A indústria global de ETFs bateu US$ 19,25 trilhões em ativos e os ETFs ativos já somam US$ 1,82 trilhão, com fluxos recordes. Entenda o que está puxando esse movimento e como isso muda a forma de investir em 2025.
Em 2025, a indústria global de ETFs deixou definitivamente de ser “produto de nicho” e passou a operar como infraestrutura do mercado financeiro.
Segundo dados da ETFGI, os ETFs globais atingiram US$ 19,25 trilhões em ativos no fim de outubro, com US$ 1,82 trilhão em entradas só neste ano e 77 meses seguidos de fluxo positivo.
Dentro desse universo, um segmento vem chamando atenção: os ETFs ativos. Também de acordo com a ETFGI, eles já somam US$ 1,82 trilhão em ativos, com US$ 523,5 bilhões de captação em 2025 e 67 meses consecutivos de entradas – o maior fluxo da série histórica.
Neste artigo, vamos destrinchar:
- quem está puxando o recorde global de US$ 19,25 tri em ETFs;
- como equity, renda fixa e commodities estão redistribuindo o jogo;
- e por que os ETFs ativos estão virando o “novo rosto” da gestão ativa, substituindo muitos fundos tradicionais.
Sempre com foco no investidor brasileiro que quer usar ETFs de forma mais estratégica – sem prometer retorno garantido e entendendo que todo investimento em mercado financeiro envolve risco e possibilidade de perda de capital.
A indústria global de ETFs em números: o que está por trás dos US$ 19,25 trilhões
A fotografia de outubro de 2025 é impressionante:
- US$ 19,25 trilhões em ativos sob gestão em ETFs;
- US$ 279 bilhões de entradas líquidas só em outubro;
- US$ 1,82 trilhão de inflows no acumulado do ano – maior valor já registrado;
- 77 meses seguidos de captação líquida positiva.
Em número de produtos, a indústria global já soma:
- 15.347 ETFs,
- com 30.007 listagens,
- de 928 provedores,
- em 83 bolsas de 65 países.
Na prática, o ETF virou uma espécie de “sistema operacional” dos investimentos globais. Em vez de cada player montar posições uma a uma, ele usa “caixinhas” (ETFs) para:
- entrar ou sair de um índice inteiro,
- ajustar exposição a um setor,
- gerir caixa, risco de duration ou até temas como IA, clima, commodities e cripto.
Como os fluxos se dividem entre equities, renda fixa e commodities
O relatório de outubro mostra que o recorde não é só “culpa de ações” – embora equities ainda liderem com folga:
- Equity ETFs
- +US$ 138,9 bi em entradas em outubro;
- US$ 816,3 bi de inflows no ano.
- Fixed income ETFs (renda fixa)
- +US$ 52,1 bi em outubro;
- US$ 366,3 bi de entradas no ano.
- Commodity ETFs
- +US$ 9,6 bi em outubro;
- US$ 82,8 bi de inflows no ano (muito acima dos ~US$ 7,9 bi do mesmo período de 2024).
A mensagem aqui é dupla:
- Equity ainda é o motor da indústria global de ETFs – especialmente índices amplos e grandes benchmarks.
- Renda fixa e commodities ganharam protagonismo como formas de
- travar juros,
- buscar rendimento,
- e se proteger de inflação/choques de risco.
Para o investidor, isso significa que hoje existe um cardápio enorme de ETFs que permite montar quase qualquer estrutura de carteira: do “60/40 clássico” a mesclas mais sofisticadas de equity global + bond ETFs + ouro/commodities.
Concentração de mercado: poucos gigantes dominam o jogo
Outro ponto importante do lado da indústria global de ETFs é a concentração:
- iShares (BlackRock): ~US$ 5,40 tri (28,0% de market share);
- Vanguard: ~US$ 4,13 tri (21,4%);
- SPDR (State Street): ~US$ 1,95 tri (10,1%).
Somados, esses três players respondem por quase 60% de todos os ativos em ETFs no mundo.
Isso tem efeitos práticos:
- liquidez enorme em produtos “core” (SPY, IVV, VOO, QQQ, etc.);
- padrão de governança e compliance mais robusto;
- mas também o risco de dependência excessiva de poucos emissores.
Para o investidor brasileiro acessando ETFs via BDRs ou conta internacional, entender quem está por trás do produto é parte da análise de risco operacional e de contraparte.
