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Scott Bessent reposiciona o FSOC com foco pró-crescimento, menos regras e criação de um grupo de IA em finanças. Entenda como isso pode afetar bancos, crédito, ativos digitais e riscos sistêmicos.
Introdução: o xerife sistêmico trocou de agenda
O Financial Stability Oversight Council (FSOC) é, basicamente, o “xerife sistêmico” dos EUA:
- foi criado depois da crise de 2008 para monitorar riscos ao sistema financeiro,
- reúne Fed, SEC, FDIC, OCC, CFPB e outros reguladores na mesma mesa,
- e tem poder de apontar ameaças e sugerir (ou forçar) respostas coordenadas.
Com a chegada de Scott Bessent ao comando do Tesouro — e, por consequência, à presidência do FSOC — essa peça-chave da arquitetura regulatória americana está passando por uma mudança de foco:
- menos ênfase em “sobre-regulação preventiva”;
- mais discurso de “pró-crescimento” e alívio de regras;
- e criação de um grupo de trabalho específico sobre inteligência artificial em finanças, olhando:
- uso de IA por reguladores,
- riscos de ciberataques,
- impacto em mercados de crédito, Treasuries e outras engrenagens do sistema.
Essa guinada conversa diretamente com o universo de IA + mercado financeiro + cripto/DeFi:
- por um lado, pode abrir espaço para inovação em ativos digitais, tokenização e uso de IA;
- por outro, pode significar menos proteção contra bolhas e riscos sistêmicos, inclusive envolvendo IA e cripto.
Vamos destrinchar o que está mudando, por que isso importa e quais cenários podem surgir a partir dessa nova linha.
1. O que é o FSOC e por que ele importa tanto
Antes de falar de IA, vale entender a peça do tabuleiro. O FSOC foi criado pelo Dodd-Frank Act, em 2010, com algumas funções centrais:
- identificar riscos à estabilidade financeira dos EUA;
- coordenar reguladores diferentes (Fed, SEC, FDIC, etc.) quando um risco é sistêmico;
- recomendar medidas para reduzir esse risco, inclusive designando empresas como “systemically important” (as famosas SIFIs).
Na prática, é o órgão que:
- aponta quando uma área do mercado está virando bomba-relógio,
- e pressiona por regras mais duras ou ações conjuntas para desarmar essa bomba.
Com Bessent, essa visão sofre um “update” importante.
2. A virada “pró-crescimento” e menos regulatória de Bessent
Em cartas, discursos e no próprio relatório anual do FSOC, Bessent vem defendendo:
- reduzir excesso e duplicidade de regras,
- focar a supervisão em “riscos materiais de verdade”,
- aliviar regulações que, segundo ele, travariam crédito, competição e crescimento.
Alguns pontos dessa guinada:
- revisão de guias e frameworks mais duros adotados em anos anteriores;
- apoio a iniciativas de “tirar reputação” como motivo de punição regulatória, o que tende a facilitar certas atividades vistas como politicamente sensíveis (em alguns debates, isso inclui até cripto, armas, combustíveis fósseis, etc.);
- alinhamento com uma agenda mais liberalizante em outras agências (OCC, FDIC, etc.), buscando retirar obstáculos a mercados de capitais, fintechs e novas infraestruturas financeiras.
Críticos — como a senadora Elizabeth Warren e parte do bloco democrata na Câmara — alertam que:
- desmontar ferramentas de análise e ação sistêmica no meio de ciclos voláteis (imobiliário, crédito privado, IA, cripto) pode ser perigoso,
- e que o FSOC estaria “tirando o pé do freio justamente quando surgem novos tipos de bolhas e riscos tecnológicos”.
3. O grupo de trabalho de IA em finanças: o que está na mesa
Junto com essa guinada pró-crescimento, Bessent está criando um working group específico de IA dentro do FSOC.
