De nicho a infraestrutura: como os ETFs se tornaram o “sistema operacional” dos investimentos globais em 2025

A indústria de ETFs globais bateu US$ 19,25 trilhões em ativos e a Europa chegou a US$ 3,11 trilhões, com dezenas de meses seguidos de inflows. Entenda por que os ETFs viraram o “sistema operacional” dos investimentos e como isso muda a diversificação da sua carteira.


Em 2025, os ETFs globais deixaram oficialmente de ser “só mais um produto” para virar infraestrutura do mercado.

De acordo com a consultoria ETFGI, os ativos na indústria global de ETFs atingiram US$ 19,25 trilhões no fim de outubro de 2025 novo recorde histórico. Em apenas um mês, entraram US$ 279 bilhões líquidos, levando o ano a US$ 1,82 trilhão de inflows e marcando o 77º mês consecutivo de entradas.

Na Europa, o movimento é similar: o mercado de ETFs europeus chegou a US$ 3,11 trilhões em ativos, crescendo 36,7% no ano e acumulando 37 meses seguidos de inflows, com US$ 333,22 bilhões de entradas só em 2025.

Neste artigo, vamos destrinchar:

  • por que os ETFs globais viraram o “sistema operacional” do investidor moderno;
  • como a Europa se consolidou como hub de fluxo em ETFs;
  • e o que isso significa, na prática, para quem monta carteira no Brasil pensando em longo prazo, diversificação e risco.

1. O salto dos ETFs globais: de produto de nicho a espinha dorsal do mercado

1.1 O número que muda o jogo: US$ 19,25 trilhões em ETFs globais

Segundo o relatório global da ETFGI, a indústria de ETFs globais:

  • atingiu US$ 19,25 trilhões em ativos ao fim de outubro de 2025;
  • cresceu cerca de 29,7% no ano (de US$ 14,85 tri em 2024 para US$ 19,25 tri);
  • recebeu US$ 279 bilhões de entradas líquidas só em outubro;
  • acumula US$ 1,82 trilhão em inflows em 2025, o maior valor da série histórica;
  • registra 77 meses consecutivos de inflows.

Esse tipo de número não é “só mais um recorde”:

significa que uma fatia gigantesca da alocação global de capital está sendo feita via ETFs
tanto por varejo quanto por institucional.

Na prática:

  • quando um fundo de pensão quer se posicionar rapidamente em ações globais,
  • quando um hedge fund precisa fazer hedge de um setor em segundos,
  • quando o investidor pessoa física quer montar uma carteira diversificada com pouco dinheiro,

a solução padrão, cada vez mais, é apertar um botão de ETF.


1.2 ETF como “sistema operacional” do mercado

Por que falar em “sistema operacional” e não apenas “veículo de investimento”?

Porque o ETF hoje:

  1. Organiza a liquidez
    • boa parte do volume diário de ações é reflexo de criação, resgate e rebalanceamento de ETFs;
    • isso significa que, ao negociar um ETF, você aciona fluxos indiretos em dezenas ou centenas de ativos ao mesmo tempo.
  2. Padroniza exposição
    • em vez de inventar uma carteira do zero, o investidor usa ETFs como “blocos Lego”:
      • um ETF de ações globais,
      • um de renda fixa global,
      • um de setores (tech, saúde, financeira),
      • e assim por diante.
  3. Serve tanto para longo prazo quanto para tática
    • para o varejo: base de carteira de longo prazo;
    • para o institucional: ferramenta de hedge, rotação setorial, alocação rápida.
  4. Integra outras tendências
    • AI, ESG, cripto, fatores, dividendos, low vol: tudo acaba virando “linha” de ETF.
    • o tema em alta → vira índice → vira ETF → vira canal principal de entrada de fluxo.

Na linguagem de tecnologia, o ETF virou, literalmente, o sistema operacional sobre o qual outros “apps” (estratégias, robôs, carteiras modelo, plataformas) rodam.


1.3 O que explica o boom de inflows em 2025

Alguns motores por trás desses US$ 1,82 trilhão de inflows globais:

  • taxa de juros ainda elevada em muitos países, incentivando uso de ETFs de renda fixa para travar yield de forma simples;
  • boom de AI e tecnologia, puxando ETFs temáticos e setoriais;
  • maior uso de ETFs por fundos ativos como ferramenta tática (sim, até gestor que “vende stock picking” usa ETF no dia a dia);
  • busca por diversificação internacional em regiões que tiveram performance melhor que os EUA em 2025 (vários mercados desenvolvidos ex-EUA e emergentes tiveram performance forte).

Tudo isso alimenta um ciclo:

  1. cresce o uso de ETFs →
  2. aumentam liquidez e variedade de produtos →
  3. isso torna o ETF ainda mais atraente como veículo padrão →
  4. o fluxo volta a crescer.