ETFs ativos em 2025: por que a gestão ativa está migrando para o formato ETF
Se a primeira parte da história é a escalada da indústria global de ETFs, a segunda é a transformação da gestão ativa dentro desse universo.
Números dos ETFs ativos: de caçula a protagonista dentro dos fluxos
De acordo com a ETFGI, o segmento de ETFs ativos fechou outubro de 2025 com:
- US$ 1,82 trilhão em ativos;
- US$ 75,8 bi de entradas líquidas em outubro;
- US$ 523,5 bilhões de inflows no ano – recorde histórico;
- 67 meses consecutivos de fluxos positivos.
Ou seja:
enquanto os ETFs tradicionais (passivos) consolidam a infraestrutura de mercado,
os ETFs ativos começam a roubar a cena dentro da própria indústria.
Não por acaso:
- mais de 80% dos novos produtos lançados em 2025 nos EUA são ativos, segundo dados de Morningstar e J.P. Morgan citados pela imprensa;
- gigantes como Vanguard e Goldman Sachs estão expandindo agressivamente a oferta de ETFs ativos – inclusive via aquisições bilionárias.
Por que gestores e investidores estão trocando fundos tradicionais por ETFs ativos?
Há alguns motivos estruturais para a migração da gestão ativa para o formato ETF:
- Custo e tributação
- ETFs tendem a ter taxas menores do que fundos tradicionais equivalentes;
- em vários mercados, a estrutura de ETF oferece maior eficiência fiscal (especialmente nos EUA).
- Liquidez intraday
- o ETF é negociado em bolsa durante o pregão,
- o que dá ao investidor a possibilidade de entrar e sair ao longo do dia,
- com uso de ordens limitadas, stop, etc.
- Transparência
- muitos ETFs ativos divulgam a carteira com frequência maior do que fundos tradicionais;
- isso melhora a leitura de risco, exposição setorial, concentração, etc.
- Distribuição e experiência digital
- para plataformas e RIAs, o ETF é mais fácil de encaixar em arquitetura aberta;
- carteiras gerenciadas e robo-advisors montam alocações quase sempre com blocos de ETFs, passivos e ativos.
Não à toa, casas tradicionalmente associadas a gestão ativa via fundos – como Vanguard, Fidelity, T. Rowe Price e agora Goldman (via aquisição da Innovator Capital, especializada em defined outcome ETFs) – vêm expandindo a presença em ETFs ativos como estratégia central de negócio.
ETFs ativos x fundos tradicionais: o que muda para o investidor
Na prática, os ETFs ativos não prometem “magia”:
- continuam sujeitos a risco de mercado,
- podem performar abaixo do índice,
- e exigem o mesmo cuidado de análise do gestor, da estratégia e do histórico.
Mas eles mudam o “invólucro” da gestão ativa:
- o investidor passa a ter gestão ativa com cara de ETF,
- em vez de gestão ativa com cara de fundo clássico.
Para o investidor brasileiro que:
- já está acostumado a usar ETFs passivos para
- S&P 500,
- Nasdaq,
- renda fixa global,
- faz cada vez mais sentido olhar também para alguns ETFs ativos de alta qualidade,
como complemento tático à base passiva da carteira.
Como a indústria global de ETFs redesenha a montagem de carteira em 2025
Com US$ 19,25 tri em ETFs e US$ 1,82 tri em ETFs ativos, o investidor – pessoa física ou institucional – tem hoje muito mais ferramentas do que há 5 ou 10 anos.
Core passivo + satélites ativos: a combinação que está virando padrão
Um padrão que vem se consolidando é o modelo core-satellite:
- Core (núcleo) passivo:
- ETFs de índice amplo (S&P 500, MSCI World, índices de renda fixa global etc.);
- objetivo de capturar o “beta” do mercado com baixo custo.
- Satélites ativos:
- ETFs ativos temáticos, setoriais, de crédito, long/short, defined outcome etc.;
- objetivo de buscar alfa, reduzir volatilidade ou modular risco de forma ativa.
Esse modelo vale tanto para:
- o grande institucional,
- quanto para o investidor de varejo avançado montando carteira global via corretoras internacionais.
O que isso significa para o investidor brasileiro na prática
Para quem investe a partir do Brasil, alguns pontos importantes:
- Acesso
- muitos ETFs globais (incluindo alguns ativos) já estão disponíveis via BDRs de ETFs na B3;
- outros só via conta internacional – o que adiciona camadas de risco cambial, jurídico e operacional.