3.1. Objetivos declarados
Segundo declarações e minutas:
- estudar como reguladores podem usar IA para monitorar risco, supervisão e compliance;
- avaliar riscos de ciberataques, especialmente em um contexto em que IA generativa e ferramentas avançadas podem:
- automatizar ataques a infra financeira,
- gerar phishing hiper-realista,
- explorar vulnerabilidades em sistemas legados;
- analisar a interação entre IA e mercados de crédito, Treasuries, derivativos e funding do sistema financeiro;
- fomentar um diálogo público-privado com bancos, gestores, fintechs, big techs e players de infraestrutura.
3.2. O que está nas entrelinhas
Além do discurso oficial, há outras leituras possíveis:
- IA é vista ao mesmo tempo como ferramenta de supervisão (para o regulador enxergar melhor o sistema)
e como fonte de risco, se modelos forem usados de forma irresponsável por players privados; - o Congresso já vem pressionando o FSOC a olhar para uma possível “bolha de IA” tanto em ações de empresas quanto na infraestrutura (data centers, chips, nuvem).
- ao colocar IA no radar formal do FSOC, Bessent reconhece que essa tecnologia é macrorrelevante, não só um detalhe operacional.
4. IA, desregulação e ativos digitais: onde cripto e DeFi entram nessa história
4.1. Mais espaço para inovação digital
Uma orientação mais pró-crescimento e menos regulatória abre brecha para:
- tokenização de ativos tradicionais (crédito, imóveis, recebíveis) ganhar tração com menor resistência política;
- bancos e grandes gestoras testarem infraestrutura baseada em blockchain, com IA ajudando em:
- precificação,
- crédito,
- monitoramento de risco;
- maior tolerância a projetos que misturam IA + dados + ativos digitais, como:
- robo-advisors cripto-nativos,
- market makers algorítmicos,
- plataformas de lending automatizado,
- DeFi com camadas de IA para gestão de colateral.
Em resumo, o combo FSOC mais “leve” + grupo formal de IA envia um sinal de que inovação financeira de alto risco terá mais espaço para experimentar — pelo menos enquanto não aparecer um caso sistêmico explícito.
4.2. O lado B: menos proteção contra bolhas e riscos sistêmicos
A contrapartida é clara:
- um FSOC menos intervencionista e mais tolerante a risco pode demorar mais para soar o alarme em caso de:
- bolha de IA (empresas, tokens, infra),
- excesso de alavancagem em crédito privado tokenizado,
- interconexão perigosa entre bancos tradicionais e plataformas digitais pouco testadas;
- os próprios congressistas já falam em sensibilidade do sistema a um “estouro de bolha de IA”, pedindo que o FSOC estude o assunto com urgência.
Quando se coloca cripto e DeFi na equação:
- IA pode ser usada para operar mercados 24/7 em alta frequência, empilhando riscos opacos;
- tokens ligados a IA, DePIN, data centers, chips e nuvem podem inflar narrativas especulativas, com pouco valor real e muito marketing;
- uma postura regulatória mais leve pode deixar varejo e mesmo instituições expostos a produtos complexos sem o devido entendimento.
5. Cenários possíveis: de “era de ouro da inovação” a “risco de nova 2008 digital”
5.1. Cenário otimista: IA + FSOC = supervisão mais eficiente com mais espaço para cripto séria
Nesse cenário:
- o grupo de IA do FSOC ajuda a mapear riscos com mais precisão,
- ferramentas de IA dão ao regulador visão granular de alavancagem, liquidez e interconexões,
- e a agenda pró-crescimento permite que projetos sérios de ativos digitais, tokenização e DeFi regulado prosperem, com:
- sandbox regulatória mais clara,
- guidelines de risco proporcionais,
- menos burocracia burra e mais foco em resultado.
Resultado:
- o sistema financeiro se torna mais inovador e eficiente,
- cripto e tokenização ganham pontes sólidas com o mundo regulado,
- sem abrir a porta para um risco sistêmico descontrolado.
5.2. Cenário pessimista: desregulação demais, IA demais, supervisão de menos
No cenário oposto:
- o FSOC afrouxa demais a vigilância,
- o grupo de IA vira mais selo político do que ferramenta prática,
- mercados de IA, cripto e ativos digitais são tratados como “novo eldorado” sem medir alavancagem e interconexões.