2. Europa como hub: ETF não é só SPY e QQQ

2.1 US$ 3,11 trilhões em ETFs europeus e 37 meses seguidos de entrada

Muita gente associa ETF a SPY, QQQ e VOO, e para aí.
Mas os números da Europa mostram que a história é bem mais ampla.

De novo, segundo a ETFGI:

  • o mercado de ETFs europeus chegou a US$ 3,11 trilhões em ativos no fim de outubro de 2025;
  • isso representa um crescimento de 36,7% no ano (de US$ 2,27 tri em 2024);
  • só em outubro, os ETFs europeus receberam US$ 42,30 bilhões de inflows;
  • no ano, já são US$ 333,22 bilhões de entradas, o maior valor da série;
  • outubro marcou o 37º mês consecutivo de inflows.

Ou seja: não é só a indústria global como um todo que está em alta;
a Europa virou um polo relevante de crescimento e diversificação.


2.2 O que está puxando os ETFs europeus

Ainda segundo os dados da ETFGI e de veículos como Funds Europe:

  • Equity ETFs (ações) lideram os fluxos, com US$ 25,66 bilhões só em outubro e US$ 221,98 bilhões no ano;
  • Fixed income ETFs (renda fixa) adicionaram US$ 15,92 bilhões no mês, com US$ 64,43 bilhões YTD;
  • dentro de renda fixa, destaque para:
    • crédito corporativo em euro,
    • high yield em euro,
    • bônus soberanos da zona do euro;
  • grandes casas como iShares, Amundi e Xtrackers concentram mais de 60% dos ativos, o que ajuda a padronizar oferta e liquidez.

Tradução prática:

o investidor que quer sair do “combo SP500 + Nasdaq” encontra, na Europa,
uma prateleira enorme de ETFs com foco em Europa, renda fixa em euro e estratégias mais específicas.

Para quem está no Brasil construindo uma carteira global, isso abre espaço para:

  • diversificar moeda (exposição estrutural a euro, não só dólar);
  • combinar ETFs globais listados nos EUA com ETFs europeus via fundos alimentadores, BDRs ou plataformas internacionais.

2.3 Europa como “hub de fluxo”: por que isso é importante para você

O fato de a Europa registrar 37 meses seguidos de inflows e um crescimento de quase 40% em ativos em 2025 não é só curiosidade de mercado.

Isso sinaliza:

  1. Confiança na estrutura europeia de ETFs
    • mais produtos,
    • mais liquidez,
    • regulação clara em várias jurisdições (UCITS, por exemplo);
  2. Demanda por diversificação geográfica e cambial
    • investidores globais querem reduzir dependência de EUA;
    • Europa oferece exposição a setores diferentes, política monetária distinta e dinâmica macro própria.
  3. Base para produtos “importados” por plataformas globais
    • muitos ETFs listados na Europa acabam servindo de base para
      • fundos,
      • carteiras modelo,
      • seguros e produtos estruturados no mundo inteiro.

Se você está pensando em investir fora do Brasil via corretoras internacionais ou fundos locais, entender esse hub europeu de ETFs ajuda a:

  • escolher produtos mais líquidos;
  • fugir de soluções “exóticas” e muito nichadas;
  • pensar diversificação com um pouco mais de sofisticação.

3. Como esse boom de ETFs impacta a montagem da sua carteira

3.1 ETF como bloco base, não como aposta isolada

Com ETFs globais em US$ 19,25 tri e a Europa em US$ 3,11 tri de ativos, a mensagem é clara:

ETF não é mais “moda”, é bloco fundamental de construção de carteira.

Para o investidor brasileiro, isso significa:

  • usar ETFs (diretos ou via fundos) como estrutura principal de alocação:
    • um ou dois ETFs de ações globais,
    • um ETF de renda fixa global ou de Treasuries,
    • um ETF de ações europeias,
    • e, se fizer sentido, um tempero de temas (AI, cripto, etc.) com percentual pequeno.

Em vez de tentar escolher 15 ações internacionais, o investidor monta “camadas”:

  1. Camada núcleo (core)
    • ETFs amplos (Mundo, EUA, Europa, Emergentes).
  2. Camada satélite
    • setores (tech, saúde, financeiro),
    • fatores (value, quality, low vol),
    • temas (IA, transição energética, etc.).
  3. Camada tática/especulativa
    • cripto ETFs,
    • temáticos muito concentrados,
    • alavancados (se a política de risco permitir).

Sempre lembrando: mais retorno potencial → mais risco → menor peso na carteira.