- Risco e adequação de perfil
- mesmo sendo “caixinha diversificada”, ETF não é sinônimo de baixo risco;
- ETFs de setor, temáticos, alavancados e de cripto podem ter volatilidade muito alta;
- ETFs ativos carregam risco de erro de seleção de gestor/estratégia.
- Planejamento e horizonte
- usar ETFs globais faz sentido dentro de um plano de longo prazo,
- com visão de diversificação estrutural,
- e não apenas como aposta tática no “tema da moda”.
Nada disso é recomendação de compra ou venda.
É um convite para olhar a indústria global de ETFs como um toolkit poderoso – mas que exige estudo, consciência de risco e alinhamento com objetivos financeiros reais.
FAQ – Indústria global de ETFs e ETFs ativos em 2025
1. O que significa dizer que a indústria global de ETFs chegou a US$ 19,25 trilhões?
Significa que, somando todos os ETFs do mundo, o volume de recursos aplicados neles atingiu US$ 19,25 trilhões em outubro de 2025 – um novo recorde.
Esse número considera ETFs listados em dezenas de bolsas, em mais de 60 países, cobrindo desde ações até renda fixa, commodities e cripto.
2. O que são exatamente ETFs ativos?
ETFs ativos são fundos listados em bolsa em que o gestor:
- não tenta apenas replicar um índice;
- toma decisões de seleção de ativos, alocação setorial, duration, crédito etc.;
- buscando entregar um resultado melhor (ou diferente) do benchmark, assumindo risco adicional.
Eles combinam:
- o formato de ETF (liquidez intraday, negociação em bolsa, estrutura de custos típica),
- com a lógica de gestão ativa tradicional.
3. ETFs ativos são melhores do que fundos tradicionais?
Não existe “melhor” em termos absolutos – depende da estratégia específica e do seu perfil.
O que mudou é o embalagem:
- muitos gestores que antes ofereciam apenas fundos tradicionais estão
- lançando versões em formato ETF ativo,
- ou até migrando boa parte da oferta para essa estrutura.
Para o investidor, isso pode significar:
- custos menores,
- melhor experiência de negociação,
- mas o mesmo nível de necessidade de analisar estratégia, risco e histórico.
4. Como a divisão entre equities, renda fixa e commodities impacta minha carteira?
Os dados de 2025 mostram:
- Equity ETFs ainda são o maior bloco de fluxos;
- bond ETFs crescem forte, especialmente para busca de renda e gestão de risco de juros;
- commodity ETFs (ouro, metais, energia) voltaram ao radar como instrumentos de proteção e diversificação.
Na prática:
- você consegue montar uma carteira global só com ETFs, mesclando
- ações,
- renda fixa,
- commodities,
- e eventualmente cripto,
de forma muito mais granular do que há alguns anos.
5. Investir em ETFs globais é seguro?
“Seguro” é uma palavra perigosa em finanças.
O que dá para dizer é:
- ETFs grandes, listados em bolsas relevantes e emitidos por casas de primeira linha tendem a ter boa governança operacional;
- mas o risco de mercado continua lá:
- o ETF pode cair tanto quanto (ou mais que) o índice ou ativo que ele replica;
- ETFs temáticos, alavancados ou de cripto podem ter quedas muito acentuadas em pouco tempo.
Por isso, mesmo em uma indústria global de ETFs madura, gestão de risco continua sendo central:
- tamanho de posição,
- horizonte de investimento,
- diversificação real,
- e evitar alocar em ETF só porque “está na moda”.
Conclusão: ETFs como infraestrutura – e ETFs ativos como nova cara da gestão
A história que os números contam é clara:
- a indústria global de ETFs virou um pilar da infraestrutura de mercado, com US$ 19,25 trilhões em ativos, US$ 1,82 trilhão de entradas em 2025 e 77 meses seguidos de fluxos positivos;
- dentro dela, os ETFs ativos deixaram de ser nicho e já somam US$ 1,82 trilhão e mais de US$ 523 bilhões de inflows no ano, com 67 meses consecutivos de captação.
Para o investidor brasileiro, isso significa:
- mais ferramentas para diversificar globalmente,
- mais opções de gestão ativa em formato ETF,
- e também mais responsabilidade para separar o que é
- núcleo de longo prazo,
- de aposta temática / tática de curto prazo.
ETFs não são atalho para enriquecer rápido.
Eles são uma caixa de ferramentas poderosa, que pode acelerar a construção de uma carteira bem montada – ou amplificar erros, se usados sem gestão de risco.



