • data centers de grande porte exigem enorme infraestrutura elétrica;
    • cobre é peça-chave em cabos, transformadores e redes.
  • Transição energética
    • carros elétricos usam muito mais cobre do que veículos a combustão;
    • redes de transmissão de energia, eólicos e solares demandam metais específicos.
  • Oferta apertada
    • acidentes em minas, baixo investimento em novos projetos e restrições ambientais pressionam o lado da oferta;
    • relatórios apontam déficit de cobre já em 2025, com ETFs físicos do metal subindo mais de 40% no ano.

Resultado: fundos setoriais de metais & mining aparecem entre os campeões de fluxo, tanto nos EUA quanto na Europa.


Riscos escondidos: ciclicidade e timing ruim

Aqui entra o alerta:

  • commodities são altamente cíclicas;
  • o setor costuma viver anos de euforia seguidos de períodos de queda forte quando a demanda desacelera ou a oferta reage.

Alguns pontos de atenção:

  • Dependência de China e crescimento global
    • surpresa negativa em atividade global pode derrubar preços rapidamente;
  • Política industrial e tarifas
    • mudanças abruptas em tarifas, subsídios ou regulações podem mudar a dinâmica de uma hora para outra;
  • Valuation esticado em pontos do ciclo
    • comprar ETFs de metais e mineração depois de +100% de alta pode ser bem diferente de entrar no início do movimento.

Por isso, esse tipo de ETF tende a fazer mais sentido:

  • como complemento tático dentro de uma carteira diversificada;
  • ou como forma de expressar uma visão macro específica (por exemplo, “acredito em ciclo forte de infraestrutura + IA por vários anos”).

Perguntas frequentes (FAQ)

ETFs de ouro são realmente seguros?
Eles reduzem alguns riscos (custódia física, logística), mas ainda carregam risco de mercado: se o preço do ouro cair, o ETF cai junto. Também existe risco de contraparte/estrutura do fundo, por isso é importante analisar emissor, regulador e custódia.

Qual porcentagem da carteira faz sentido em ETFs de ouro?
Vai depender do perfil, mas, para a maioria dos investidores, uma fatia entre 5% e 10% costuma ser o teto. É o suficiente para atuar como hedge sem transformar a carteira em uma aposta direcionada no metal.

É melhor comprar ouro físico ou ETF de ouro?
Para a maioria dos brasileiros, o ETF é mais prático: pode ser comprado pela corretora, com liquidez de bolsa e tickets menores. Ouro físico faz mais sentido para quem tem estratégia patrimonial muito específica ou preocupação extrema com risco sistêmico.

ETFs de metais e mineração são para longo prazo?
Eles podem fazer parte de uma tese de longo prazo ligada à transição energética e IA, mas ainda são altamente cíclicos. O investidor precisa aceitar períodos de drawdown relevante e não confundir tese estrutural com linha reta no preço.

Posso usar ETFs de ouro como proteção contra inflação?
Historicamente, ouro se beneficia em cenários de inflação elevada combinada com incerteza e juros reais baixos. Mas a relação não é perfeita. Ele é mais um hedge de incerteza macro do que um “indexador de inflação”.


Conclusão

Os ETFs de ouro voltaram a bombar em 2025 porque entregam exatamente o que o investidor busca em tempos turbulentos: proteção parcial, liquidez e simplicidade operacional. Ao mesmo tempo, o boom de ETFs de metais e mineração mostra que o mercado está tentando capturar a combinação de IA, transição energética e reindustrialização via commodities.

Porém, nem ouro é garantia de lucros em toda crise, nem metais vão subir para sempre. O risco de timing ruim, ciclicidade e concentrações setoriais continua existindo principalmente para quem entra após grandes altas, guiado só por manchetes de fluxo.

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