O risco é ver uma combinação explosiva de:
- bolha de IA em ações e tokens,
- crédito mal precificado (inclusive tokenizado) apoiando projetos frágeis,
- dependência crescente de infra digital altamente concentrada (poucas clouds, poucos provedores de modelos),
- e pouca clareza sobre quem segura a conta se algo der errado.
Em linguagem direta: um subprime 2.0, só que digital, com IA, tokens e infra em nuvem no centro da confusão.
FAQ – Perguntas frequentes sobre FSOC, IA e impacto em cripto
1. O que é o FSOC e por que ele importa para quem investe em cripto?
O FSOC é o conselho que monitora risco sistêmico nos EUA. Ele não regula diretamente o varejo cripto, mas:
- influencia o tom regulatório de Fed, SEC, OCC e outros;
- pode apontar cripto, IA ou DeFi como risco sistêmico no futuro;
- ajuda a definir se o ambiente será mais hostil ou mais amigável à inovação.
2. O grupo de trabalho de IA do FSOC vai regular IA em cripto especificamente?
O foco declarado é mais amplo: IA em finanças como um todo risco de bolha, ciberataques, uso por reguladores, impacto em crédito e Treasuries. Mas, na prática:
- IA usada em trading algorítmico, gestão de risco, crédito automatizado e DeFi entra no radar;
- se surgir um problema grande vindo de “IA + cripto”, esse grupo será um dos primeiros a analisar.
3. Uma postura mais “pró-crescimento” é sempre boa para cripto?
Não necessariamente. Ela pode:
- facilitar entrada de players institucionais em ativos digitais e tokenização;
- reduzir incerteza para projetos sérios.
Mas também pode: - deixar o varejo mais exposto a produtos arriscados,
- atrasar a reação a bolhas e esquemas frágeis,
- gerar backlash político forte se algo der muito errado — o que poderia levar a uma repressão regulatória pesada depois.
4. IA pode realmente ajudar reguladores a evitar crises?
Em teoria, sim: IA pode:
- identificar padrões de risco mais cedo,
- mapear interconexões complexas,
- automatizar supervisão e fiscalização.
Na prática, tudo depende de: - qualidade dos dados,
- desenho dos modelos,
- vontade política de agir sobre o que a IA aponta.
5. Isso muda algo imediatamente para quem opera BTC, altcoins ou DeFi?
No curtíssimo prazo, não muda o clique do seu trade. Mas muda o contexto de médio/longo prazo:
- mais chance de vermos tokenização, infra digital e IA se integrarem ao sistema financeiro regulado;
- mais risco de vermos excesso de otimismo regulatório criando bolhas em tecnologias “da moda”.
Conclusão: menos regra, mais IA – oportunidade ou novo tipo de risco sistêmico?
A nova linha de Scott Bessent no FSOC menos ênfase em regulação pesada, mais foco em crescimento e criação de um grupo de IA em finanças — é um sinal claro de que:
- o sistema financeiro americano está entrando numa fase em que IA e ativos digitais deixam de ser curiosidade e viram pauta central de estabilidade;
- o regulador quer, ao mesmo tempo, liberar espaço para inovação e evitar o próximo 2008 digital;
- a fronteira entre “inovação necessária” e “descontrole perigoso” vai ser testada em tempo real, com IA, cripto, DeFi e tokenização no centro da discussão.
Para quem investe, opera ou produz conteúdo, isso abre um prato cheio de temas:
- “IA como nova linha de defesa e novo vetor de risco”;
- “Desregulação, inovação e o futuro dos ativos digitais sob o FSOC”;
- “O que um grupo de IA no xerife sistêmico dos EUA diz sobre o próximo ciclo de cripto e DeFi”.
Se você quiser, no próximo passo eu posso transformar esse tema em:
- um artigo focado só em IA + cripto,
- ou um roteiro de vídeo explicando em 60 a 90 segundos “Por que o FSOC está montando um grupo de IA e o que isso tem a ver com o seu Bitcoin”.