3.2 Riscos que você não pode ignorar (mesmo com ETF)

Apesar de toda “aura de segurança” que ETF passa, é essencial ter clareza de risco:

  • risco de mercado: ETF de ações globais pode cair 30 40% em crises, como qualquer carteira de ações;
  • risco de concentração: muitos ETFs “globais” têm grande peso em EUA e, dentro dos EUA, em poucas mega caps;
  • risco de moeda: exposição a dólar/euro pode gerar volatilidade extra para quem pensa em reais;
  • risco temático: ETF de IA, cripto ou setor específico pode ter drawdowns violentos.

ETF não é sinônimo de “baixo risco”.
Ele é uma forma mais eficiente e transparente de acessar risco.


3.3 Como usar o boom de ETFs globais e europeus a seu favor

Algumas ideias práticas:

  1. Construir um “core global”
    • um ETF de ações globais desenvolvido + um de emergentes;
    • ou um ETF global e outro específico de Europa, para calibrar o peso fora dos EUA.
  2. Combinar dólar e euro na carteira
    • usar ETFs listados nos EUA e na Europa (ou fundos/BDRs que os replicam) para não ficar 100% dependente de uma única moeda.
  3. Adicionar renda fixa via bond ETFs
    • aproveitar a onda de inflows em bond ETFs (especialmente na Europa) para ter renda fixa global com liquidez e diversificação.
  4. Limitar temas “quentes” a uma fatia pequena
    • AI, cripto e temáticos podem fazer parte da carteira,
    • mas como satélite de alto risco, não como base da alocação.

FAQ ETFs globais, Europa e o novo “sistema operacional” do mercado

1. O que significa os ETFs globais atingirem US$ 19,25 trilhões em ativos?

Significa que uma parcela enorme da poupança global de pessoas físicas e institucionais, está alocada via ETFs globais. O número, divulgado pela ETFGI, mostra US$ 19,25 tri em ativos, com US$ 279 bi de inflows em outubro e US$ 1,82 tri de entradas no ano, além de 77 meses consecutivos de fluxo positivo.


2. Por que a Europa é considerada um “hub” de ETFs hoje?

Porque o mercado de ETFs europeus bateu US$ 3,11 trilhões em ativos, crescendo 36,7% no ano, com 37 meses seguidos de inflows e US$ 333,22 bilhões de entradas em 2025. Isso indica escala, liquidez, variedade de produtos e confiança crescente dos investidores globais na estrutura de ETFs europeus.


3. ETF é mais seguro do que investir em ações diretamente?

ETF reduz risco específico (de uma empresa ou setor) ao diversificar em vários ativos, mas não elimina risco de mercado. Um ETF de ações globais pode cair forte em crises, assim como um índice amplo. A vantagem é:

  • diversificação,
  • transparência,
  • custo mais baixo e
  • facilidade de acesso.

Não é produto de “renda garantida”, e sim uma forma mais eficiente de se expor aos mesmos riscos de mercado.


4. Vale a pena olhar para ETFs europeus se já invisto em ETFs listados nos EUA?

Depende da sua estratégia, mas faz sentido considerar:

  • ETFs europeus podem dar mais exposição à Europa e a euro,
  • ampliar a diversificação de moeda e geografia,
  • e aproveitar classes de ativos forte por lá (crédito em euro, bônus soberanos da zona do euro, etc.).

Para muitos investidores, faz sentido combinar:

  • ETFs globais/americanos,
  • com um “tilt” em Europa via ETFs ou fundos dedicados.

5. Como começar a investir em ETFs globais morando no Brasil?

Você pode:

  • usar fundos de índice locais (que replicam ETFs globais);
  • comprar BDRs de ETFs listados na B3;
  • abrir conta em corretoras internacionais reguladas e acessar ETFs diretamente.

Em todos os casos, é importante:

  • entender o risco cambial (dólar/euro);
  • avaliar custos (taxas, spread, IOF, corretagem);
  • montar um plano de alocação com horizonte de longo prazo e gestão de risco.

Conclusão: ETFs globais como infraestrutura e Europa como peça chave da diversificação

A Dupla 1 que você trouxe resume bem a virada de chave de 2025:

  • Tema 1: ETFs globais em US$ 19,25 trilhões, com US$ 1,82 trilhão de inflows e 77 meses seguidos de entradas, consolidando o ETF como “sistema operacional” dos investimentos globais.
  • Tema 2: Europa batendo US$ 3,11 trilhões em ativos, com 37 meses consecutivos de inflows e crescimento de 36,7% no ano, virando hub de fluxo e diversificação fora dos EUA.

Para o investidor brasileiro, isso não é só notícia:

é um convite para repensar a carteira com ETFs globais e europeus como base,
usando o que o mundo inteiro já está usando como infraestrutura de investimento
mas sempre com clareza de risco, horizonte e limites de exposição.

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